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| O Sentido do Fim |
| Quarta, 16 Novembro 2011 19:06 | |||
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Autor: Julian Barnes Tony Webster e a sua clique só conheceram Adrian Finn no fim do liceu. Famintos de livros e de sexo, e sem namoradas, viviam esses dias em conjunto, trocando afetações, piadas privativas, rumores e mordacidades de todo o género. Talvez Adrian fosse mais sério do que os outros, e seria certamente mais inteligente. Mesmo assim, juraram que ficariam amigos para o resto da vida. Tony está agora reformado. Teve uma carreira, um casamento e um divórcio amigável. E nunca fez nada para magoar ninguém – ou pelo menos acredita nisso. Deste autor no Segredo dos Livros: Autor:
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| Actualizado em Segunda, 12 Dezembro 2011 23:13 |
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Tony, o personagem principal e narrador, falando-nos na primeira pessoa, resume e analisa a sua vida, desde os tempos da escola até ao presente, contando-nos os seus pensamentos mais íntimos e as suas escolhas, mostrando-nos com isso os seus defeitos e qualidades. A sua ironia faz-nos sorrir, as suas análises fazem-nos pensar.
Não foi à toa que ganhou o Man Booker Prize 2011! Recomendo!
Na primeira parte, uma história comum, escrita de um modo simples mas irrepreensível, sobre as vivências de quatro jovens nos anos sessenta, narrada pelo personagem principal - Tom Webster.
Na segunda parte, a história ganha impulso com um episódio inesperado e a leitura torna-se absorvente e imparável. A acção passa-se 40 anos depois, quando ressentimentos, dúvidas, incertezas, em suma, sentimentos recalcados e emoções mal resolvidas são revistas sob uma perspectiva diferente.
"Quantas vezes contamos a história da nossa vida? Quantas vezes adaptamos, embelezamos, fazemos cortes matreiros? E, quanto mais a vida avança, menos são os que à nossa volta desafiam o nosso relato, para nos lembrar que a nossa vida não é a nossa vida, é só a história que contamos sobre a nossa vida. Que contámos aos outros mas - principalmente - a nós próprios."
O início do livro invoca recordações. Embora haja algum desconhecimento inicial e mesmo alguma confusão sobre as mesmas, o texto vai-nos despertando crescente curiosidade e, a certo ponto, descobrimos que se trata de uma história de adolescentes. Como se de um livro de memórias se tratasse.
E é assim que, na segunda parte, nos deparamos com a essência do livro. Deparamo-nos com o protagonista, ainda há pouco jovem, no fim da vida. Velho, divorciado e distanciado da filha, dedicando-se a coisas insignificantes . Aqui descobrimos que a forma como se vê e sente a vida são diferentes. Para isso contribui o regresso de um elemento do passado e que faz com que Tony, o protagonista, tenha que recuar nas suas memórias para rever o que fez, quem foi e o que sentiu.
O fim terá um sentido? Não, mas sente-se esse fim, triste e doloroso, quando se olha para o passado e se faz de forma diferente da que se viveu. Recordar pode ser, também, transformar. E transtornar. O que aconteceu e não se conhecia continua a mudar o presente e talvez aqui esteja a grande lição e reflexão que este livro genial nos oferece.
O Sentido do Fim tem somente 152 páginas. Mas tudo nele é tão rico que se sai delas com muito mais do que o tamanho faria supor. Percorrer um período que vai desde a adolescência até à velhice, em tão pouco espaço e de uma forma tão eficaz, não é para qualquer um. Julian Barnes é exímio na forma como organiza a narrativa e faz deste livro uma pérola.
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