O Sentido do Fim

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Autor: Julian Barnes
Edição: Nov/2011
Páginas: 160
ISBN: 9789725649893
Editora: Quetzal

 

 

Tony Webster e a sua clique só conheceram Adrian Finn no fim do liceu. Famintos de livros e de sexo, e sem namoradas, viviam esses dias em conjunto, trocando afetações, piadas privativas, rumores e mordacidades de todo o género. Talvez Adrian fosse mais sério do que os outros, e seria certamente mais inteligente. Mesmo assim, juraram que ficariam amigos para o resto da vida. Tony está agora reformado. Teve uma carreira, um casamento e um divórcio amigável. E nunca fez nada para magoar ninguém – ou pelo menos acredita nisso.

Mas a chegada da carta de uma solicitadora desencadeia uma série de surpresas, acontecimentos inesperados que lhe vão mostrar que a memória é afinal uma coisa altamente imperfeita.
Com marcas da literatura inglesa clássica – na apreciação do júri que o distinguiu com o Man Booker Prize 2011 –, O Sentido do Fim constrói, com grande delicadeza e precisão, uma trama tensa, forte, e revela a mestria de um dos maiores escritores dos nossos tempos.

 Deste autor no Segredo dos Livros:
Nada a Temer

Autor:

Julian Barnes nasceu em Leicester em 1946, mas foi viver para Londres no mesmo ano. Estudou em Londres e em Oxford — e, antes de se dedicar exclusivamente à escrita, foi lexicógrafo (no Dicionário Oxford), editor e crítico de cinema. É autor de 20 livros e foi agraciado, em 2011, com o Man Booker Prize pelo seu romance O Sentido do Fim. Foi o único escritor galardoado com o Prémio Médicis e o Prémio Femina pelo mesmo livro, O Papagaio de Flaubert. Foi ainda distinguido com o Prémio do Estado da Áustria para escritores estrangeiros e com o David Cohen Prize. Barnes é também autor de vários romances policiais, assinados por Dan Kavanagh. A sua obra está traduzida em trinta idiomas.
Foi casado com Pat Kavanagh desde 1979 até à morte desta em 2008 com um tumor cerebral. No seu mais recente livro Os Níveis da Vida, Julian Barnes fala da dor imensa que é viver sem a sua companheira de 30 anos e revela que pensou em suicidar-se.
Pat Kavanagh nasceu na África do Sul e mudou-se para Londres em 1964. Trabalhou em publicidade e, depois, durante 40 anos, foi agente literária.

Comentários  

 
#5 Vanessa Montês 2012-07-12 20:16
Primeiros pensamentos ao ver este livro: capa chamativa, livro vencedor do Man Booker Prize, livro pequeno (andava numa fase em que queria ler livros mais pequeninos). Resultado, arranjei o livro e, quando o peguei, apenas parei quando o terminei.

Este é um livro de memórias, mas memórias vistas de um ponto de vista já mais adulto e maduro. Tony foi um rapaz normal. Pensava em raparigas, aventuras, nos amigos, nas férias ao alcance de uma mão e na diversão. Agora, em adulto, pensa na sua vida nessa altura. Nos erros que cometeu e que nunca se apercebeu de que magoavam alguém. Nas aventuras que descobriu que o faziam sentir-se importante e poderoso e que agora, sendo mais velho, o fazem sorrir e, ao mesmo tempo, ficar admirado com a sua própria idiotice.

Webster vê agora a sua vida pelos olhos de adulto. Vê o sucesso prometido e alcançado e, mais tarde, a descensão do pódio. Vê a vida com a sua ex-mulher, a filha, os professores, os colegas e amigos. Faz o balanço da sua vida e conta-a de uma forma irónica e satírica.

É um livro que, provavelmente, podia ter sido ainda mais explorado, mas talvez seja isso que o torna tão "especial". O facto de não ser tão exaustivamente explorado faz o leitor pensar mais nas suas próprias conclusões, no que dali poderia provir, o que fez o protagonista agir assim.

Um pequeno grande livro!
 
