Segredo dos Livros - Sugestões e Críticas Literárias

 Participe neste fantástico passatempo e habilite-se a ganhar exemplares dos livros  "Eterna Saudade" e "Steve Jobs nas suas Próprias Palavras". Para mais informações clique aqui.

O Viajante do Século
Segunda, 14 Junho 2010 16:33

Autor: Andrés Neuman
Edição: 2010
Páginas: 528
Editor: Alfaguara Portugal

Um viajante enigmático. Uma cidade em forma de labirinto da qual parece impossível sair. Hans, o cidadão errante que carrega o mundo inteiro dentro da mala de viagem, está prestes a partir de Wandernburgo quando conhece um velho tocador de realejo que o impede de deixar a cidade. Este encontro mudará irreversivelmente o destino de Hans, que vai ficando pela cidade onde as ruas que mudam de sítio o levam ao encontro de Sophie.
O resto é amor e literatura: um amor memorável, que agita camas e livros de igual modo; e um mundo imaginário, que condensa, em pequena escala, os conflitos da Europa moderna.

Autor:
Andrés Neuman, romancista, poeta e contista, nasceu em Buenos Aires em 1977. Filho de músicos emigrados, partiu ainda jovem para Granada, em cuja universidade estudou e foi professor de literatura hispano-americana.
Considerado um dos autores mais prometedores dos últimos anos, publicou aos 22 anos o seu primeiro romance, "Bariloche".
O seu novo romance O Viajante do Século foi galardoado com o Prémio Alfaguara Romance 2009, entre mais de 523 manuscritos provenientes de Espanha e da América Latina.
Actualizado em Quarta, 08 Setembro 2010 15:54
 

Comentários  

 
+1 #1 maria afonso 06-09-2010 16:39
Todo o livro é uma grande história de amor, com várias personagens muito bem caracterizadas, quer física quer psicologicament e. Tem páginas absolutamente inesquecíveis, como, por exemplo, a opinião do autor, através de um dos seus personagens, acerca de ser escritor e dos livros:

“O problema, opinou o professor Mietter, é que se imprimem demasiados livros. Hoje, qualquer um se acha capaz de escrever um romance. Uma pessoa, que já vai para velha […] ainda se lembra da época em que conseguir um livro era uma aventura, que não a desses cavaleiros medievais!, a aventura era ter um livro entre as mãos. Valorizávamos então cada exemplar e exigíamos-lhe que nos ensinasse algo importante, algo definitivo. Hoje as pessoas preferem comprar um livro a compreendê-lo, como se comprando livros nos apropriássemos do seu conteúdo" (pág. 170).

Sendo a personagem principal tradutor, não são de estranhar as diversas referências aos livros:

“[…] vemo-los empilhados numa biblioteca e gostaríamos de abri-los a todos, saber ao menos como soam. Pensamos que poderemos estar a perder algo de importante, vemo-los e intrigam-nos, tentam-nos, falam-nos de quão pequena é a nossa vida e de como poderia ser imensa” (pág. 119).

Neste livro há um pouco de tudo: a magia literária sul-americana, se atentarmos à cidade que muda as suas referências – a esquina por onde ontem passámos, hoje já está do outro lado, a cidade labiríntica de onde não é fácil sair, o mistério, o policial. Tem ainda uma capa lindíssima com um velho tocador de realejo a posar com o seu instrumento num enquadramento de uma cidade tipicamente alemã. O tocador de realejo é mesmo um dos personagens fortes da história. É o filósofo que vive numa caverna, em contraponto aos burgueses que discutem filosofia em conversas de salão. Não tem outro nome senão “o velho tocador de realejo” mas o cão que o acompanha sempre, que dorme com ele e com quem conversa, chama-se Franz.
A música é a sua vida:

“Vou-te contar um segredo, disse o velho: quando o realejo toca e a tampa está fechada, imagino sempre que o alvoroço não vem das teclas, mas das personagens das canções. Imagino que essas personagens cantam, riem-se, choram, que correm entre as cordas de um lado para o outro. E assim toco melhor. Pois digo-te, Hans, que há vida lá dentro. Quando fechas a tampa, há vida lá dentro. É quase um coração. E, quando fico em silêncio, lembro-me tão bem do som do realejo que às vezes demoro a dar-me conta se estou a tocar ou não. A música já está aqui, na minha cabeça, e não há nada a fazer. No fundo, tocar não é importante, sabes?, o importante é ouvir. Se ouvires, há sempre música. Todos trazemos música. Até os que passam pela praça e nem sequer olham para mim, também esses a trazem. O som dos instrumentos serve para isso, para a recordar” (pág. 153).

Mas há mais. Literatura, muita literatura. E aprendemos a ler. E discutimos com as personagens. Literatura ou filosofia. E religião. Atrevemo-nos a discutir - o amor.

“As paixões perdem-nos, sabe porquê?, porque lhes damos tudo o que temos, o que demorámos meia vida a conquistar, por uma recompensa que dura muito pouco. Mas depois dessa paixão há que continuar a viver […] aconteça o que acontecer! No fim, a única coisa que temos é aquilo que, por vezes, recusamos: a família, os amigos, os vizinhos. Não há outra coisa que dure” (pág. 457).

É um livro a regressar algumas vezes, pelo menos a algumas das suas páginas. No seu todo, no entanto, não me convenceu totalmente.
 

Não tem permissões para submeter o seu comentário.

Joomla SEO powered by JoomSEF

Login



Não se esqueça que quando realizar o registo no site, irá receber um e-mail com um link para confirmar a sua conta. Após a activação da conta poderá iniciar sessão no site.

Newsletter

Se não está inscrito no nosso site, subscreva a nossa newsletter e receba na sua caixa de correio as novidades do site,





Siga-nos...

Agora pode seguir o Segredo dos Livros no Facebook.

Últimas Opiniões

Os Vencedores

Os nossos Passatempos têm o prestimoso contributo das Editoras que colaboram connosco.

Para ver os resultados dos passatempos mais recentes  clique aqui.

Últimas do Fórum

Re:Compras - 2012
Júlia 8.2.2012 17:13
Julia Quinn
Júlia 8.2.2012 16:00
Re:vendo/troco (brandybell)
Júlia 8.2.2012 15:41
Re:7 de Fevereiro
Júlia 8.2.2012 15:36
Re:Coleção Triângulo Jota
toiota 8.2.2012 14:40
Ler Mais...