O Romance da Bíblia

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Subtítulo: Um olhar feminino do Antigo Testamento
Autora: Deana Barroqueiro
Edição: 2010
Páginas: 352
ISBN: 9789898092748
Editora: Ésquilo

 


«O Romance da Bíblia possui o riso que acontece debaixo da palma da mão entreaberta sobre a boca, mas igualmente o desfrute do gozo, ambiguamente trocado, tomado, pelo gosto do outro, no tactear da língua. Um livro de memórias ancestrais, que nos mostra o despertar da mortal e venenosa serpente das seitas religiosas, do obscurantismo, do sexismo com a sua rancorosa face. Mas, O Romance da Bíblia é ainda a beleza traba­lhada, cinzelada, com um bom gosto literário inusitado, eu diria mesmo raro, na ficção portuguesa. (…)

O livro de Deana Barroqueiro traz consigo a visão da mulher. Lúcido olhar, que ao longo dos séculos tem faltado à visitação deste universo da Bíblia: Velho Testamento moralista, repleto de anciãos preguiçosos, libidinosos e lascivos, de brutamontes ignorantes e violadores, convocados por um Deus irado frente à própria incompetência e à própria ima­gem, segundo a qual teria criado o homem, de quem afinal não gosta e castiga. E é precisamente no enredamento deste dilema, que se abrem as páginas do primeiro dos dezanove textos que, fragmentariamente, irão formar um todo literário uno: falando de Noé e de Jacob, de Isaac e de Sansão, de Asmodeu e dos circuncisos, de Labão e de Abraão, arrancando-os do seu pedestal de heróis divinos, com uma habilidosa cruel­­dade implacável.»
Maria Teresa Horta

Autora:

Deana Barroqueiro nasceu nos EUA, em 1945. Atribui à sua ascendência murtoseira e lisboeta, assim como à longa viagem de transatlântico, de Nova Iorque para Lisboa, que fez aos dois anos de idade, a génese da sua paixão pela grande aventura dos Descobrimentos Portugueses e seus protagonistas.
Licenciou-se em Filologia Românica na Faculdade de Letras de Lisboa. Viveu e estudou em Inglaterra de 1973 a 1976.
Inicia a sua actividade literária como autora de romances históricos com os sete volumes da colecção Cruzeiro do Sul (2002-2004). Publica os Contos Eróticos do Velho Testamento (2003), traduzido e editado em Espanha, Itália e Brasil e os Novos Contos Eróticos do Velho Testamento (2004), a que se seguem os romances S. Sebastião e o Vidente (2006), vencedor do Prémio Máxima de Literatura 2007 (Prémio Especial do Júri), O Navegador da Passagem (2008), O Espião de D. João II (2009), Romance da Bíblia/Tentação da Serpente (2011).
Em 2003, a escritora foi agraciada pela Câmara de Newark, em reconhecimento do seu contributo para a divulgação e promoção da língua e cultura portuguesas entre as comunidades de emigrantes da América, Canadá e Europa.
Saiba mais no blogue da autora deanabarroqueiro.blogspot.pt

Comentários  

 
#4 Patrícia Pereira 2010-11-19 20:54
Quando tive oportunidade de conhecer e falar com a autora d'O Romance da Bíblia, fiquei com imensa curiosidade em descobrir a sua obra. E ainda bem que decidi ler este livro!
Trata-se de uma narrativa na qual desfilam as personagens mais conhecidas (e outras nem tanto) do Antigo Testamento, sempre descritas com traços de ironia e humor negro.
As personalidades masculinas apresentam-se-n os fatalmente humanas e manipuláveis pelas femininas que, tendo em conta as circunstâncias que lhes são oferecidas, tentam guiar o curso da história.
Esta é uma história que não tem um carácter puramente ficcional, atingindo-nos a violência, a sexualidade e a maldade por vezes descritas, levando-nos a reflectir uma vez mais sobre o papel da mulher ao longo da História.
Gostei!
 