 
#4 Clarinda Cortes 2012-07-08 13:38
O livro é composto por duas partes. A primeira dá-nos a conhecer a época de juventude da personagem principal, Tony, e dos seus três amigos, a par de uma história de amor muito complicada. Os pensamentos e os acontecimentos relatados são a base para a segunda parte do livro, na qual Barnes nos demonstra como as nossas ações nos acompanham para toda a vida, demonstra como as nossas memórias podem estar erradas, porque, por vezes, partem de pressupostos falsos e de premissas incompletas.
Ao longo da narrativa, o autor, em jeito de balanço, faz ligações passado/present e, aprofunda sentimentos e recordações e reflete sobre as suas vivências, como se de uma conversa se tratasse.
Barnes apresenta-nos uma escrita fluída e simples, mas sublime e profunda na demonstração dos sentimentos e emoções. É um romance que fala da vida na sua plenitude, com erros, fantasia, alegrias, e fala de como os grandes e pequenos momentos nos afetam, como podem fazer a diferença, como são ou não importantes na nossa tomada de decisão e como implicam ou não no nosso caminhar e na nossa aceitação da vida, como um pequeno espaço entre o nascimento e a morte. Leva-nos a refletir sobre esse espaço, sobre o que já fizemos e podemos fazer para chegar ao fim de uma forma harmoniosa, não esquecendo porém que tudo o que fazemos, todas as decisões que tomamos, todos os caminhos que escolhemos têm implicações no nosso caminhar e no caminhar de quem nos acompanha e de quem connosco se cruza.
Gostei muito deste livro e desta reflexão, pareceu-me, no entanto, que muito mais haveria a dizer. Soube-me a pouco!
 
 
+1 #3 Cristina Delgado 2012-02-09 03:49
Este é um livro que precisava ser lido duas vezes para que tudo o que lemos fique retido na nossa memória. Não é de leitura difícil, não senhor, mas tem partes tão profundas, tão intensas e verdadeiras que seria útil uma segunda leitura. As suas poucas páginas não fazem imaginar o quanto as suas frases penetram em nós.

Tony, o personagem principal e narrador, falando-nos na primeira pessoa, resume e analisa a sua vida, desde os tempos da escola até ao presente, contando-nos os seus pensamentos mais íntimos e as suas escolhas, mostrando-nos com isso os seus defeitos e qualidades. A sua ironia faz-nos sorrir, as suas análises fazem-nos pensar.

Não foi à toa que ganhou o Man Booker Prize 2011! Recomendo!
 
 
#2 Helena 2012-01-15 21:01
Este livro atraiu-me desde o momento em que o vi. Vencedor do Man Brooker Prize 2011, tornava-o promissor. Mas, mais do que isso, era a convicção de que iria gostar muitíssimo de o ler.

Na primeira parte, uma história comum, escrita de um modo simples mas irrepreensível, sobre as vivências de quatro jovens nos anos sessenta, narrada pelo personagem principal - Tom Webster.

Na segunda parte, a história ganha impulso com um episódio inesperado e a leitura torna-se absorvente e imparável. A acção passa-se 40 anos depois, quando ressentimentos, dúvidas, incertezas, em suma, sentimentos recalcados e emoções mal resolvidas são revistas sob uma perspectiva diferente.

"Quantas vezes contamos a história da nossa vida? Quantas vezes adaptamos, embelezamos, fazemos cortes matreiros? E, quanto mais a vida avança, menos são os que à nossa volta desafiam o nosso relato, para nos lembrar que a nossa vida não é a nossa vida, é só a história que contamos sobre a nossa vida. Que contámos aos outros mas - principalmente - a nós próprios."
 
 
+3 #1 Sónia 2011-12-30 17:58
Este livro despertou-me a atenção, quer por já ter lido obras do autor de que gostei bastante, como por ter ganho o Man Booker Prize deste ano.

O início do livro invoca recordações. Embora haja algum desconhecimento inicial e mesmo alguma confusão sobre as mesmas, o texto vai-nos despertando crescente curiosidade e, a certo ponto, descobrimos que se trata de uma história de adolescentes. Como se de um livro de memórias se tratasse.

E é assim que, na segunda parte, nos deparamos com a essência do livro. Deparamo-nos com o protagonista, ainda há pouco jovem, no fim da vida. Velho, divorciado e distanciado da filha, dedicando-se a coisas insignificantes . Aqui descobrimos que a forma como se vê e sente a vida são diferentes. Para isso contribui o regresso de um elemento do passado e que faz com que Tony, o protagonista, tenha que recuar nas suas memórias para rever o que fez, quem foi e o que sentiu.

O fim terá um sentido? Não, mas sente-se esse fim, triste e doloroso, quando se olha para o passado e se faz de forma diferente da que se viveu. Recordar pode ser, também, transformar. E transtornar. O que aconteceu e não se conhecia continua a mudar o presente e talvez aqui esteja a grande lição e reflexão que este livro genial nos oferece.

O Sentido do Fim tem somente 152 páginas. Mas tudo nele é tão rico que se sai delas com muito mais do que o tamanho faria supor. Percorrer um período que vai desde a adolescência até à velhice, em tão pouco espaço e de uma forma tão eficaz, não é para qualquer um. Julian Barnes é exímio na forma como organiza a narrativa e faz deste livro uma pérola.
 

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"Acredito que, assim como na nossa vida se vão sucedendo acontecimentos de todo o tipo, também na literatura se sucedem esses acontecimentos, que são expressão do que sentimos e pensamos: a criação é a forma que temos de colocar cá fora as nossas esperanças, as nossas certezas, dúvidas, as nossas ideias."
José Saramago in A Estátua e a Pedra