O Samurai Negro

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Autor: João Paulo Oliveira e Costa
Trilogia: O Samurai Negro (Vol. 1)
Edição: Mai/2016
Páginas: 472
ISBN: 9789896443962
Editora: Temas e Debates

 

 


Esta é a história de Carlos, um príncipe do Congo, de Pedro, um luso-brasileiro, e de Ana, uma japonesa. Os dois amigos encontram no Japão do século XVI uma civilização diferente, literalmente às avessas, mas que os atrai, especialmente por causa de Ana. Por Nagasáqui correm negócios de todo o mundo, e os jesuítas espalham a religião cristã, sob o olhar apreensivo de Roma, que envia Giuseppe, para decidir o destino do cristianismo no Japão. Piratas cruéis, mercadores gananciosos, mulheres enigmáticas, samurais disciplinados, missionários e espiões, grandes generais e poderosos senhores feudais cruzam-se com crentes de todas as religiões.

Vivem-se paixões intensas, ambições e ciúmes, e desejos de vingança numa história que pressente o novo mundo global, que neste caso liga Roma, Lisboa, Pernambuco, o Congo, Goa e Cochim, o Sul da China e todo o Japão.
Com O Samurai Negro, o autor dá início a uma trilogia de romances históricos com o mesmo nome que terá Xogum e Chamas de Nagasáqui como volumes seguintes.

Nota: Este livro é editado em simultâneo no Círculo de Leitores, com capa dura.

Deste autor no Segredo dos Livros:
O Cavaleiro de Olivença
Henrique, O Infante

Autor:

João Paulo Oliveira e Costa nasceu em Lisboa a 1 de abril de 1962. É professor catedrático de História da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa desde 2009. É diretor do Centro de História d'Aquém e d'Além-Mar (CHAM) e tem uma vasta obra historiográfica em que se destacam as obras O Japão e o Cristianismo no Século XVI. Ensaios de História Luso-Nipónica (1999), D. Manuel I, um Príncipe do Renascimento (2005), Henrique, o Infante (2009), Mare Nostrum - Em Busca de Honra e Riqueza (2013) e História da Expansão e do Império Português (coordenador e coautor, 2014). Foi presidente da Associação de Amizade Portugal-Japão (2000-2005), tendo sido recentemente condecorado pelo Imperador do Japão com a Ordem do Sol Nascente. É autor dos romances O Império dos Pardais (2008), O Fio do Tempo (2010), O Cavaleiro de Olivença (2012), O Samurai Negro (2016) e Xogum – O Senhor do Japão (2018).

Comentários  

 
#1 Sebastião Barata 2016-06-18 17:14
Este é o primeiro volume de uma trilogia de romances históricos, sobre a presença de Portugal no Japão nos finais do século XVI. Abrange a década de 1578 a 1587. Aqui encontramos missionários jesuítas a iniciar os "japões" na fé de Jesus Cristo; aventureiros em busca de prestígio e fortuna; portugueses de todas as cores e ascendências. Do outro lado, temos os japoneses com as suas tradições completamente diferentes das ocidentais. Encontramos aqueles que aceitam a nossa religião; aqueles que aproveitam o prestígio dos missionários e a força bélica dos portugueses, como forma de se autopromoverem e conseguirem derrotar os seus adversários. Há os portugueses que se apaixonam por mulheres locais e ali geram filhos; por outro lado, há também os que abusam das mulheres locais. Há quem se adapte aos costumes locais e queira ficar; há quem veja semelhanças entre o cristianismo e as religiões locais e consiga uma compatibilizaçã o das duas crenças. Os próprios missionários adaptam a construção dos templos e os atos litúrgicos à prática das religiões locais, o que alguns consideram heresia e afastamento dos dogmas da Santa Igreja de Roma. No meio desta amálgama, o porto de Nagasáqui vai-se afirmando como um importante entreposto para o comércio com o Oriente.

Há uma personagem que já tem bastante importância neste volume, mas aparenta vir a tornar-se fulcral nos próximos. Trata-se de um príncipe do Congo que, depois de viver em Lisboa e absorver a nossa cultura, o destino vai empurrar para o Japão, na companhia de um filho de pai português e mãe indígena do Brasil. Aprende as artes tradicionais japonesas e vai tornar-se um samurai de cor negra, pelo seu valor na guerra e a sua ligação aos chefes locais. Mal recebido pela maioria dos samurais, devido à sua cor e falta de tradição familiar, vai, no entanto, impor-se a será, ao que creio, uma peça fulcral para a evolução dos acontecimentos próximos futuros. Daí o nome da trilogia "O Samurai Negro".

O autor escreveu uma obra muito fiel à história que, à exceção do que Fernão Mendes Pinto narra na sua Peregrinação, é pouco conhecida pelo cidadão comum em Portugal. Nota-se a sua preocupação nesse sentido. Na sua nota final, informa que esta obra é fruto de cerca de vinte anos de investigação sobre a presença portuguesa no Japão.

Há dois pormenores que me intrigaram um pouco e me interrogo sobre os motivos que levaram o autor a fazê-lo. Um é a falta de artigo antes dos pronomes pessoais - é assim que se usa no Brasil, mas não em Portugal. Um exemplo, ao acaso: "Seu corpo cruzara-se com centenas de mulheres" (pág. 237). O outro pormenor é a relação entre Giuseppe (o espião enviado de Roma a fiscalizar a atividade dos missionários no Japão) e Flávia, que vai ser esclarecida lá mais para o final do livro.

A multiplicidade de nomes de pessoas e locais em japonês dificulta um pouco a leitura e exige um pouco mais de concentração na leitura. Mas acaba por ser uma leitura agradável, porque os acontecimentos sucedem-se a elevado ritmo e mantêm o leitor sempre interessado. Ficamos a aguardar o próximo volume.
 

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