Pão de Açúcar

Autor: Afonso Reis Cabral
Género: Romance
Edição: Set/2018
Páginas: 264
ISBN: 9789722065993
Editora: Dom Quixote

 

 

Em Fevereiro de 2006, os Bombeiros Sapadores do Porto resgataram do poço de um prédio abandonado um corpo com marcas de agressões e nu da cintura para baixo. A vítima, que estava doente e se refugiara naquela cave, fora espancada ao longo de vários dias por um grupo de adolescentes, alguns dos quais tinham apenas doze anos.

Rafa encontrara o local numa das suas habituais investidas às zonas sujas, e aquela espécie de barraca despertou-lhe imediatamente o interesse. Depois, dividido entre a atracção e a repulsa, perguntou-se se deveria guardar o segredo só para si ou partilhá-lo com os amigos. Mas que valor tem um tesouro que não pode ser mostrado?
Romance vertiginoso sobre um caso verídico que abalou o País, fascinante incursão nas vidas de uma vítima e dos seus agressores, Pão de Açúcar é uma combinação magistral de factos e ficção, com personagens reais e imaginárias meticulosamente desenhadas, que vem confirmar o talento e a maturidade literária de Afonso Reis Cabral.

Autor – Afonso Reis Cabral

Autor:

Afonso Reis Cabral nasceu em 1990. Aos quinze anos publicou o livro de poesia Condensação. É licenciado em Estudos Portugueses e Lusófonos, fez mestrado na mesma área e tem uma pós-graduação em Escrita de Ficção. Foi duas vezes à Alemanha de camião TIR em busca de uma história, a primeira das quais aos treze anos. Trabalhou numa vacaria, num escritório de turismo, num alfarrabista e em editoras. Em 2014, ganhou o Prémio LeYa com o romance O Meu Irmão, que se encontra em tradução em Espanha e em Itália e já foi publicado no Brasil.
Tem contribuído com dezenas de textos para as mais variadas publicações. Em 2017, foi-lhe atribuído o Prémio Europa David Mourão-Ferreira na categoria de Promessa e, em 2019, o Prémio Literário José Saramago com o romance Pão de Açúcar. Trabalha atualmente como editor freelancer.
Nos tempos livres, dedica-se à ornitologia, faz Scuba Diving e pratica boxe.

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Comentários

  • Sebastião Barata

    Fevereiro 2, 2020 às 22:44
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    Faz agora em fevereiro catorze anos que se deu um acontecimento que apaixonou o País e deixou os portugueses horrorizados. Um grupo de crianças, a maior parte das quais institucionalizadas na Oficina de São José, matou à pancada um sem-abrigo no Porto, cujo corpo lançaram, de seguida, num poço existente no local. O que fez correr mais tinta foi o facto de se tratar de um transexual brasileiro, antiga estrela na noite da capital do Norte e agora, com cerca de 40 anos, caído em desgraça e a viver em grande miséria numa barraca que construiu dentro das obras abandonadas […] Ler Mais...Faz agora em fevereiro catorze anos que se deu um acontecimento que apaixonou o País e deixou os portugueses horrorizados. Um grupo de crianças, a maior parte das quais institucionalizadas na Oficina de São José, matou à pancada um sem-abrigo no Porto, cujo corpo lançaram, de seguida, num poço existente no local. O que fez correr mais tinta foi o facto de se tratar de um transexual brasileiro, antiga estrela na noite da capital do Norte e agora, com cerca de 40 anos, caído em desgraça e a viver em grande miséria numa barraca que construiu dentro das obras abandonadas de um prédio, no qual deveria vir a funcionar uma loja da rede de hipermercados Pão de Açúcar. Este facto tem sido aproveitado pela comunidade LGBT portuguesa para sua bandeira e a Gisberta para seu mártir.Em 2016, a celebração do 10º aniversário do acontecimento trouxe o assunto de novo à ribalta e impressionou Afonso Reis Cabral, que decidiu escrever este livro, cuja 1ª edição surgiu em setembro de 2018. Entretanto, foi agraciado com o Prémio Literário José Saramago 2019, o que levou à sua recente edição pelo Círculo de Leitores. Este galardão foi instituído pela Fundação Círculo de Leitores em homenagem ao único português galardoado com o Prémio Nobel de Literatura e é atribuído a um jovem autor de língua portuguesa de dois em dois anos.Não poderei dizer muito mais do que o que já foi dito acerca deste livro no último ano e meio que leva de existência no mercado. Em matéria de escrita, nada há a apontar a quem venceu os dois maiores prémios literários existentes em Portugal, com cada um dos romances que escreveu. Aos 24 anos, ganhou o Prémio Leya com o "O Meu Irmão", o seu romance de estreia. Aos 29 anos, vence o Prémio Saramago com "Pão de Açúcar". Palavras para quê?! Estamos perante um autor que, mais do que uma promessa, é já uma realidade no nosso meio literário.Quanto à história que é contada, estamos perante uma mistura muito bem conseguida de realidade e ficção. Certamente para proteção da identidade das crianças envolvidas, hoje já homens, as personagens que os representam têm nomes fictícios. Tudo o mais, incluindo pessoas, lugares e instituições, aparece com os seus nomes reais. O autor usa o artifício de simular que o material recolhido para a reconstituição dos factos lhe foi entregue por um dos jovens, hoje mecânico de automóveis, que lhe pediu para escrever a história por ele, porque não tinha formação para o saber fazer e queria que toda a verdade fosse conhecida, como forma de se redimir e deitar fora o peso que o tem amargurado ao longo dos anos. Assim, a história da Gisberta é contada pela boca dessa criança, aqui identificada como Rafael Tiago.Na minha opinião, o autor procura debater neste livro vários níveis de problemas sociais: a marginalidade, a discriminação, as crianças vítimas de negligência e as características da adolescência. O crime foi cometido por um grupo de crianças que acumulavam em si todos estes problemas. Crianças retiradas às famílias e a viver numa Instituição acumulavam os traumas derivados dessa situação com as características da sua condição de pré-adolescentes ou adolescentes. Para cúmulo, a Instituição onde se abrigavam negligenciava a função paternal que lhe fora atribuída pelo Estado, não acompanhando o andamento dos seus estudos, as suas companhias e comportamentos.Nestas circunstâncias, eram presas fáceis dos mais velhos que os levavam por maus caminhos. No caso tratado neste romance, eram seguidores do único deles que já tinha 16 anos e o seu receio de ser excluídos do grupo de "amigos" levava-os a negar-se a si próprios e alinhar em tudo o que o líder lhes sugerisse. Os três meninos que descobriram o esconderijo da Gisberta começaram por ter pena dela e ajudá-la, inclusivamente levando-lhe mantimentos que roubavam e cozinhando para ela. Mas, mais tarde, foram dos que mais lhe bateram e se armaram em maus diante dos outros, só para não serem rejeitados. Este é, a meu ver, o maior alerta que o livro nos deixa. Os pais, ou quem tem a responsabilidade parental de um adolescente, têm de estar alerta para estas situações típicas da idade. O acompanhamento ou a sua falta podem ditar o futuro da sua personalidade em formação. Read Less

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