Ponte Pequim sobre o Tejo

Autor: António Oliveira e Castro
Género: Romance
Edição: Jun/2020
Páginas: 336
ISBN: 9789896169541
Editora: Gradiva

 

 


Ponte Pequim sobre o Tejo
é uma distopia que decorre em 2050. O contexto é surpreendente e tudo o que de pior podia acontecer, aconteceu. Nuvens de pó do norte de África pairam sobre o território, não chove há cinco anos, Portugal tornou-se invisível para os satélites, um icebergue desce o Atlântico e acaba por entrar no Tejo, as cidades são pardieiros tomados por gangues de cabeças rapadas e multidões de turbante, tudo em cenário apocalíptico de guerra civil. E isso é o menos: a China construiu a Ponte Pequim sobre o Tejo, ao lado da 25 abril e começa a construir casinos no Mosteiro dos Jerónimos, na Torre de Belém, no Castelo de S. Jorge, etc.

Tudo desemboca num colapso comercial e na perda de valores de referência, até na ridicularização dos símbolos da arquitectura e na imponência dos regimes que nos governaram ao longo dos tempos. Essa presença é também militar, a frota chinesa está no Tejo, apoia-se em bases aeronavais como as Lajes, estamos na iminência de um confronto com os EUA, desembarcam tanques que percorrem Lisboa, uma cidade muralhada e degradada.
Organizando a sua vertiginosa trama numa célere sucessão de dias a escrita violentamente poética de António Castro ganha nesta Ponte Pequim sobre o Tejo um novo rigor febril e uma exuberância ditada por um imperativo de urgência profética. Numa narrativa que se estende por mais de quatro gerações e tem como chão o planeta inteiro, esta obra conduz os leitores pelos labirintos e segredos da condição humana devastada pela cegueira da vitoriosa guerra de séculos de modernidade tecnológica contra a Terra, a nossa frágil e bela pátria cósmica.

Deste autor no Segredo dos Livros:
Coleccionadores de Sonhos

Autor – António Oliveira e Castro

Autor:

António Oliveira e Castro nasceu  em Angola, no Bongo Lépi, em 1951.  Entre 1969 e 1971 publicou alguns  contos no jornal ABC de Angola, um  dos quais foi premiado pela Câmara Municipal de Luanda.  Publicou o livro de poesia Eu, a minha terra e a minha gente.  Em 1974, publicou Canções clandestinas da revolta latente (poesia).  Livros do autor publicados em Portugal:  Houve mesmo um Dia de Desespero  em Que Se Cultivaram Campos de Cicuta (1985, Caminho – poesia)  As Planícies donde Vim (1987, Caminho – poesia)  A Especiaria (2007, Guerra e Paz – romance), Tambwe – A Unha do Leão (2011, Gradiva – romance) e Coleccionadores de Sonhos (2017, Gradiva – romance), que foi semifinalista do Prémio Oceanos 2018.

1 comentários
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Comentários

  • Sebastião Barata

    Setembro 26, 2020 às 10:22
    Responder

    Este novo romance de António Oliveira e Castro é uma distopia, cuja trama se passa em 2050 e se situa especialmente em Lisboa e numa aldeia algures junto à fronteira com Espanha, mas também em Xangai e, esporadicamente, no deserto de Taklimakan, situado na região chinesa de Xinjiang, perto da fronteira com o Paquistão e o Afeganistão. A Europa e os Estados Unidos da América perderam o seu atual poder e os grandes centros de decisão são em Pequim, Moscovo e Jacarta. A China tem uma base aérea nos Açores e os chineses são donos de tudo o que tem […] Ler Mais...Este novo romance de António Oliveira e Castro é uma distopia, cuja trama se passa em 2050 e se situa especialmente em Lisboa e numa aldeia algures junto à fronteira com Espanha, mas também em Xangai e, esporadicamente, no deserto de Taklimakan, situado na região chinesa de Xinjiang, perto da fronteira com o Paquistão e o Afeganistão. A Europa e os Estados Unidos da América perderam o seu atual poder e os grandes centros de decisão são em Pequim, Moscovo e Jacarta. A China tem uma base aérea nos Açores e os chineses são donos de tudo o que tem valor em Portugal; os empresários de Macau abriram hotéis de luxo e casinos por todo o lado, incluindo nos atuais monumentos, como o Mosteiro dos Jerónimos, por exemplo. A população de Lisboa está maioritariamente transformada em sem-abrigos que se arrastam pelas portas dos hotéis, a pedir uma côdea de pão para matar a fome; há manifestações de protesto constantes, que são violentamente reprimidas pela Polícia. As eternas guerras no Médio Oriente continuam, por interesse dos fabricantes de armamento, e as populações continuam a fugir para a Europa; as casas abandonadas das nossas aldeias foram ocupadas por imigrantes muçulmanos, as igrejas fecharam por falta de cristãos e abriram mesquitas por todo o lado. Na já mencionada aldeia do Canto resiste uma família cristã, cujos membros serão os protagonistas da trama do romance. Entretanto, as alterações climáticas agudizaram-se, os gelos polares continuam a derreter, os mares subiram e a baixa lisboeta está protegida por diques que sustêm as águas do Tejo. O interior transformou-se num deserto, os rios secaram e as poeiras invadem as cidades, levadas pelo vento. Até que um inesperado cataclismo destrói os diques e afoga Lisboa, com os seus pedintes, os seus casinos e os seus hotéis. Também a situação na aldeia do Canto sofre um inesperado volte-face que destrói o aparente equilíbrio religioso. É este o cenário onde se desenrola a estória que o autor desenvolve com muita habilidade, mostrando-nos o que pode vir a acontecer se os ventos da História continuarem a empurrar Portugal e o Mundo no sentido em que atualmente nos encontramos. Um aspeto muito bem desenvolvido no livro é o confronto entre o capitalismo, com a riqueza cada vez mais concentrada nas mãos de muito poucos e os pobres cada vez mais pobres e a serem vítimas da ambição dos poderosos. Mas mostra como esta tendência vai arrastar este sistema para a sua própria ruína, com as alterações climáticas que provoca e o desaparecimento da população de que precisa, para explorar e, assim, fazer riqueza. Muito habilmente, o autor transportou este confronto para dentro das próprias famílias, com uns membros rendidos à riqueza e ao progresso e outros que resistem e se agarram às tradições, à cultura e à proteção da Natureza. Uma imagem deste confronto que nos fica na retina é a velha Ponte 25 de Abril, que continua a resistir ao lado da imponente Ponte Pequim sobre o Tejo que os chineses construíram para demonstrar o seu poder. Na minha opinião, este livro é uma parábola sobre o que nos espera num futuro não muito afastado, que vai, certamente, ser presenciado e vivido por quem tem menos de 50 anos. E deixa uma pergunta pertinente: - É este futuro que queremos para nós e para os nossos filhos? Será que haverá mesmo futuro para a Humanidade neste contexto? Fica o alerta. Read Less

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