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Os Dias de Saturno
Segunda, 12 Outubro 2009 23:05

Autor: Paulo Moreiras
Páginas: 208
Editor: Quidnovi

Um romance fascinante sobre o amor e a sua impossibilidade, com doses iguais de humor e dramatismo

No dia 7 de Novembro de 1699, reúnem-se no Convento de Cristo dois grandes amigos alquimistas: Domingos Rodrigues, cozinheiro do rei D. Pedro II e autor do primeiro livro de cozinha publicado em Portugal; e o médico da Casa Real João Curvo Semedo, um dos mais conceituados do seu tempo. Ambos vêm para assistir do terraço do convento a um eclipse do Sol — fenómeno misterioso que dificilmente voltarão a presenciar durante as suas vidas.
Na tarde desse mesmo dia, nas cercanias da vila de Tomar, a escuridão que se abate de repente sobre o mundo precipitará o parto de uma jovem a caminho de casa, cujo filho nasce com uma estranha marca no peito, vista imediatamente como castigo divino e maldição eterna. Mas será, curiosamente, esse sinal raro que aproximará a vida do recém-nascido da dos dois alquimistas e coserá para sempre os seus destinos. Mesmo que o rapaz só o venha a saber muitos anos depois. Quiçá tarde de mais.
Passado numa época de grandes transformações sociais, fausto, riqueza e avanço científico e intelectual, Os Dias de Saturno - do autor do aplaudido A Demanda de D. Fuas Bragatela - é um romance fascinante sobre o amor e a sua impossibilidade, com doses iguais de humor e dramatismo, escrito numa linguagem que torna a sua leitura irresistível. A não perder.

Autor:
Nasceu em 1969, em Lourenço Marques, Moçambique. Veio para Portugal em 1974. Viveu no Douro, passou por Almada e vive agora em Meirinhas, perto de Pombal. Desejou fazer cinema de animação e enamorou-se pela banda desenhada. Após algumas experiências com fanzines, começou a publicar poesia em edições artesanais. Apaixonou-se pela literatura picaresca e publicou o seu romance A Demanda de Dom Fuas Bragatela (2002), seguindo-se um livro de poesia Do Obscuro Ofício (2004) e o Elogio da Jinja (2006). Entre outras coisas escreveu também o BI da Cereja e da Jinja (2007), o BI do Palito (2007) e BI do Tremoço (2008).
 

Comentários  

 
-1 #3 maria afonso 22-11-2009 19:26
Domingos Rodrigues, cozinheiro do rei D. Pedro II e autor do primeiro livro de cozinha publicado em Portugal; e o médico da Casa Real João Curvo Semedo, um dos mais conceituados do seu tempo são amigos e viveram no final do séc.XVII, em Lisboa. Domingos Rodrigues, acidentalmente, assiste à tentativa de afogamento de um recém-nascido. A criança nasceu com uma estranha marca no peito, vista imediatamente como castigo divino e maldição eterna. Salvo o bebé, levou-o para sua casa e cuidou dele como seu filho. O livro conta-nos a sua história e dá-nos o retrato de uma Lisboa que vive grandes transformações sociais, fausto, riqueza e avanço científico e intelectual. A par desse retrato interessante tece-se a estória da vida de Saturnino (assim chamado por causa da marca no peito), dos seus pais adoptivos (Domingos e Fátima, uma muçulmana) e de João Semedo. Há ainda uma história de amor trágica, que acaba mal. O livro acaba abruptamente e ficamos com pena que não continue.Lê-se num instante e é bastante interessante.
 
 
-1 #2 Angelina Rosa Nogueira Santos Violante 13-11-2009 22:55
Gostei bastante de ler este livro, embora achasse o fim do livro muito repentino, pois andamos mais de metade do livro em diferentes enleios e, de repente, tudo se resolve de uma momento para o outro.
É uma história muito interessante, mas à qual falta algo mais, pois, quando chegamos ao fim, ficamos com a sensação de que foram deixados muitos espaços em branco, quando a história poderia ter sido muito mais desenvolvida e explorada, não perdendo nada da sua graça.
Como é dito na própria sinopse, é uma leitura irresistível, que prende desde o início até ao fim.
 
 
-1 #1 João Teixeira 28-10-2009 16:22
Antes de mais, apresento-me: sou o João e este é o meu primeiro comentário no Segredo dos Livros. Comprometo-me, de ora em diante, a ser o mais honesto possível nas opiniões que formular em relação aos livros que for lendo, fundamentando-as o mais cabalmente possível. Mas que fique bem claro que tudo aquilo que aqui escrever será tão somente a 'minha' opinião e que a mesma não substituirá a leitura integral da obra em questão. Dito isto, aqui vamos nós!

A Quidnovi é uma das editoras que já nos habituou a bons romances históricos e, sendo esse um dos meus géneros literários preferidos, não foi com surpresa que me deparei com uma obra muito bem escrita e com uma reconstituição histórica do século XVIII bastante verosímil e cuidada. Paulo Moreiras sabe como captar-nos o interesse pela história, através de um tom narrativo bastante castiço e picaresco. A forma vivaz e cómica com que a história de Saturnino nos é contada faz-nos ficar em suspenso até ao último momento para sabermos o que irá acontecer a seguir. Mas é então que, quando menos estamos à espera, o narrador tira-nos o tapete de baixo dos pés e a história enternecedora do nosso herói sofre uma reviravolta algo inesperada, deixando-nos estupefactos com tal tragédia. Não era intenção velada do autor provar que a racionalidade deve sobrepor-se à superstição? Pois é exactamente o contrário que acaba por prevalecer. Saturnino, nascido no mesmo dia em que se dá um eclipse solar e com um sinal no peito que só pressagia infortúnio, acaba por ser um herói atípico, primeiro porque não fala, segundo porque não tem um final feliz. Até mesmo quando chegamos a desconfiar da revelação final, não é nosso desejo que ela se confirme, porque as personagens tornaram-se-nos tão familiares que só desejamos que sejam felizes para sempre, como dita a tradição.
Por que terá querido Paulo Moreiras terminar a sua história desta maneira algo abrupta e inexplicavelmen te surpreendente? Que opção tão estranha essa! É algo que não consigo compreender e que julgo que acaba por desiludir um pouco quando chegamos ao fim de um livro que é, de facto, agradabilíssimo de ler.

Este é, contudo, um autor português que poderá vir a dar muito que falar. Paulo Moreiras é um nome a reter e a ter em atenção no futuro. Tenho ali na minha estante o primeiro romance deste autor ("A Demanda de D. Fuas Bragatela") e a leitura de "Os Dias de Saturno" abriu-me o apetite para ficar a conhecer melhor Paulo Moreiras. É um autor que vale a pena conhecer e que, como tal, recomendo!
 

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