O Trompete de Miles Davis

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Autor: Francisco Duarte Azevedo
Edição: Mar/2011
Páginas: 304
Editora: Planeta

O trompete verde de Miles Davis, em exposição na biblioteca da universidade de Rutgers, em Newark, é roubado, sem se perceber exactamente como foi possível.
Um detective português emigrado nos EUA, que trabalha por conta própria em pequenos casos de infidelidade, traições e divórcios é colocado na pista do trompete pelo seu amigo, o reitor da universidade, mas não se sente nada à vontade fora da sua rotina.

Grande amante de jazz, resquícios de uma mulher americana com quem viveu e lhe incutiu essa paixão, e também grande amante de livros e livrarias: vai recorrentemente à Barnes & Noble para pensar no caso e acalmar a olhar para as lombadas. Na agência, tem dois assistentes a trabalhar consigo: uma mulher/secretária e um ajudante/fotógrafo que deixa bastante a dever à inteligência.
Durante a investigação, este detective português (que desmaia quando vê cadáveres) vai-nos conduzindo pelos pontos de encontro da comunidade portuguesa de Newark e seus habitantes. Guia-nos também pela realidade social de Newark e de Nova Iorque, como por um território de guerra declarada entre os gangues que dominam a cidade e a própria polícia e forças políticas das cidades, os problemas e dramas dos emigrantes ilegais à mercê destas máfias. Estão também retratadas a beleza e a podridão da Grande Maçã e das cidades satélites do outro lado do rio Hudson, onde se desenha uma geografia concreta da emigração e da comunidade portuguesa em particular. Tudo isto imerso em jazz.

 

Autor:
Francisco Duarte Azevedo nasceu em Moçambique.
É diplomata de carreira, tendo cumprido missões em África e nas Américas.
Tem colaboração dispersa na “Página Jovem” do Notícias da Beira (Moçambique), na revista Vértice, nos Cadernos de Literatura da Universidade de Coimbra, nas revistas O Instituto e Gávea-Brown, no Jornal Luso-Americano e noutras publicações.
O Trompete de Miles Davis é o seu primeiro romance.

Comentários  

 
+2 #1 Sebastião Barata 2011-04-10 22:30
Este é um livro difícil de classificar segundo o género literário, mas fácil e agradável de ler.
É literatura policial sem dúvida, porque a trama anda à volta de um trompete roubado, com valor mais sentimental que real, mete a polícia e um investigador privado e, no final, descobre-se quem foi o ladrão, qual o móbil do crime e onde o dito objecto foi escondido.
Mas este é também um retrato da comunidade portuguesa de Newark, nos EUA, onde se centra a história, com os seus costumes, tradições, acontecimentos mais relevantes e até o drama dos repatriados, com os problemas pessoais e familiares que acarreta.
É também um retrato da história dos EUA nos últimos 3 ou 4 anos, da evolução do papel dos negros na sociedade, do empobrecimento dos brancos e consequente redução do seu poder, da maior tolerância às minorias e sua integração no tecido social; enfim, do acontecimento histórico que foi a eleição do primeiro Presidente negro. Mas também da marginalização que muitos continuam a sentir na pele, dos guetos, dos gangues, dos bairros degradados, da prepotência da polícia.

Registo com agrado a forma como este livro está escrito, numa linguagem corrente, mas não banalizada, com palavras de calão, mas não degradada, com grande correcção e sem os modernismos de pontuações inovadoras.
Acresce dizer que não detectei gralhas, erros de pontuação ou de sintaxe, enfim problemas de revisão que, infelizmente, começam a fazer parte do dia a dia das nossas edições.
 

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"A melhor receita para o romance policial: o detetive não deve saber nunca mais do que o leitor."
Agatha Christie