Sermão de Santo António aos Peixes

Autor: Padre António Vieira
Género: Religião / Filosofia
Edição: Jul/2020
Páginas: 96
ISBN: 9789897025426
Editora: Guerra & Paz

 

 

O padre António Vieira acompanha todo o século XVII português, e o Sermão de Santo António aos Peixes é um esplêndido exemplo da sua grande veia retórica. Este Sermão foi pregado em São Luís do Maranhão, no Brasil, a 13 de Junho de 1654, dia de anos de Santo António e nas vésperas de Vieira viajar até Lisboa para obter, do rei, leis que obstassem à escravatura dos índios. A defesa dos índios e a contestação aos colonos são o mote para este discurso intemporal. Tal como Santo António não conseguia pregar aos hereges, que não o ouviam, Vieira também não é bem-sucedido junto dos colonos e resolve virar-se – alegoricamente – para os peixes, essa primeira criatura de Deus.

Imaginação, sátira e arrebatamento marcam a soberba construção literária desta jóia da retórica e da história da literatura. Um texto que nos toca, a cada um individualmente e à humanidade no seu conjunto, porque «Vós sois o sal da terra». Hoje, que vozes parciais querem afogar Vieira num ideológico revisionismo histórico, este texto é a melhor prova do seu papel pioneiro nas relações entre culturas e na defesa da universal dignidade humana.

Deste autor no Segredo dos Livros:
Cada um é da Cor do seu Coração
Sermão da Sexagésima e Sermões da Quaresma

Autor – Padre António Vieira

Autor:

Padre António Vieira nasceu em 1608, em Lisboa, filho primogénito de um modesto casal burguês, e faleceu na Baía em 1697. Quando tinha apenas seis anos, os seus pais mudaram-se para a Baía, no Brasil, tendo aí iniciado os seus estudos. Cursou Humanidades no colégio da Companhia de Jesus, onde revelou bem cedo dotes excecionais. Aos 15 anos, decidiu ingressar na Companhia de Jesus. Ordenado padre em dezembro de 1634, depressa se avolumou a sua fama de orador e se celebrizaram os seus sermões que criticavam a ganância, a injustiça e a corrupção. Em 1641, Vieira deslocou-se à Metrópole e começou a pregar em S. Roque, Lisboa. O seu talento espalhou-se pela cidade e D. João IV não tardou em convidá-lo a pregar na capela real, sendo, dois anos depois, nomeado pregador régio. A sua situação privilegiada dentro da corte teria contribuído para que fosse encarregue de diversas missões diplomáticas na Holanda, França e Itália. A Companhia de Jesus começou a ver com maus olhos a sua influência nos destinos do país e enviou-o de volta para o Brasil em 1653, para o estado do Maranhão, onde assumiu um papel muito ativo como paladino dos direitos humanos, a propósito da exploração dos indígenas. No ano seguinte pregou o Sermão de Santo António aos Peixes. Acabou expulso pelos colonos, tendo regressado à Metrópole, em 1661. Viveu no Porto e, mais tarde, em Coimbra. Perfilhando as novas expectativas sebastianistas que encontrou no reino, escreveu o Sermão dos Bons Anos, em 1642, sendo preso pela Inquisição sob a acusação de que tomava a defesa dos judeus, acreditava nas possibilidades de um Quinto Império e nas profecias de Bandarra. Quando D. Pedro II subiu ao trono, foi amnistiado e retomou as pregações em Lisboa. Em 1669 parte para Roma como diplomata e obtém grande sucesso como pregador, combatendo o Tribunal do Santo Ofício. Ali ganhou grande reputação e encantou o Papa Clemente X e a rainha Cristina da Suécia, com a sua eloquência. Regressou a Portugal em 1675, mas, desiludido com a perseguição aos cristãos-novos, retirou-se de vez para a Baía em 1681 onde se entregou ao trabalho de compor e editar os seus Sermões. A sua riqueza e propriedade verbais, os paradoxos e os efeitos persuasivos, a sedução dos seus raciocínios, o tom por vezes combativo, e ainda certas subtilezas irónicas, tornaram a arte de Vieira admirável. As obras Sermões, Cartas e História do Futuro ficam como testemunho dessa arte.

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