Os Filhos do Zip-Zip

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Autora: Helena Matos
Edição: Mar/2013
Páginas: 352 + 16 extratextos
ISBN: 9789896264604
Editora: Esfera dos Livros

 

 

Em 1960 existiam em Portugal 31 256 televisores. Dez anos depois, eram dez vezes mais: 387 512 televisores. Uma televisão custava, em média, 5000$00. Um valor significativo à época, mas um bem sentido como necessário por todos. Rodar o botão e esperar que o ecrã sintonizasse era um ritual. O país parava em frente à televisão. Para ver As Conversas em Família de Marcello Caetano, para ver chegar o homem à Lua ou para assistir a um programa que mudou a forma de ver televisão em Portugal. Marcou uma geração e transformou um país. Zip-Zip.

Um programa coapresentado por Carlos Cruz, Raul Soldado e Fialho Gouveia. Pelo Zip-Zip passaram desde Almada Negreiros a um anónimo limpa-chaminés que nunca havia sonhado aparecer no pequeno ecrã. Houve polémica, transgressão, riso e muito divertimento.
Portugal estava em mudança. Salazar caíra da cadeira e cheirava-se a abertura da Primavera Marcelista que durante uns tempos nos permitiu sonhar. Os portugueses trocam as suas aldeias pelos subúrbios de Lisboa que veem nascer prédios a uma velocidade vertiginosa, onde antes existiam campos de cultivo. As crianças passavam mais tempo na rua a brincar do que dentro de portas. Trocavam cromos e pelo Natal recebiam pistolas para brincar aos cowboys, se fossem meninos, e bonecas se fossem meninas. As conversas de café andavam à volta do que se via na televisão ou dos emocionantes jogos de futebol. As compras eram feitas nos primeiros supermercados abertos pelo grupo Pão de Açúcar que despertaram a euforia consumista. As mulheres sonhavam com os modelos que apareciam nas revistas, com os mil produtos e eletrodomésticos que garantiam uma vida doméstica mais fácil e com os cremes que prometiam milagres no rostos e no corpo. A juventude dançava ao som do rock and roll, enquanto os pais ouviam falar pela primeira vez do flagelo da droga.

Autora:

Helena Matos nasceu a 4 de junho de 1961. Autora da obra Salazar em dois volumes (Círculo de Leitores, 2003) e Costa do Estoril, um Século de Turismo (Junta de Turismo da Costa do Estoril, 2000). Começou por ser professora do ensino secundário. Trabalhou em seguida como jornalista. Mais recentemente foi consultora histórica das séries Conta-me Como Foi (RTP) e Depois do Adeus (RTP). Faz comentário no Diário Económico e na Antena 1.

Comentários  

 
#1 Helena 2013-05-01 17:40
Não gosto do título do livro e, inicialmente, não me tentou. A verdade é que não tenho memórias sobre esse programa que muitos recordam com nostalgia. Tenho fragmentos de memória de muitos outros episódios abordados neste livro (alguns através de imagens que muito o valorizam) e que, com o excelente trabalho de pesquisa da autora sobre o período de 1968 a 1974, ficam mais completos e esclarecedores. É uma pena que os hábitos de leitura dos portugueses deixem passar ao lado certas obras que lhes dariam muito prazer ler. Recordações que muitos acarinham e que o tempo vai apagando ou esbatendo.

Retrato de época (princípios da década de setenta) da sociedade portuguesa em mudança. Mudança de mentalidade e atitude no quotidiano de uma sociedade demograficament e jovem, governada por Marcelo Caetano, numa ditadura rígida, em guerra com África e que optava por emigrar para França ou Alemanha, para não ir para as colónias. Êxodo rural e crescimento económico.

Um excelente compêndio de dados bem apresentados. Mas o mais significativo não é a política (que nem recordo), mas o trivial do dia-a-dia, com os programas de televisão e publicidade, assim como as conversas que acompanhavam os jantares em família e que muito nos dizem sobre quem éramos e para onde queríamos ir. Em suma, ajuda-nos a perceber quem somos agora.
 

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