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| O Toque da Morte |
| Sexta, 30 Julho 2010 14:54 | |||
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À medida que Fry segue um trilho complexo para desvendar os interesses duvidosos da vítima, Cooper apercebe-se de que a explicação do caso pode estar enterrada no passado.
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| Actualizado em Sexta, 22 Outubro 2010 17:32 |
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Comentários
E a história não é apenas sobre um homicídio, é também sobre valores, sobre animais e pessoas, sobre dedicação ao trabalho e ao que gostamos de fazer.
Senti uma grande proximidade em relação a algumas personagens e consegui viver um pouco das suas dúvidas e certezas, porque o autor soube como fazê-lo.
"Ut umbra sic vita. «Tal como a sombra passa, o mesmo acontece com a vida.»"
Neste policial, encontramos dois detectives diferentes do habitual, já que, por norma, é sempre um homem que se destaca, como o forte e corajoso que comanda todas as operações, mas aqui temos uma Diane Fry transferida para Derbyshire (onde se passa a acção), devido a uma situação que ocorreu num passado ainda recente na sua memória, e que fica responsável por uma equipa que inclui Ben Cooper, um filho de polícia que sempre viveu no campo e que espera por uma promoção. E a diferença que existe, é que Fry é uma mulher habituada a viver sozinha e acha que nunca irá precisar de ninguém, porque é forte o suficiente para ultrapassar qualquer obstáculo, enquanto Cooper é um homem de família, companheiro e sensível ao que o rodeia.
E tudo começa com a morte de Patrick Rawson num local ermo, onde só existem ovelhas e caçadores de raposas, as únicas testemunhas e os possíveis culpados do homicídio.
Pelo meio, o autor dá-nos algumas páginas de um diário que remete para o ano de 1968, década em que o Mundo se alterou de alguma forma, pois vivia-se na iminência da 3ª Guerra Mundial e as bombas nucleares ameaçavam sentir-se a qualquer momento. Percebe-se, no final, que isso irá ter influência em mais uma morte, neste caso de Michael Clay.
"É estranho como os problemas parecem acumular-se na vida à medida que se envelhece."
Na procura por um culpado, Fry e Cooper mostram-nos as tradições da caça à raposa e, consequentement e, as lutas travadas pelos defensores dos direitos dos animais, que também se manifestam contra o abate de cavalos para consumo humano, negócio em que a vítima Patrick Rawson estava envolvida. Levantam-se questões, como burlas e falsificação de documentos, roubo de cavalos para abate e outras situações pouco legais.
"Apesar de as montarias estarem frequentemente associadas a privilégios de classe e hierarquias sociais, havia uma violência indefinida no âmago do desporto que o transformava numa espécie de ritual sangrento."
Percebe-se, por fim, que a ambição, a desconfiança e a vingança podem transformar qualquer pessoa e levá-la a cometer aquilo que achamos nunca sermos capazes de cometer: um homicídio.
Sinceramente, sei que não é fácil aceitar as motivações da caça, seja ela a que tipo de animal for, nem com a descrição do abate de animais, mesmo que isso seja uma necessidade para nós, e nem com a escolha de um animal de companhia num refúgio, porque o apelo de um animal abandonado é tão intenso e perturbador, que me choca a frieza com que a maioria das pessoas lida com isso.
"Todos eles eram animais que tinham sido abandonados e, de alguma forma, maltratados. Todos eles mereciam um bom lar."
E acho que esta história só nos consegue tocar, se tivermos alguma noção e sensibilidade em relação a estes assuntos, de outra forma, não será a melhor escolha, porque é preciso, acima de tudo, sentir antes de perceber.
“O que se desconhece não faz sofrer.”
Diane Fry e Ben Cooper, os dois detectives, entram em acção quando é descoberto o cadáver de Patrick Rawson com o crânio esmagado por uma ferradura de cavalo. Durante a investigação, estes descobrem que Patrick Rawson era um mercador ilegal e falso, que comercializava os cavalos para venda da sua carne ilegalmente, sem ter vistos de autorização para o abate e transformação da sua carne em alimento. Mas estes não olham a meios para o caso de correrem o risco de levar à propagação de uma doença ou infecção para os humanos, colocando assim em causa a vida do Homem. Percorrem sítios de chacina de animais, apresentando o poder de maldade que o ser humano tem, em ser desmedido na sua ambição. É também aqui no livro focada a caça à raposa, visto estarmos em Inglaterra, e ainda abordado o tempo da guerra, do medo das armas nucleares e da eminente 3ª Guerra Mundial.
O autor apresenta-se com descrições violentas e severas. Contudo é um livro de fácil leitura e que será apreciado pelos leitores do género.
De início, não me consegui embrenhar logo no livro, porque muitas personagens me confundiram e também por causa do excerto de um diário de 1968, altura da guerra fria, que me deixou à nora. É claro que este e outros excertos do diário que vamos lendo amiúde, se acabaram por enquadrar na história. O facto de este livro fazer parte de uma série protagonizada pelos detectives também não ajudou, visto me ver desenquadrada da história, uma vez que Diane Fry, acabada de chegar a Derbyshire, que é onde se passa a história, teve um motivo e que foi pouco desenvolvido o que me deixou mesmo triste. Mas o que é que se passou com ela, para todos lhe andarem constantemente a perguntar: Estás bem?
Em relação ao tema, é muito polémico, porque fala da caça à raposa e dos defensores dos animais. Do roubo de cavalos para mandar para o matadouro, a fim do comércio de carne ilegal.
Gostei da química dos protagonistas, uma vez que Fry detesta o campo e Cooper sempre lá viveu e está mais do que habituado. Cooper tem também uma paixão por gatos que comove.
Aconselho a ler este livro na ordem certa da série.
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