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| Reis que Amaram como Rainhas |
| Segunda, 20 Setembro 2010 15:05 | |||
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António Conti, filho de um mercador italiano, conquistou o coração de D. Afonso VI que gostava da presença de rapazolas, lacaios, escravos negros e mouros que foram deixando no leito real o aroma de exotismo. D. Pedro I ficou para a história como o amante viril de D. Inês de Castro, mas Fernão Lopes deixa clara a relação com o seu sensual escudeiro e a amizade com outros cavaleiros. Fernando Bruquetas de Castro conta-nos a história de imperadores, reis, políticos, membros da Igreja e das universidades que, ao longo dos séculos viveram a sua sexualidade de forma livre, contudo presa a simulações e a jogos de poder. Através destas personagens da vida pública de todos os tempos, este historiador conta-nos a história da homossexualidade, tantas vezes ocultada ou contada com muita timidez pela historiografia tradicional. Da amizade entre Gilgamés e Enkidu, ao desespero de Aquiles por Pátroclo, do apaixonado Alexandre que enlouqueceu com a morte do seu amado Hefestión, ao general Júlio César que procurava bonitos escravos em cada terra que conquistava, de Ricardo Coração de Leão que sucumbiu aos encantos de um trovador da corte, do delicado Maximiliano, imperador do México que viveu uma dolce vita e cuja morte em frente a um pelotão de fuzilamento continua envolta em mistério, ao famoso duque de Windsor que se deixou seduzir por Wallis Simpson e por um atractivo milionário norte-americano.Autor:
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| Actualizado em Segunda, 29 Novembro 2010 18:35 |
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Comentários
Também o próprio título do livro é um pouco discutível, visto que em Português o termo "rainha" não tem a mesma polissemia que em espanhol. Além disso, não são abordados aqui apenas reis, mas também familiares de reis ou simplesmente membros da aristocracia, além de personagens míticas que não tiveram existência na realidade (como é o caso de Gilgamés e Aquiles). E, como se não bastasse, apesar de não ser essa a intenção do autor, incorre-se no ultrapassado preconceito de que um homossexual não é um homem.
Julgo que o interesse deste livro incide mais na abordagem das circunstâncias históricas em que estas personagens viveram do que na enumeração das suas possíveis relações homossexuais e/ou libertinas. De facto, julgo que este é um livro que tem algumas curiosidades históricas, nomeadamente na Introdução, sendo que teria sido mais interessante, no meu ponto de vista, o desenvolvimento da mesma em vez da tradicional divisão dos textos em capítulos abordando cada personagem histórica individualmente .
Não deixa de ser surpreendente encontrarmos algumas das personagens aqui abordadas, uma vez que não foi devido à sua homossexualidad e que ficaram para a História. É o caso de Júlio César, o Infante D. Henrique, D.Pedro I (sim, o mesmo da Inês de Castro), Pedro, o Grande, Afonso de Albuquerque, Ricardo, Coração de Leão, entre outros. Apesar de alguns historiadores começarem agora a mostrarem essa faceta até agora ignorada, não podemos deixar de pensar que isso só acontece por estar na moda falar destes assuntos.
À medida que ia lendo este livro fiquei com a sensação de que o mesmo terá sido escrito a pensar na sua publicação em Portugal (ou pelo menos foi adaptado a isso) devido ao facto de serem aqui abordadas muitas personagens históricas portuguesas que nem nós, portugueses, conhecemos. De facto, parece-me que a publicação deste livro não deixa de ser "inocente", visto que estamos numa altura em que a sociedade portuguesa se está a abrir mais a estes temas (recorde-se que foi há muito pouco tempo o casamento civil entre pessoas do mesmo sexo foi aprovado no nosso país).
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