O teu relâmpago na minha paz

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Autor: Luís Miguel Raposo
Edição: Mar/2012
Páginas: 226
ISBN: 9789898455321
Editora: Alfarroba

 

 


joão pedro gosta de todas as coisas arrumadas nas suas gavetas. de certo modo, o seu mundo é uma estante, com tudo organizado e composto, sempre à mão e identificável. como quando vamos ao supermercado e seleccionamos as compras de entre o sortido disponível e depois as arrumamos eficientemente nos lugares respectivos para quando são necessárias. diversas prateleiras onde joão pedro arruma o seu trabalho, os seus amigos, o seu relacionamento com a vera, onde se arruma a si próprio de acordo com o que recebeu dos pais. 

há uma certa paz na selecção de coisas que fez para limitar o mundo ao seu interesse nele, transformado-o na sua realidade, o encurtamento de uma realidade maior, onde se sente confortável e em segurança. amarrado às memórias antigas do pai, agora tão distante do homem que foi como do próprio filho, desde que a mulher morreu, joão pedro não encontra formas de reacender a relação com o pai, finalmente afastado de tudo e também do que dele próprio reside na memória de joão pedro. director de uma agência bancária, conhece um dia carla, a quem o banco recusara crédito para a compra de casa. nesse dia, joão pedro, decide, contra as regras vigentes, aprovar o crédito a carla, carla que veio a ser o arauto do seu destino renovado e o gatilho de todas as mudanças que veio a enfrentar. à medida que vai conhecendo carla, joão pedro toma conhecimento de uma realidade que não existia dentro dos muros que ergueu para limitar a sua própria realidade. a sua relação com a vera começa a definhar, a distância para o seu pai a aumentar, acendendo-se as divergências com os seus amigos e o seu trabalho. joão pedro vai conhecer o mundo de carla, um mundo que anteriormente não existia para ele, um mundo alternativo, onde imperam os ambientes góticos, a música de carla, ela própria vocalista de uma banda gótica, mas também o surf que carla adora fazer, as coisas e as estranhas pessoas que existem no mundo de carla e vai-se apaixonando por tudo isso, mesmo se nem sempre isento de percalços. no espaço de três semanas, nas quais todas as peripécias da sua vida adulta aconteceram, joão pedro destrói todas as suas percepções intelectuais para poder edificá-las de novo de acordo com o seu renovado interesse. mas, no caminho, vai tomando consciência que nunca poderá ter carla, nem recuperar o que perdeu para estar com carla, carla que é uma arma carregada que joão pedro disparou a si mesmo.

Deste autor no Segredo dos Livros:
marés de inverno
quando morreres vou amar-te

Leia também a entrevista de Luís Miguel Raposo ao Segredo dos Livros.

Autor:

Luís Miguel Raposo nasceu em Almada, a 6 de Novembro de 1971. Aos 15 anos começou a fazer surf na Costa de Caparica. Concluiu em Lisboa uma licenciatura em Organização e Gestão de Empresas no ano de 1994. Actualmente trabalha como consultor de gestão e formador. “Marés de Inverno” é o seu primeiro romance, publicado pela Bertrand sob a chancela O Quinto Selo, tendo já planeado uma sequela. Está a escrever o segundo romance para concluir no Outono de 2009.
Continua a surfar com regularidade, sobretudo em Peniche. A praia do Molhe Leste é nestes dias a sua praia de eleição.

Comentários  

 
#2 Célia Loureiro 2012-07-05 08:43
Saliento que a escrita é inovadora e pode resultar numa experiência enriquecedora. Descobri trechos de grande beleza lógica - e despretensiosa - por entre as suas páginas. Gostava de esclarecer que o motivo pelo qual lhe atribuo um 3.5 sólido, e não consigo dar-lhe mais, se prende com os meus gostos pessoais na escrita. O livro é narrado pela voz de um homem, o que já me distancia um pouco da leitura. Os mundos ali retratos - optimamente retratados - relacionados com o surf ou um mundo um pouco mais dark, onde o próprio covil de Almada surge como cenário, também não se adequam aos meus gostos pessoais. Houve momentos muito humanos e muito interessantes ao longo desta leitura, mas não me prendeu a cem por cento.
 
 
+3 #1 Fátima Rodrigues 2012-04-24 16:43
Tenho lido todos os livros que o Luís Miguel tem escrito e posso dizer que este é uma mistura dos estilos de escrita dos dois anteriores, com algumas alterações. Nele, encontramos novamente uma escrita diferente que torna a leitura mais desafiante. Neste livro, mistura-se prosa com poesia, mas não é bem poesia, é quase prosa composta sob a forma de poesia.
Ao longo deste livro, escrito na primeira pessoa, encontramos João Pedro, de 38 anos, que nos fala intensa e repetidamente de Carla, deixando-nos a sensação de que não há ali amor, mas sim obsessão, uma doença em que pouco mais existe para ele do que ela e o que gira em torno dela. Encontramos igualmente um coração aberto face aos seus pais e ao seu meio envolvente, num registo muito sentimental e sem rodeios, no qual nada se mascara e que, ao localizar-se na zona de Almada, onde podemos imaginar a acção, quase nos leva a confundir a história com uma hipotética realidade.
Entre ondas, música pesada e uma confissão do coração, surge-nos este "o teu relâmpago na minha paz".
 

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