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| O Viajante do Século |
| Segunda, 14 Junho 2010 16:33 | |||
![]() Autor: Andrés Neuman Edição: 2010 Páginas: 528 Editor: Alfaguara Portugal Um viajante enigmático. Uma cidade em forma de labirinto da qual parece impossível sair. Hans, o cidadão errante que carrega o mundo inteiro dentro da mala de viagem, está prestes a partir de Wandernburgo quando conhece um velho tocador de realejo que o impede de deixar a cidade. Este encontro mudará irreversivelmente o destino de Hans, que vai ficando pela cidade onde as ruas que mudam de sítio o levam ao encontro de Sophie. O resto é amor e literatura: um amor memorável, que agita camas e livros de igual modo; e um mundo imaginário, que condensa, em pequena escala, os conflitos da Europa moderna. Autor: Andrés Neuman, romancista, poeta e contista, nasceu em Buenos Aires em 1977. Filho de músicos emigrados, partiu ainda jovem para Granada, em cuja universidade estudou e foi professor de literatura hispano-americana. Considerado um dos autores mais prometedores dos últimos anos, publicou aos 22 anos o seu primeiro romance, "Bariloche". O seu novo romance O Viajante do Século foi galardoado com o Prémio Alfaguara Romance 2009, entre mais de 523 manuscritos provenientes de Espanha e da América Latina.
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| Actualizado em Quarta, 08 Setembro 2010 15:54 |
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| Re:Compras - 2012 Júlia 8.2.2012 17:13 |
| Julia Quinn Júlia 8.2.2012 16:00 |
| Re:vendo/troco (brandybell) Júlia 8.2.2012 15:41 |
| Re:7 de Fevereiro Júlia 8.2.2012 15:36 |
| Re:Coleção Triângulo Jota toiota 8.2.2012 14:40 |
Comentários
“O problema, opinou o professor Mietter, é que se imprimem demasiados livros. Hoje, qualquer um se acha capaz de escrever um romance. Uma pessoa, que já vai para velha […] ainda se lembra da época em que conseguir um livro era uma aventura, que não a desses cavaleiros medievais!, a aventura era ter um livro entre as mãos. Valorizávamos então cada exemplar e exigíamos-lhe que nos ensinasse algo importante, algo definitivo. Hoje as pessoas preferem comprar um livro a compreendê-lo, como se comprando livros nos apropriássemos do seu conteúdo" (pág. 170).
Sendo a personagem principal tradutor, não são de estranhar as diversas referências aos livros:
“[…] vemo-los empilhados numa biblioteca e gostaríamos de abri-los a todos, saber ao menos como soam. Pensamos que poderemos estar a perder algo de importante, vemo-los e intrigam-nos, tentam-nos, falam-nos de quão pequena é a nossa vida e de como poderia ser imensa” (pág. 119).
Neste livro há um pouco de tudo: a magia literária sul-americana, se atentarmos à cidade que muda as suas referências – a esquina por onde ontem passámos, hoje já está do outro lado, a cidade labiríntica de onde não é fácil sair, o mistério, o policial. Tem ainda uma capa lindíssima com um velho tocador de realejo a posar com o seu instrumento num enquadramento de uma cidade tipicamente alemã. O tocador de realejo é mesmo um dos personagens fortes da história. É o filósofo que vive numa caverna, em contraponto aos burgueses que discutem filosofia em conversas de salão. Não tem outro nome senão “o velho tocador de realejo” mas o cão que o acompanha sempre, que dorme com ele e com quem conversa, chama-se Franz.
A música é a sua vida:
“Vou-te contar um segredo, disse o velho: quando o realejo toca e a tampa está fechada, imagino sempre que o alvoroço não vem das teclas, mas das personagens das canções. Imagino que essas personagens cantam, riem-se, choram, que correm entre as cordas de um lado para o outro. E assim toco melhor. Pois digo-te, Hans, que há vida lá dentro. Quando fechas a tampa, há vida lá dentro. É quase um coração. E, quando fico em silêncio, lembro-me tão bem do som do realejo que às vezes demoro a dar-me conta se estou a tocar ou não. A música já está aqui, na minha cabeça, e não há nada a fazer. No fundo, tocar não é importante, sabes?, o importante é ouvir. Se ouvires, há sempre música. Todos trazemos música. Até os que passam pela praça e nem sequer olham para mim, também esses a trazem. O som dos instrumentos serve para isso, para a recordar” (pág. 153).
Mas há mais. Literatura, muita literatura. E aprendemos a ler. E discutimos com as personagens. Literatura ou filosofia. E religião. Atrevemo-nos a discutir - o amor.
“As paixões perdem-nos, sabe porquê?, porque lhes damos tudo o que temos, o que demorámos meia vida a conquistar, por uma recompensa que dura muito pouco. Mas depois dessa paixão há que continuar a viver […] aconteça o que acontecer! No fim, a única coisa que temos é aquilo que, por vezes, recusamos: a família, os amigos, os vizinhos. Não há outra coisa que dure” (pág. 457).
É um livro a regressar algumas vezes, pelo menos a algumas das suas páginas. No seu todo, no entanto, não me convenceu totalmente.
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