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 Autora: Joanne Harris Edição: Set/2010 Páginas: 432 Editor: Edições Asa
Ele conhece-a há uma eternidade e, contudo, ela nunca o viu. É como se fosse invisível para a mulher que ama. Mas ele vê-a a ela: o cabelo; a boca; o rosto pequeno e pálido; o casaco vermelho-vivo na neblina matinal, como algo saído de um conto de fadas. Até agora, ele nunca se apaixonou. Assusta-o um pouco: a intensidade dessa emoção, a maneira como o rosto dela se intromete nos seus pensamentos, a maneira como os seus dedos traçam o nome dela, a maneira como tudo, de algum modo, conspira para que ela nunca lhe saia da cabeça…
Ela não sabe de nada, claro. Tem um ar muito inocente, com o seu casaco vermelho e o seu cesto. Mas por vezes os maus não se vestem de preto e por vezes uma menina perdida na floresta é bem capaz de fazer frente ao lobo mau… Autora: Escritora franco-inglesa, Joanne Michèle Sylvie Harris nasceu a 3 de Julho de 1964, em Yorkshire. Filha de pai inglês e mãe francesa, ambos professores, cresceu sentindo-se deslocada por força do seu bilinguismo, num meio adverso ao cosmopolitismo. Refugiou-se portanto na leitura, que povoou a sua fantasia de amigos imaginários, sobretudo nos primeiros dez anos da sua vida. Estudou no Wakesfield Girl's High e no Barnsley Sixth Form College. Passou grande parte da sua adolescência a escrever, imitando os seus autores favoritos, à procura do seu próprio estilo. Ao terminar o ensino secundário, ingressou no St. Catherine's College de Cambridge, onde se diplomou em Línguas e Literaturas Medievais e Modernas, Variante de Estudos Franceses e Alemães. Neste período envolveu-se em algumas actividades extra-curriculares, como a prática do Ju-Jitsu e a música, chegando a actuar em vários bares de Cambridge com o seu baixo. Antes de responder à vocação familiar do ensino, passou por uma breve fase em que trabalhou como guarda-livros e como música. Começou depois a ensinar Francês na Leeds Grammar School e, mais tarde, Literatura Francesa na Universidade de Sheffield. Em 1989 publicou o seu primeiro romance, The Evil Seed, a que se seguiu Sleep Pale Sister (1993). Ambas as obras passaram despercebidas pela crítica, nunca chegando a ser reeditadas. No entanto, dez anos após o aparecimento do seu primeiro trabalho, surgiu com Chocolat (1999). A obra, que constituiu um sucesso de vendas imediato, foi nomeada para um Prémio Whitbread. Situado num lugar exótico no vale do Loire, em França, o romance contava a história de uma jovem viúva que chega a uma aldeia oprimida e decide abrir uma lojas de chocolates, que usa para adoçar a amargura da população. Foi adaptado para o cinema pelo realizador Lasse Hallström, contando com a presença de Juliette Binoche no papel principal. No ano de 2001 apareceu Five Quarters Of The Orange (Cinco Quartos de Laranja), a que seguiram Blackberry Wine (2001), The French Kitchen, A Cookbook (2002), Coastliners (2002, A Praia Roubada) e Holy Fools (2003).
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Comentários
A autora guia-nos pelas 400 páginas do livro com uma habilidade mágica. O leitor dá por si a reter a respiração, a ansiar pela próxima página, virando uma a seguir à outra sem ter a capacidade de interromper a leitura.
Todo o livro é constituído por curtos capítulos, entradas de um webjournal, escritos maioritariament e pelo blueeyedboy que dá nome ao livro e pela Albertine. A realidade é por eles relatada como ficção (ou será o inverso?) através de histórias contraditórias, insinuações e deturpação da verdade que leva o leitor a questionar tudo o que lhe é apresentado, nunca tendo a certeza do destino a que está a ser conduzido. Afinal o que é a verdade? O que é que aconteceu? O que é que é apenas ficção?
Entra directamente para a minha lista-dos-melhores-livros-lidos. Adorei!
"- Mas o Nigel odiava a mãe… Desculpa, sei que a adoras.
- Foi o que ele te disse?
- Presumi, simplesmente… enfim, vives com ela.
- Há pessoas que vivem com cancro."
"E assim, atravessando o espelho, entrei no mundo do blueyedboy, onde tudo existe ao contrário e todos os sentidos são retorcidos e deturpados e nunca nada realmente começa e nunca nada chega ao fim…"
Não digo que não seja interessante, mas não chega aos pés das suas outras obras. Eu que estava tão entusiasmada com esta nova publicação, levei sem dúvida um balde de água fria. :(
Aqui é contada a história de um homem de 42 anos que escreve ficção arrepiante no seu webjournal. Através dos seus post's públicos e restritos, vamos descobrindo esta personagem e como a sua mente é perturbada. Até que ponto os seus relatos são ficção ou realidade?
Joanne Harris explora o lado negro da mente humana através da net: como podemos facilmente manipular e ser manipulados, como na rede podemos ser tudo o que quisermos ou simplesmente nós próprios.
Não é um livro de fácil leitura, tem partes que o tornam um livro bastante desconfortável.
Apesar de o considerar um excelente livro, confesso que não gostei particularmente . Foi difícil sentir-me entusiasmada com a história.
Blueeyedboy. Homem, 42 anos, 1,60m. Trabalha num hospital, gosta de música e todos os dias entra no seu webjournal para escrever a sua ficção. Mas até que ponto a ficção toca a realidade? Como sabemos onde começa uma e acaba a outra e até que ponto os crimes dele são reais? Este livro mostra a facilidade com que podemos alterar a realidade perante outros, utilizando um computador, e como podemos adoptar diversas personalidades. Tal como Blueeyedboy. No fundo ele é vulnerável, revoltado, mas mostra-se forte, seguro e controlador. Através da sua ficção, pode cometer crimes que, na realidade, jamais conseguiria fazer, julga conhecer todas as pessoas em seu redor, especialmente Albertine que alinha nas suas histórias, retratando um passado comum. No entanto, o que Blueeyedboy não esperava é que, numa fracção de segundos, o lobo mau pode transformar-se rapidamente em cordeiro.
Foi a minha fantástica e surpreendente estreia com Joanne Harris e, apesar de a sinopse me ter induzido em erro quanto ao conteúdo do livro, é, sem dúvida, uma história fantástica que recomendo sem hesitação.
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