 
#3 Helena 2010-09-11 16:03
O romance é uma reedição de outras duas obras da autora sobre lendas, parábolas e histórias do Antigo Testamento, com as suas personagens sacralizadas, mas escrutinadas do ponto de vista feminino e focando a condição da mulher. Foi esta a razão porque me interessei por ler este livro.
Assim, descobri um romance sensual, erótico, poético e muito violento, sobre uma época em que a falta de ética e moral originava um tremendo sofrimento e luta constante pela sobrevivência e integridade.
Não é possível o distanciamento, porque existe a clara noção de que não se trata de mera ficção, porque sabemos que esta obra é resultado de uma apurada pesquisa e investigação sobre o que existe documentado.
As mulheres eram propriedades, adquiridas por contrato, um bem que se dá, se troca ou se vende, segundo o interesse da família. Não eram consultadas ou ouvidas sobre os seus sentimentos e as suas vontades e o seu destino era consoante outros o designassem. Ora uma maldição, ora uma bênção, conforme a sua beleza, sagacidade, ou sorte.
Por tudo isto, penso que este livro é realmente de interesse colectivo. Absolutamente.
 
 
#2 maria afonso 2010-06-20 00:16
Um galeria de mulheres do Antigo Testamento pintadas com mestria pela autora e que nos dão um retrato diferente daquele que lemos na Bíblia. Uma Sara (mulher de Abraão) libidinosa e sedutora, a mulher de Onan cheia de malícia e ardis... para só citar 2 de tantas que a Deana nos traz com outras cores. Gostei muito. Um livro que se lê muito bem, mas que denota um profundo conhecimento da Bíblia e uma exaustiva investigação em textos da época, com a citação de vários poemas encontrados em livros antiquíssimos e de que gostei muito.
Recomendadíssimo!
 
 
#1 Sebastião Barata 2010-06-07 23:32
Da mesma autora de D. Sebastião e o Vidente e O Espião de D. João II, para citar só as suas obras mais conhecidas, este O Romance da Bíblia é um livro saboroso, escrito numa linguagem plena de ironia. Deana Barroqueiro desmistifica muitas das histórias contadas no Antigo Testamento que, de místico e de intervenção divina nada têm. Na verdade, segundo a versão da autora, foram obra de mulheres que, usando a sua beleza e sagacidade, enganavam os todo-poderosos homens, aproveitando-se da sua ganância, dos seus descontrolados apetites sexuais, das lendas e tabus que tornavam previsíveis as suas acções e reacções.
Diz Maria Teresa Horta no prefácio que a Bíblia nos apresenta um “Velho Testamento moralista, repleto de anciãos preguiçosos, libidinosos e lascivos, de brutamentes ignorantes e violadores, convocados por um Deus irado frente à própria incompetência e à própria imagem, segundo a qual teria criado o homem, de quem afinal não gosta e castiga.” É contra esta visão que a autora se insurge, trazendo para a ribalta um lote de mulheres que, ao longo da história do povo judeu, estiveram longe de ser as esposas fiéis, as concubinas dóceis e as escravas submissas.
Através de uma escrita fluente e agradável de seguir, com frequente recurso ao erotismo, Deana Barroqueiro conta uma série de histórias centradas nas mulheres que as protagonizaram, quase sempre como vencedoras, mas também, por vezes, como vítimas, nem sempre correctas e moralistas, mas também, por vezes, falsas e vingativas.
Deana Barroqueiro escreve muito bem, utilizando uma linguagem perfeita e agradável de seguir. Utiliza o erotismo de uma maneira elevada, nunca descambando para formas menos dignas.
A título de exemplo, cito a passagem em que Jacob, enganado pelo sogro, Labão, está na cama com Lia julgando estar com Raquel, na sua noite de núpcias: “Jacob sentia contra o seu peito os duros seios de Raquel que se alteavam e baixavam a um ritmo cada vez mais rápido. Sem se poder conter, tombou-a no leito e as suas mãos impacientes procuraram o caminho do seu desejo, afastando os panos e buscando no corpo da mulher a satisfação da sua própria carne torturada.”
Sublime!
 

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