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| Os Anagramas de Varsóvia |
| Quinta, 03 Setembro 2009 17:45 | |||
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Um romance policial arrepiante e soberbamente escrito passado no gueto judaico de Varsóvia. Narrado por um homem que por todas as razões devia estar morto e que pode estar a mentir sobre a sua identidade… No Outono de 1940, os nazis encerraram quatrocentos mil judeus numa pequena área da capital da Polónia, criando uma ilha urbana cortada do mundo exterior. Erik Cohen, um velho psiquiatra, é forçado a mudar-se para um minúsculo apartamento com a sobrinha e o seu adorado sobrinho-neto de nove anos, Adam.Num dia de frio cortante, Adam desaparece. Na manhã seguinte, o seu corpo é descoberto na vedação de arame farpado que rodeia o gueto. Uma das pernas do rapaz foi cortada e um pequeno pedaço de cordel deixado na sua boca. Por que razão terá o cadáver sido profanado? Erik luta contra a sua raiva avassaladora e o seu desespero jurando descobrir o assassino do sobrinho para vingar a sua morte. Um amigo de infância, Izzy, cuja coragem e sentido de humor impedem Erik de perder a confiança, junta-se-lhe nessa busca perigosa e desesperada. Em breve outro cadáver aparece – desta vez o de uma rapariga, a quem foi cortada uma das mãos. As provas começam a apontar para um traidor judeu que atrai crianças para a morte. Neste thriller histórico profundamente comovente e sombrio, Erik e Izzy levam o leitor até aos recantos mais proibidos de Varsóvia e aos mais heróicos recantos do coração humano.
Richard Zimler nasceu em Nova Iorque em 1956. É licenciado em Religião Comparada pela Duke University e mestre em jornalismo pela Stanford University. Vive no Porto desde 1990, onde é professor de jornalismo. Traduziu para Inglês alguns poetas portugueses contemporâneos, entre os quais Al Berto e Pedro Tamen. Em 2002 naturalizou-se português.
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| Actualizado em Terça, 13 Outubro 2009 19:27 |
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Comentários
Heniek consegue sobreviver e preservar o manuscrito das suas conversas com Cohen, a que chamou Anagramas de Varsóvia, uma vez que os nomes de todas as pessoas citadas não são os reais, mas anagramas construídos a partir das letras do seu verdadeiro nome.
Esta é mais uma obra que vem ajudar a lançar luz sobre os horrores do nazismo para com o povo judeu. Através da história de Cohen, podemos vislumbrar um pouco do que era a vida nos guetos, antros de miséria, onde foram enclausurados milhões de pessoas, a maior parte delas bem colocadas na vida e habituadas a um certo conforto. Ali tudo faltava, desde a comida ao vestuário, desde o calor de uma lareira ao petróleo para o fogão. As pessoas eram forçadas a viver amontoadas, porque todos os dias chegavam novos moradores. O contrabando campeava, a corrupção era o pão nosso de cada dia e a colaboração com o inimigo era, por vezes, a única forma de sobreviver.
É um livro bem escrito, bem localizado na época, que merece ser lido e meditado, para que as ditaduras, sejam elas quais forem, não tenham mais lugar na sociedade.
Zimler é um fantástico contador de histórias, e é por isso que tenho aproveitado para ler todos os seus livros nos últimos tempos. Não há nenhum de que não tenha gostado verdadeiramente (apesar de "Meia-Noite ou o Princípio do Mundo" e "À Procura de Sana" não me terem deixado assim muito entusiasmado), o que é bom sinal. No entanto, começa a parecer-me que as personagens principais são sempre muito iguais umas às outras, mudando apenas o ambiente e a época em que a história se desenrola. Isto já não é assim tão bom sinal, pois cada vez que leio um livro novo deste autor, o efeito-surpresa desvanece-se cada vez mais para dar lugar a um sentimento de "parece-me que já li isto nos livros anteriores". Outra coisa que também considero menos positivo nos seus livros e cuja narrativa se desenrola no século XX (além destes "Os Anagramas de Varsóvia", existe igualmente "A Sétima Porta", o meu livro preferido da saga Zarco) são as frequentes referências à cultura anglo-saxónica (tais como o nome de actores ou músicas ou filmes) que não me parecem ser de todo possíveis de serem feitas por personagens germânicas ou polacas, por mais cosmopolitas que elas sejam.
No entanto, e apesar de não considerar que este seja o melhor livro que li de Zimler, penso que é um dos seus melhores policiais históricos, não porque a história o justifique em si (é até bastante simples e a sua resolução final não é muito surpreende), mas porque está muito bem arquitectado. Assim como está a d' "O Último Cabalista de Lisboa", outro dos meus livros preferidos da saga Zarco. Isto leva-me a dizer que este é um livro que, sem dúvida alguma, vale a pena ser lido. Além de ser uma leitura recreativa, faz-nos ainda reflectir sobre a questão do Holocausto e do quão injusta pode ser a ignorância aliada ao poder.
Dou-lhe 8 estrelas (num máximo de 10).
Fico triste quando penso nas grandes obras que andam por aí e o meu tempo é tão pouco para as ler.
Este foi um livro que me absorveu todos os poucos momentos livres que tenho tido, pois com a sua história dramática mas com uma maneira de escrever sublime o autor faz com que os leitores queiram sempre saber mais e mais da missão que Erik tomou como sua. A vida dos Judeus e Nazis naquela época já está descrita em inúmeros livros e retratada em muitos filmes, mas Zimler aborda o temos mais uma vez de uma forma majestosa, introduzindo no meio de um tema tão forte uma vertente policial que faz com que a leitura não se torne tão "pesada".
Esta é uma leitura obrigatória para todos, pois não só a nível histórico, mas mais que tudo a nível Humano é uma verdadeira lição de vida.
"Tento festejar o facto de acordar todas as manhãs"
Não deixem de ler ;-)
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