Os Últimos Dias de Pôncio Pilatos

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Autora: Paula de Sousa Lima
Edição: Nov/2011
Páginas: 244
ISBN: 9789895559428
Editora: Casa das Letras

 

 


Cláudia tem desde criança o dom da premonição – e foi num sonho que viu pela primeira vez Pôncio Pilatos e soube que seria seu marido; mais tarde, quando o reconheceu no palácio do imperador, teve a certeza de que o seu coração – tão escuro naquele momento – um dia iria clarear-se. Foi também num sonho que Cláudia anteviu a chegada do Nazareno – de quem foi seguidora desde o primeiro instante – e se intrigou com as imagens recorrentes de sangue derramado, desconhecendo, porém, que se tratava do sangue de Cristo, do qual Pilatos, seu marido, não poderia lavar as mãos.

Estamos agora no ano de 86, e Cláudia desce todos os dias até Roma para socorrer os mais necessitados, a quem já ofereceu todos os seus bens. Teme pela vida dos apóstolos Pedro e Paulo, pois o imperador mandou que se perseguissem e matassem todos os cristãos; teme ainda pela vida do marido quando o deixa sozinho, ancião já, em busca das palavras mais justas para compor o evangelho que o redimirá da sua culpa de omissão: o testemunho da obra e da palavra do Nazareno, que clareou o seu coração e lhe deu a conhecer a sua alma.
Situando a acção em Roma e na Palestina, Os Últimos Dias de Pôncio Pilatos é um romance poético e inovador, que ficciona a vida de personagens reais que interagem com outras, surgidas da imaginação, num tempo mais mágico do que histórico.

 

Autora:

Paula de Sousa Lima nasceu em Lisboa, filha de pais açorianos, e vive nos Açores desde os seis anos, com uma passagem por Moçambique.
É licenciada em Línguas e Literaturas Modernas e mestre em Literatura Portuguesa. É professora do Ensino Secundário, tendo leccionado no Ensino Superior, como convidada, durante mais de uma década. No âmbito da investigação académica, publicou artigos sobre literatura, língua e didáctica em revistas das especialidades. Tem, desde há vários anos, uma colaboração assídua em jornais, com crónicas e artigos sobre literatura e língua. Actualmente mantém um suplemento quinzenal no Açoriano Oriental, em co-coordenação com o doutor Rui Faria.
É co-autora de uma obra de gramática (Explicações de Português), publicada pela ASA. No âmbito da actividade literária, publicou cerca de duas dezenas de contos em jornais e nas revistas NEO e Insulana e quatro romances – Crónica dos Senhores do Lenho, Variações em Dor Maior, Tempo Adiado e Os Últimos de Pôncio Pilatos.

Comentários  

 
#1 Sebastião Barata 2012-01-18 17:37
Os Últimos Dias de Pôncio Pilatos não é nada do que eu estava à espera. Depois de ver a capa e ler a sinopse, imaginei um romance histórico baseado no pouco que se sabe sobre Pôncio Pilatos, o governador da Judeia na altura da crucifixão de Cristo, que ficou célebre pelo gesto de lavar as mãos e rejeitar toda e qualquer responsabilidad e pela morte daquele justo, no qual "não via culpa alguma". Parece que já naquele tempo os interesses políticos se sobrepunham à justiça e ao apuramento da verdade...
Mas, como disse, não encontrei um romance histórico. A base histórica está numas breves reminiscências à vida pública de Jesus (os seus três últimos anos) destinada a enquadrar o papel que as personagens históricas e as ficcionadas desempenharam no processo que o levou à morte.
A verdadeira estória deste livro são "os últimos dias [da vida] de Pôncio Pilatos", durante os quais redigiu um evangelho de Jesus Cristo, a sua versão dos acontecimentos, com a finalidade de tentar responder à pergunta retórica que dirigiu a Jesus, mas ficou sem resposta e o atormentou durante toda a vida: "O que é a verdade?"
Como diz no final da contracapa, estamos perante um romance poético, escrito numa linguagem bastante lírica, de que gostei, mas, reconheço, não é fácil de ler. Exige muita concentração do leitor e conhecimentos da vida de Cristo, como nos é contada nos Evangelhos oficiais, e também dos factos ocorridos no Império Romano no tempo de Nero. Digo isto, porque a autora divaga sobre estes factos, no pressuposto de que não são novidade para quem lê. Diria, pois, que estamos mais perante uma meditação, uma reflexão ou até uma oração, do que um romance. Na verdade, o que ressalta neste livro é a tentativa de reabilitar a figura de Pilatos, de forma a reconciliar o seu gesto com a sua consciência, para morrer em paz.
Achei-o um livro algo difícil, mas interessante e inovador, pois é um tipo de romance histórico diferente daquilo a que estamos habituados.
Do que menos gostei foi a forma de redação do texto, no seguimento da moda inaugurada por Saramago e seguida por outros, como Valter Hugo Mãe (este já arrependido) de fugir aos cânones clássicos de pontuação, maiúsculas e construção das frases. Achei piada e admirei a inovação de Saramago, mas parece-me que se devia ter ficado por aí.
Neste caso, dou um desconto, porque a si próprio o livro se intitula de "poético" e em poesia tudo se desculpa. Mas porque será que este género não me atrai?
Cada um "come do que gosta" e este livro vai, certamente, agradar a muita gente.
 

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"Quem escreve lembra-me o afogado que desesperado esbraceja para vir à tona. O escritor é isso que faz. Dentro de si, por uma razão qualquer, escasseia o ar. Então, ofegante, arruma o pensamento de acordo com o que as palavras lhe permitem, e assim respira e alivia a sua angústia."
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