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| Territórios de Caça |
| Sábado, 07 Novembro 2009 11:08 | |||
![]() Autor: Luís Naves Páginas: 224 Editor: Quetzal Territórios de Caça é a história de um encontro entre dois homens e do confronto entre o presente e o passado. O narrador chama-se Lajos Kormányos, um húngaro nascido em 1961, em Budapeste, cujo nome corresponde à tradução livre de Luís Naves. Não pense o leitor que Kormányos não existe ou que se trata de uma simples personagem - muito pelo contrário: tem uma biografia quase banal e vive numa linha paralela à própria vida do autor. Outra figura chama-se Farkas, o que em húngaro significa lobo, algo que o narrador nunca nos explica. A rua Gogol também existe e a cidade húngara desta história é factual, embora não saibamos o seu nome. A imprecisão da verdade é porventura um dos temas presentes neste livro; mas talvez o leitor encontre aqui o bem e o mal, a traição e o medo, o compromisso e a raiva, o acaso e o destino. Autor: Luís Naves nasceu em Lisboa em 1961. É jornalista desde 1987. Bibliografia: Territórios de Caça (2009 - Livros Quetzal); Homens no Fio (2006 - Campo das Letras); Os Reis da Peluda (2002 - Campo das Letras); O Silêncio do Vento (1999 - Campo das Letras).
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| Actualizado em Sexta, 08 Janeiro 2010 22:19 |
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Comentários
A narrativa passa-se na Hungria, na actualidade, mas podia perfeitamente passar-se em Portugal. As personagens vivem as sequelas deixadas pelo regime comunista, mas podiam perfeitamente viver as sequelas deixadas pelo regime fascista. Tudo gira à volta de um idoso à beira da morte, que foi médico psiquiatra ao serviço da polícia política e parece ter praticado os mais horríveis crimes e ser detentor de valiosos segredos do passado, que podem arruinar muita gente bem colocada na sociedade, se vierem a ser conhecidos. Mas haverá razões para ter remorsos do passado? Poderá o passado condicionar o presente?
Vejamos uma pequena passagem: “Que sabes tu de regimes injustos? Não sabes nada! Nesse tempo havia os entusiastas, os calados, os que se aproveitavam, os que não queriam saber. Um regime só se aguenta se tiver a maioria das pessoas a seu favor, nem que seja por omissão ou terror. (...) Se não fossem os comunistas, não teria estudado nem medicina, nem coisa nenhuma. Foram os comunistas que me educaram, que trataram de mim. Limitei-me a ser fiel a quem tratou de mim. Não podes mudar a história, nem podes condenar uma geração pelo que fez.”
Um livro que dá que pensar. E o pior é que não chega a conclusão nenhuma...
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