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| O Parente Mais Próximo |
| Segunda, 16 Maio 2011 14:18 | |||
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Autor: John Boyne Londres, 1936. A ascensão de Hitler assusta o velho Continente, mas é o caso amoroso do Rei Eduardo VIII que domina as conversas desde as tabernas aos círculos mais restritos da aristocracia. Enquanto o Rei pondera abdicar do trono por amor a uma mulher casada, Owen Montignac espera a herança do tio para pagar a sua enorme dívida de jogo. Quando o dinheiro é atribuído à sua prima Stella, Owen vê-se obrigado a construir um plano maquiavélico para conseguir o dinheiro, salvar a posição social e para se ver livre, de uma vez por todas, dos agiotas. No meio de uma crise política Owen mantém-se vivo através da perspicácia e da imaginação, mas é a disponibilidade para matar que vai ditar o seu futuro. Do mesmo autor no Segredo dos Livros: Autor:
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Comentários
Desapontado, ou melhor, cheio de raiva e desejo de vingança, Owen vê-se em maus lençóis quando as suas dívidas de jogo aumentam e quando a pessoa a quem deve lhe dá um pequeno prazo para a entrega de milhares de dólares, ou para a escolha da sua própria morte.
Enquanto Owen tenta arranjar maneira de sobreviver, Lord Bentley, cavaleiro do reino e juiz do supremo tribunal, conhecido por ser totalmente imparcial e não se deixar influenciar por nada nem ninguém, está frente a frente com um processo de homicídio de um polícia, praticado por um homem que é primo em 3º grau do rei. Prometendo a si próprio não ser influenciado pelos media e pela esposa, Bentley toma a decisão que considera mais correcta, mas por vezes o futuro pode ser muito irónico e cruel...
De outro ângulo, conhecemos Stella, a prima por quem Owen está apaixonado, que, após herdar a enorme fortuna do pai, tenta voltar a ligar-se ao primo, tentando tornar-se amiga deste, mas a grande inimizade de Owen pelo seu noivo é bem visível e, por muito que Stella e o seu noivo tentem, Owen nunca irá gostar dele, chegando mesmo a fazer o impensável!
Muito, mas muito bom!!! Owen é uma personagem excelente e muitíssimo bem desenvolvida! Num livro em que se fala do que o ser humano é capaz de fazer para atingir os seus objectivos, Owen mostra o lado mais negro e cruel da natureza humana e, ao longo do livro, vemos questões que acabarão por ser respondidas... O seu tio morreu de causas naturais durante o sono? O desaparecimento dos Cézanne da galeria de arte foram obra de quem? Será que Gareth cometeu realmente o crime de que é suspeito? Andrew, irmão de Stella, morreu mesmo devido ao mau uso que deu a uma espingarda? E Stella... tropeçou simplesmente na mangueira!?
Owen é uma personagem complexa e de quem vemos diversas facetas. Desde o homem assustado e que se está a afogar em dívidas de jogo... ao homem misterioso que nem mesmo os amigos mais próximos podem afirmar que conhecem realmente... ao homem que faz tudo por tudo para atingir os seus objectivos... ao homem apaixonado que tudo faz por amor...
Mas Owen não é a única personagem interessante neste livro. Todas elas são! Todas elas têm uma personalidade própria, dotada do egoísmo que a espécie humana tem. Desde o rei Eduardo VIII, ao Lord Bentley, passando pelo filho e mulher deste, Delfy (o homem a quem Owen deve dinheiro)... Todos são personagens muito aprofundadas neste livro e únicas.
Embora no início me tenha sido complicado entrar na história, compreendo que aquele início do género "apresentação aprofundada" era muitíssimo necessário, pois é graças a ele que mais à frente entramos no livro de tal forma que não o conseguimos largar enquanto não o terminarmos e percebermos se após tudo o que fez, Owen conseguirá seguir a sua vida como se nada se tivesse passado e se conseguirá dormir descansado...
Um livro que recomendo a todos e que me fez querer - e muito -, ler outros livros do autor!
Para o conseguir, será capaz de tudo - assassínio, roubo, mentira... Mas Owen não é um simples vilão, ele é uma personagem extremamente complexa e extremamente interessante. Sob a sua capa de dândi, jovem solteiro que vive em Londres e que dirige uma galeria de arte contemporânea, há o vilão que tudo faz para conseguir o que quer; há o homem fraco que se deixou afogar em dívidas de jogo e que continua a viver como se fosse riquíssimo, aguardando a sua herança; há o homem extremamente só, com poucos amigos e que, mesmo estes, o conhecem mal; há o homem íntegro que não é capaz de deixar um amigo ficar mal; e há também o homem atraiçoado e incapaz de perdoar a única mulher que amou e ama - a sua prima Stella.
A vida de Owen sofre um grande revés quando o tio, ao contrário do que era tradicional na família Montignac, não deixa a herança ao herdeiro masculino mais velho, Owen, mas sim à sua prima Stella.
O narrador deixa-nos sempre na dúvida sobre quão funda é realmente a malvadez de Owen, já que ficam no ar muitos acontecimentos difíceis de explicar, como a morte prematura e acidental de seu primo mais velho, Andrew, e do seu tio durante o sono; o desaparecimento sem rasto das pinturas de Cézanne da galeria contígua à sua; a morte do noivo da sua prima e a acusação do seu ingénuo amigo Gareth; e a morte da sua própria prima e amada que, aparentemente, tropeça num mangueira e cai do terraço ajardinado da casa dos Montignac. Todos estes acontecimentos surgem em momentos extremamente oportunos para Owen e ficamos sempre a pensar: Será que ele está por detrás disto? Será que alguém assim tão culpado, poderá ser feliz após conseguir tudo o que quer? Será ele capaz de aguentar a consciência pesada e dormir tranquilamente, sabendo que sacrificou a sua família, as suas amizades e até o único amor da sua vida para atingir o seu objectivo de ser dono e protector da fortuna Montignac?
Além de Owen Montignac, há outras personagens profundamente fascinantes que povoam esta narrativa: o Rei Eduardo VIII que escandaliza todos os seus súbditos quando anuncia que pretende casar com uma americana divorciada e, se necessário for, abdicar do trono; há Lord Bentley, juiz do supremo tribunal e conselheiro do reino que é um homem íntegro e recto; há Gareth Bentley um jovem ingénuo que apenas deseja viver uma vida de dândi e, rapidamente e quase sem se aperceber, se vê envolvido na teia de tramas de Owen; há Lord Keaton, juiz também, mas nada incorruptível e, tal como Montignac, capaz de tudo para atingir o que acha ser seu por direito; e há Delfy um homem de negócios que gere um negócio de jogo ilícito, que faz o que for preciso para ficar por cima e que está sempre muito bem informado sobre tudo e todos. Há ainda personagens femininas muito interessantes: Stella Montignac que ama Owen, mas não consegue apaziguar a relação de ambos, afirmando-o; Jane Bentley que, como uma leoa a proteger a sua cria, defende Gareth quando ele acaba na prisão acusado de homicídio; e Margaret que criou os Montignac e que é quem melhor e mais intimamente os conhece, mas que também será capaz de usar isto para obter o que deseja.
Esta narrativa é, sem dúvida, inclassificável e genial, e leva-nos a pensar sobre o que as pessoas são capazes de fazer para conseguirem aquilo que querem.
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