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| Tartan – As Velas da Liberdade |
| Quinta, 08 Abril 2010 19:26 | |||
![]() Autores: Nuno Silveira Ramos e Pedro Silveira Ramos Edição: Abr/2010 Páginas: 176 Editora: Albatroz Primeiras páginas aqui. «Lê-se de um só fôlego, como quem lê um bom romance de aventuras.» José Eduardo Agualusa Angola, 1978. Em plena guerra civil e no dia das comemorações do terceiro aniversário da independência, seis rapazes fogem de Luanda num veleiro de apenas 13 metros. Orientados por uma bússola, um mapa rudimentar e um rádio a pilhas, cruzam um oceano de dúvidas, medos e anseios, em busca da liberdade e da vida. O seu destino é Portugal, onde acabam por chegar depois de mil e uma vicissitudes. No prefácio da obra, José Eduardo Agualusa é peremptório: “É bom haver livros assim porque nos devolvem à vida, ao puro sabor da vida, e nos permitem continuar a acreditar que em havendo vontade, e um barco propício, toda a viagem é possível.” Mais de 30 anos depois, a publicação desta história ajuda-nos a compreender um período pouco explorado da nossa História e da nossa memória colectiva. É por isso que, a 15 de Abril, a Albatroz publica Tartan – As Velas da Liberdade, dos irmãos Nuno e Pedro Silveira Ramos, o relato fiel e emocionado de uma viagem que soltou amarras e deixou viver. Os autores vão estar presentes no festival LEV – Literatura em Viagem que a cidade de Matosinhos recebe de 16 a 20 de Abril e o livro será apresentado na livraria Bulhosa de Entrecampos, em Lisboa, a 22 de Abril, pelas 18:30. Autores: José Nuno Bobela-Motta da Silveira Ramos nasceu no Huambo em 1964. Após o início da guerra civil, viveu com a família no Namibe, em Benguela e em Luanda. Meia dúzia de anos depois da independência saiu do país com um salvo-conduto temporário e viajou para Portugal. Em 1987 partiu para Macau, onde estudou Comunicação Gráfica e Guitarra Clássica e onde exerceu funções de realizador de rádio na Teledifusão de Macau, profissão que viria a retomar no regresso a Portugal, depois de 1999. Pedro João Bobela-Motta da Silveira Ramos nasceu em Lisboa em 1959 e meses depois viajou para Angola. Passou a época colonial no Huambo e, tal como os seus familiares, passou o tempo de guerra civil em fuga entre Lubango, Namibe, Benguela e Luanda. Na capital angolana, ainda estudante, fez natação de competição no Clube Nun’Álvares Pereira e desenvolveu a sua paixão pelo mar e pela vela. Em 1978, foi um dos que fugiu para Portugal no veleiro Tartan. Actualmente, trabalha numa empresa de observação de golfinhos no Algarve.
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| Actualizado em Sexta, 21 Maio 2010 21:51 |
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Comentários
Foi uma aventura incrível, esta a que se submeteram 6 jovens mar adentro e sem olhar para trás. Em busca de uma nova vida, de um novo rumo, em busca de uma liberdade que se lhes esvaía do corpo em cada minuto mais, passado naquelas terras de além-mar.
Mas o sabor nostálgico também se sente nas entrelinhas. As saudades daquela terra e daquele ritmo de vida é inevitável para quem um dia aquele sol aqueceu a pele.
Foi interessante conhecer um pouco da Luanda que sobrou depois da saída da grande maioria dos portugueses e da instalação definitiva da guerra civil. Os que restaram acabaram por ver a degradação instalar-se e talvez lhes tenha sido um pouco mais fácil a partida. Mas nunca sem as saudades dos tempos que já eram, da Luanda que fora.
Foi uma leitura diferente, que arrepia por sabermos que é um relato verídico. E apesar de ser estranha à maioria dos termos marítimos com frequência utilizados (revelou-se muito útil o glossário), acho que não existiram entraves para que conseguisse apreciar este livro. Afinal sou acima de tudo uma amante de mar.
Gostei muito.
Confesso que estava reticente em ler este livro, estava à espera de uma leitura monótona e complicada. Apesar de não ter sido a minha leitura preferida, fiquei surpreendida pela escrita leve e harmoniosa dos autores. O livro realmente acaba por se tornar uma aventura no mar.
Penso que a leitura deste livro é importante para ficarmos a conhecer o ambiente de Luanda na altura, uma realidade que para mim era algo desconhecida. Fiquei também impressionada, não esquecendo de que este é um relato real, com o heroísmo destas 6 pessoas.
Aconselho a leitura deste livro, é um livro pequeno com uma escrita bastante acessível, que nos da a conhecer a nossa história.
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