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| Os Últimos Dias de Pôncio Pilatos |
| Terça, 15 Novembro 2011 01:49 | |||
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Autora: Paula de Sousa Lima Cláudia tem desde criança o dom da premonição – e foi num sonho que viu pela primeira vez Pôncio Pilatos e soube que seria seu marido; mais tarde, quando o reconheceu no palácio do imperador, teve a certeza de que o seu coração – tão escuro naquele momento – um dia iria clarear-se. Foi também num sonho que Cláudia anteviu a chegada do Nazareno – de quem foi seguidora desde o primeiro instante – e se intrigou com as imagens recorrentes de sangue derramado, desconhecendo, porém, que se tratava do sangue de Cristo, do qual Pilatos, seu marido, não poderia lavar as mãos. Estamos agora no ano de 86, e Cláudia desce todos os dias até Roma para socorrer os mais necessitados, a quem já ofereceu todos os seus bens. Teme pela vida dos apóstolos Pedro e Paulo, pois o imperador mandou que se perseguissem e matassem todos os cristãos; teme ainda pela vida do marido quando o deixa sozinho, ancião já, em busca das palavras mais justas para compor o evangelho que o redimirá da sua culpa de omissão: o testemunho da obra e da palavra do Nazareno, que clareou o seu coração e lhe deu a conhecer a sua alma.Situando a acção em Roma e na Palestina, Os Últimos Dias de Pôncio Pilatos é um romance poético e inovador, que ficciona a vida de personagens reais que interagem com outras, surgidas da imaginação, num tempo mais mágico do que histórico.
Autora:
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| Actualizado em Segunda, 19 Março 2012 16:24 |
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Comentários
Mas, como disse, não encontrei um romance histórico. A base histórica está numas breves reminiscências à vida pública de Jesus (os seus três últimos anos) destinada a enquadrar o papel que as personagens históricas e as ficcionadas desempenharam no processo que o levou à morte.
A verdadeira estória deste livro são "os últimos dias [da vida] de Pôncio Pilatos", durante os quais redigiu um evangelho de Jesus Cristo, a sua versão dos acontecimentos, com a finalidade de tentar responder à pergunta retórica que dirigiu a Jesus, mas ficou sem resposta e o atormentou durante toda a vida: "O que é a verdade?"
Como diz no final da contracapa, estamos perante um romance poético, escrito numa linguagem bastante lírica, de que gostei, mas, reconheço, não é fácil de ler. Exige muita concentração do leitor e conhecimentos da vida de Cristo, como nos é contada nos Evangelhos oficiais, e também dos factos ocorridos no Império Romano no tempo de Nero. Digo isto, porque a autora divaga sobre estes factos, no pressuposto de que não são novidade para quem lê. Diria, pois, que estamos mais perante uma meditação, uma reflexão ou até uma oração, do que um romance. Na verdade, o que ressalta neste livro é a tentativa de reabilitar a figura de Pilatos, de forma a reconciliar o seu gesto com a sua consciência, para morrer em paz.
Achei-o um livro algo difícil, mas interessante e inovador, pois é um tipo de romance histórico diferente daquilo a que estamos habituados.
Do que menos gostei foi a forma de redação do texto, no seguimento da moda inaugurada por Saramago e seguida por outros, como Valter Hugo Mãe (este já arrependido) de fugir aos cânones clássicos de pontuação, maiúsculas e construção das frases. Achei piada e admirei a inovação de Saramago, mas parece-me que se devia ter ficado por aí.
Neste caso, dou um desconto, porque a si próprio o livro se intitula de "poético" e em poesia tudo se desculpa. Mas porque será que este género não me atrai?
Cada um "come do que gosta" e este livro vai, certamente, agradar a muita gente.
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