Ramalho Eanes: O Último General

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Autora: Isabel Tavares
Género: Biografia
Edição: Nov/2017
Páginas: 384
ISBN: 9789722063722
Editora: Dom Quixote

 

 

Biografia autorizada do primeiro presidente da Democracia portuguesa.
Esta é a vida de um homem inconformado, que nunca desistiu do seu país, da sua gente, da liberdade. Um Dom Quixote dos tempos modernos.
Sem pretensões, baseia-se em dezenas de entrevistas para contar os desafios que António Ramalho Eanes, o primeiro presidente da República português eleito democraticamente, enfrentou ao mesmo tempo que foi construindo a sua personalidade e descobrindo a sua vocação.

É o retrato de um homem que em miúdo quis ser médico, padre ou militar. Que esteve na Guerra do Ultramar, que matou e viu morrer. Que foi presidente da República dez anos. Que puxa os punhos da camisa e endireita a lapela do casaco quando está nervoso. Que tem um grande sentido de humor. Que deixou criar um partido à sua imagem. Que se doutorou aos 71 anos. Que aos 82 anos continua a sonhar com o futuro.
Como afirmou Salgado Zenha: «Ramalho Eanes é um homem de uma só palavra, de uma só fé, de antes quebrar que torcer.» E é, muito para lá do general «poker face», uma pessoa de afectos. Esta é a história de um grande chefe.

Autora:

Isabel Tavares nasceu, em Lisboa, em 1969. É jornalista e fundadora do Diário Económico, jornal do qual foi chefe de redação, bem como do Semanário Económico. Passou pelo Expresso, fez rádio e televisão. Ramalho Eanes: O Último General é o seu primeiro livro.

Veja aqui o booktrailer:

Comentários  

 
#1 Sebastião Barata 2017-11-28 22:57
Para comentar este livro, tenho de distinguir o tema e a fidelidade à realidade histórica, da forma como é tratado pela autora, ou seja o aspeto literário. Devo também distanciar-me do aspeto sentimental que me liga ao General Ramalho Eanes como meu conterrâneo e seu admirador, mas também pelas ligações (ainda que não muito próximas) que eu e a minha família temos mantido com ele e a sua família, nomeadamente a Drª Manuela Eanes.

Posto isto e entrando na primeira parte do meu comentário, devo afirmar que a autora soube destrinçar a verdade do que se passou durante o seu percurso político, especialmente entre 1975 e 1987, ou seja, entre a sua liderança na repressão ao golpe da esquerda radical que pretendia impor em Portugal um regime do tipo soviético e o seu afastamento do PRD - Partido Renovador Democrático. Note-se que foi uma fase difícil do nosso País, em que ainda hoje não é consensual o papel que cada um dos militares e políticos de destaque na época desempenhou, para que a democracia vencesse e se consolidasse. É, no entanto, inegável que Ramalho Eanes teve um papel de charneira entre as várias forças em confronto e, sem ele, talvez Portugal não fosse hoje o que é: um País democrático, desenvolvido e membro da União Europeia. Ramalho Eanes teve de jogar um jogo por vezes mal compreendido, acabando por ser criticado à esquerda e à direita, mas sempre norteado pelos interesses do povo português e pelo objetivo de implantar um regime parlamentar moderno, fazendo uma transição pacífica do poder militar para o poder civil, com o regresso dos militares aos quartéis e a reposição da cadeia hierárquica e da disciplina perdida com as divisões dentro do MFA - Movimento das Forças Armadas que deteve o poder desde a revolução de 25 de abril de 1974.
O tema deste livro não se limita a esta fase da vida de Ramalho Eanes, mas fiz uma referência especial a ela, por ser aquela em que teve maior protagonismo e, talvez até por excesso de informação, terá sido mais difícil à autora fazer uma reconstituição fiel e isenta dos factos. No entanto, descreve-nos como foi a sua infância e juventude em Castelo Branco e Alcains; os seus estudos na Academia Militar e a participação nas campanhas do Ultramar (na Índia, Timor, Moçambique, Guiné e Angola, onde estava no dia da "revolução dos cravos"); como conheceu a sua esposa e foi o seu namoro; a sua participação no regime militar do pós-25 de Abril, tendo desempenhado um importante papel na RTP, onde as várias tendências se debatiam pelo controlo dos media; como era um desconhecido até surgir como o grande estratega e condutor das ações do 25 de Novembro. Depois do afastamento da política ativa, vemos neste livro como tem sido a sua vida familiar, social e política, como ex-Presidente e membro do Conselho de Estado.
Quem conhece a pessoa de Ramalho Eanes encontra neste livro uma fidelidade à sua personalidade de retidão, de cumpridor dos compromissos assumidos e de norteamento sempre pelos interesses dos cidadãos, especialmente dos mais pobres e desamparados. Vemos que, apesar da sua pose de "poker face" (como se diz na contracapa) quando está em público, ele é um homem bem disposto, com humor e simplicidade, muito dedicado à família e apaixonado pelos netos.

Passando agora para o aspeto literário da obra, tenho alguma dificuldade em rotular este livro como uma "biografia". Parece-me mais uma peça jornalística de grande dimensão. As biografias que tenho lido têm, geralmente, um caráter científico mais próximo do género "Ensaio". Na verdade, a autora (embora recorra a alguma bibliografia que reproduz no final), baseia-se numa série de 80 entrevistas feitas a familiares e amigos de infância, camaradas da vida militar, companheiros nas lides políticas, apoiantes ou opositores, antigos governantes e outros ex-Presidentes da República; também da sua esposa, companheira de vida e apoio de todas as horas. O estilo de escrita escolhido tem, no entanto, a virtude de ser um livro mais acessível ao grande público, o que, certamente, pesou da opção literária.

Quero ainda referir dois pormenores que acho importantes. O primeiro é a coleção de fotografias em extra-texto que documentam as partes mais significativas da vida de Ramalho Eanes. A segunda é a reprodução de alguns dos poemas escolhidos por Ramalho Eanes para um livro da série "Os Poemas da minha vida" editado pelo jornal Público, com os quais a autora faz a introdução a cada capítulo do livro. Estes poemas, além de mostrarem o género de poesia e os poetas de que Eanes gosta, foram muito bem escolhidos, chegando alguns a parecer terem sido escritos para o efeito.
 

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"Era uma vez uma mulher cujo ofício era contar histórias. Andava por todo o lado oferecendo a sua mercadoria, relatos de aventuras, de suspense, de horror ou de luxúria, tudo a um preço justo. Num meio dia de agosto encontrava-se no centro de uma praça quando viu avançar na sua direção um homem (...) És tu a que conta histórias?, perguntou o estrangeiro. (...) Então vende-me um passado, porque o meu está cheio de sangue e de lamentos e não me serve para percorrer a vida."
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