Padeira de Aljubarrota

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Autora: Maria João Lopo de Carvalho
Edição: Out/2013
Páginas: 584
ISBN: 9789897410338
Editora: Oficina do Livro

 

 


Uma história de amor, traição e coragem em tempos de crise.

Muitas histórias correram sobre a humilde mulher que, em 1385, numa aldeia perto de Alcobaça, pôs a sua extrema força e valentia ao serviço da causa nacional, ajudando assim a assegurar a independência do reino, então seriamente ameaçada por Castela. É nos seus lendários feitos e peripécias, contados e acrescentados ao longo dos tempos, que se baseia este romance, onde as intrigas da corte e os tímidos passos da rainha-infanta D. Beatriz de Portugal se cruzam com os caminhos da prodigiosa padeira de Aljubarrota, Brites de Almeida, símbolo máximo da resiliência e bravura de todo um povo.

 

Autora:

Maria João Lopo de Carvalho licenciou-se em Línguas e Literaturas Modernas pela Universidade Nova de Lisboa. Foi professora de Português e de Inglês, criou a primeira escola de Inglês em regime extracurricular para os mais novos e trabalhou como copywriter em publicidade. Passou ainda pelas áreas de Educação e Cultura na Câmara Municipal de Lisboa.
Tem mais de setenta títulos editados, entre romances, livros de crónicas, manuais escolares – com a chancela do Instituto Camões – e dezenas de livros infanto-juvenis, a maior parte deles no Plano Nacional de Leitura. O seu primeiro bestseller, Virada do Avesso, foi publicado em 2000. É presença regular na televisão e na imprensa, mas sobretudo nas escolas e bibliotecas de Norte a Sul do país, incentivando nos mais novos o gosto pela leitura.
Até que o Amor me Mate é o seu terceiro romance histórico, depois de Marquesa de Alorna (2011) e Padeira de Aljubarrota (2013), ambos bestsellers.

Comentários  

 
#2 Liliana Patrícia Pereira Pinto 2013-12-03 16:05
Existem livros que nos enchem as medidas. E isso acontece porque são extremamente bem escritos. Este é um deles.

Maria João Lopo de Carvalho conseguiu tornar a famosa Brites de Almeida (mais conhecida como Padeira de Aljubarrota) numa personagem real. Poucas são as pessoas que se atrevem a escrever sobre ela, mas Maria João atreveu-se e eu agradeço-lhe por isso.

Em "Padeira de Aljubarrota" conhecemos Brites de Almeida - nascida num dia e num ano que todas as pessoas consideraram como o ano do Diabo. E a própria Brites parece um demónio! Seis dedos em cada mão, pés do tamanho de uma pá, pouco abonada no que toca à beleza. Mas isto tudo é esquecido quando nos lembramos da sua imensa coragem durante um dos tempos mais conturbados do reino de Portugal e do Algarve.

Neste maravilhoso livro, a narrativa é partilhada entre Brites de Almeida e D. Beatriz (filha de D. Fernando e D. Leonor Teles). Gostei muito da forma como o livro está estruturado, porque nos dá duas perspectivas totalmente diferentes.

Este livro foi uma mais valia para alterar a opinião que eu tinha sobre D. Beatriz. Em quase todos os sítios em que esta rainha-menina é citada, temos a percepção de que ela é uma pessoa sem carácter (um pau mandado, vá) que sempre seguiu as ordens de sua fria mãe. Mas, neste livro, vemos que ela não passava de uma criança que passam de noivado em noivado, sem que tivesse uma palavra a dizer. Vemos que tinha personalidade, que era uma rebelde. Gostei muito desta Beatriz. No que diz respeito a Brites de Almeida, também fiquei com uma boa opinião. Uma mulher corajosa que, durante toda a sua vida, foi rejeitada pelas pessoas, mas que, mesmo assim, se tornou forte e determinada.

Como já disse, este livro ficou-me na memória. E é muito complicado opinar sobre ele, porque ficará sempre algo por dizer. Provavelmente um dos melhores livros que li na minha vida inteira (e já li muitos). Dá para perceber também que existiu uma enorme pesquisa por trás desta história e tenho de dar os parabéns à escritora por isso.

Obrigada por este livro, Maria João Lopo.
Recomendo.
 
 
#1 Sebastião Barata 2013-11-09 18:37
De Maria João Lopo de Carvalho só tinha lido livros infantis. Gostei muito de "Um Menino Diferente", uma história exemplar que até os grandes deviam ler e meditar. O mesmo poderia dizer dos livros da coleção "7 Irmãos". De romances e romances históricos, este foi a minha estreia. Em boa hora o fiz, porque gostei muito, embora tenha achado que poderia ser um pouco mais curto. Os livros de grande dimensão são incómodos de transportar e a ânsia de chegar ao fim desmotiva um pouco o leitor.
No caso concreto, estamos perante um livro que, embora grande, é uma narrativa absorvente e pouco cansativa. Os capítulos são curtos e alternam duas histórias que vão, no final, convergir numa só. A autora usou um estratagema mais usual nos livros de aventuras que ajuda a manter a atenção do leitor ao rubro e o estimulam a ler sempre mais um capítulo. Cada capítulo termina sempre com uma dica sobre a continuação da história. Mas o capítulo seguinte é da história alternativa e há que lê-lo para retomar a história anterior. Simula uma trança em que as histórias se entrelaçam e se tocam, na busca da apoteose final.
Embora a autora possa ter colhido ideias da diversa bibliografia que cita no final, a verdade é que estamos perante uma trama em que a ficção supera largamente a história. É contada em paralelo a vida de D. Beatriz, filha do rei D. Fernando e natural herdeira do trono de Portugal, e a vida de Brites de Almeida, a famosa padeira de Aljubarrota, que terá matado à pazada sete castelhanos que se refugiaram dentro do seu forno no final da Batalha de Aljubarrota, facto que é narrado na última página do livro. Este é o único facto (talvez) histórico de Brites, tudo o mais é imaginação. A própria vida de D. Beatriz é aqui envolvida por personagens fictícias que desempenham papéis cruciais no desenvolvimento da narração.
A minha visão pessoal é que este é, na verdade, um romance histórico: o cenário é rigorosamente o da época, as personagens históricas são apresentadas com todo o rigor histórico, mas a autora cria um leque de personagens fictícias perfeitamente credíveis e possíveis na época, que vêm dar à obra aquele sabor de romance que prende o leitor e tira todo o sabor amargo dos livros académicos. Tenho lido diversos (pretensos) romances históricos que não passam de livros de história em que os "buracos" das fontes são "tapados" pela imaginação do autor. Não é este o caso, o que muito me agradou.
Pelas razões apontadas, e não só, recomendo a leitura deste livro. Para além de ser uma leitura agradável que se lê com avidez e prende o leitor até ao fim, localiza-se numa época conturbada na nossa história, com grandes heróis, grandes vilões e grandes heróis/vilões. Refiro-me a D. João IV que mandou matar a amante do filho, D. Inês de Castro; D. Pedro I, que perseguiu barbaramente os executantes deste assassínio; D. Leonor Teles que terá mandado envenenar o seu marido D. Fernando para se apoderar do poder; D. João I de Castela que casou com a princesa de Portugal, uma criança, para tomar o Reino de assalto; o próprio Mestre de Avis, futuro D. João I, que assassinou a sangue frio o conde Andeiro, amante da regente Rainha D. Leonor Teles. Enfim, uma panóplia de figuras cruciais da nossa História, cujas razões para os seus atos podemos contestar, mas que, com esses atos, traçaram o rumo de Portugal em direção ao futuro.
 

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