Terrarium

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Autores: João Barreiros e Luís Filipe Silva
Género: Ficção Científica
Edição: Jan/2017
Páginas: 568
ISBN: 9789896378578
Editora: Saída de Emergência

 

 

Bem-Vindos ao Futuro e ao Colapso de Todas as Utopias por Nós Sonhadas. Estamos a meio do novo milénio e a Fortaleza Europa acabou de vez. Bruxelas não é mais do que uma cratera radioactiva, as zonas costeiras foram alagadas pela subida das águas e a temperatura ambiente aqueceu até o clima ser quase tropical. Quem olhar para o alto, nos raros dias onde ainda se podem ver as estrelas, vai descobrir um anel gigantesco composto pelas carcaças das naves de exóticos migrantes.

Mas isso não é o pior. A verdade é que entre esses exóticos que nos vieram pedir guarida, existem criaturas ainda mais monstruosas que resolveram transformar o planeta num lugar de consumo: num TERRARIUM, a bem dizer… Preparem-se para viver num mundo prestes a ser assimilado, para o bem ou para o mal, numa nova e efémera Utopia… Agora só nos resta resistir.

Extrato para leitura disponível aqui.

De Luís Filipe Silva no Segredo dos Livros:
A Galxmente

Autor:

João Barreiros é licenciado em Filosofia e ex-professor do ensino Secundário, tendo nascido a 31 de Julho de 1952.
Participou na feitura do Grande Ciclo do Filme de FC de 1984 patrocinado pela Cinemateca Portuguesa e Fundação Gulbenkian, e dirigiu duas efémeras colecções para as editoras Gradiva (Col. Contacto) e Clássica (Col. Limites). É autor de Terrarium (edição de 1996, com Luís Filipe Silva), O Caçador de Brinquedos e Outras Histórias, A Verdadeira Invasão dos Marcianos, as novelas Disney No Céu entre os Dumbos e A Bondade dos Estranhos e a monumental colectânea de contos Se Acordar antes de Morrer.
Participou nas antologias organizadas pela Saída de Emergência, Os Anos de Ouro da Pulp Fiction Portuguesa e A Sombra sobre Lisboa, até acabar por organizar, para a mesma editora, a antologia de retrofuturismo, Lisboa no Ano 2000.


Autor:

Luís Filipe Silva é autor de O Futuro à Janela (Prémio Caminho de Ficção Científica), Terrarium (edição de 1996, com João Barreiros), além de vários contos, críticas e artigos em publicações portuguesas, brasileiras e internacionais.
Como antologista, organizou Vaporpunk - Relatos Steampunk Publicados sob as Ordens de Suas Majestades (com Gerson Lodi-Ribeiro) e Os Anos de Ouro da Pulp Fiction Portuguesa (com Luís Corte Real). A GalxMente foi o seu primeiro romance, publicado inicialmente em dois volumes: «Cidade da Carne» e «Vinganças» (LeYa-Caminho, 1993).

Visite do blogue do autor: blog.tecnofantasia.com

Comentários  

 
#1 Sebastião Barata 2017-08-19 23:11
Não sei se todos os que estão a ler este comentário sabem o que é um "Terrarium". Para quem não sabe, informo que um terrarium é como se fosse um aquário, mas com terra em vez de água. Pode usar-se como objeto decorativo, mas também para fins científicos ou lúdicos. Pega-se numa taça para aquário e coloca-se terra, pedras e cultivam-se plantas de pequeno crescimento que se tratam de modo a manterem-se verdes e bonitas. Há quem coloque miniaturas de animais, para simular um ecossistema. Mas podem também pôr-se pequenos animais verdadeiros, como osgas, lagartixas, borboletas, etc. Geralmente, o terrarium está tapado e só se abre para manutenção.
Podemos imaginar um terrarium de tamanho maior utilizado para fins científicos, como testar culturas ou criação de animais, simulando diferentes condições de temperatura, humidade, luminosidade, etc.

Fica assim mais compreensível o título deste livro. Na verdade, o pano de fundo que percorre este livro é mesmo esse: a Terra ter sido utilizada por civilizações muito avançadas como palco de experiências não só com animais e plantas terrestres, mas também com outras espécies (aqui genericamente designadas como "exóticos") para cá deslocadas pelas referidas inteligências superiores.

Mas o tema é muito mais do que isso. De facto, seria muito menos cativante para o leitor, se fosse só isso. O verdadeiro tema do livro é a luta entre dois tipos de seres superiores que travam entre si uma luta de morte pela posse desse Terrarium: os IXyitil e as Potestades. De uma maneira simplista, poderíamos dizer, inspirando-nos na Bíblia, uma luta entre os anjos e os demónios ou entre Deus e Lúcifer. O interessante é que há um domínio de uma das inteligências sobre a outra, relação que vai ser quebrada e está na base do conflito. Voltando à Bíblia, Lúcifer e os demónios seus discípulos são anjos, mas "anjos caídos" que se revoltaram contra Deus, o seu criador. E não digo mais.

No desenrolar desta luta, acontecem as mais variadas peripécias que vão alterar o decurso da história a cada momento. São traidores que mudam de campo, são avatares enviados à Terra para tentar alterar a evolução da situação, são artefactos de grau muito elevado que são postos nas mãos de seres pertencentes a espécies ainda não preparadas para os utilizar ou seres aos quais é feito um upgrade, de modo a torná-los mais resistentes ou mais inteligentes ou obedientes a um controlo externo.

Interessante e revelador da cultura dos autores (que tem sido revelada também noutros dos seus escritos) é a utilização dos comics, especialmente, os mais dedicados à ficção científica. É-nos apresentada uma Terra futurista, povoada de espécies exóticas, sistemas de navegação terrestre, extraterrestre e intergalática, nomes e tipos de personagens que têm feito as delícias dos amantes da BD, inspirados ou mesmo decalcados nessas publicações, desde as suas origens há cerca de um século até à atualidade. O facto de não ser amante ou habitual leitor de banda desenhada não impede o leitor de desfrutar integralmente deste livro. Mas vai ser muito mais inspirador para os que são, o que, infelizmente, não é o meu caso.

O subtítulo "um romance em mosaicos" deriva do facto de ter resultado de uma primeira história denominada "A arder caíram os anjos" que tinha sido publicada e premiada no Brasil, à qual os autores acrescentaram outras histórias que vieram acrescentar novos dados e pontos de interesse à história inicial, formando a unidade orgânica a que deram o título de "Terrarium". Seja como for, a integração é perfeita e, apesar de ser dito que cada história pode ser lida autonomamente, não o aconselho. É possível que, na versão inicial de há 20 anos, tal acontecesse, mas, depois da revisão, ampliação e atualização feita pelos autores para esta edição redux, é, no meu entender, uma história com princípio, meio e fim que, como tal, deve ser lida consecutivament e até à apoteose final.

Nota: Redux em literatura significa uma nova edição de um livro, para a qual foram acrescentados novos textos e reduzidos, eliminados ou reformulados outros, tornando-se, em certa medida, um livro novo. Aplica-se também ao cinema e à música, quando um filme é remontado ou um disco é remasterizado.
 

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