Um Deus Passeando pela Brisa da Tarde

 

 

 

Autor: Mário de Carvalho
Edição: Abr/2013 (1ª Ed. na Porto Editora)
Páginas: 360
ISBN: 9789720044334
Editora: Porto Editora

 

Lúcio Valério Quíncio é o magistrado de Tarcisis, cidade romana da Lusitânia no século II d. C. Como dirigente máximo, cabe-lhe tomar todas as decisões, enquanto tumultuosos acontecimentos conduzem a pequena cidade ao descontentamento geral. No exterior, notícias de uma invasão bárbara iminente, proveniente do Norte de África, obrigam-no a drásticas medidas, enquanto, no interior das muralhas, uma nova seita, a Congregação do Peixe, põe em causa os valores da romanidade, evocando os ensinamentos dum obscuro crucificado. No plano íntimo, a paixão devastadora por uma mulher, Iunia, perturba-o e confunde-o, mas sem o afastar do cumprimento do seu dever.

Neste romance em que a ficção se sobrepõe à História, traduzido em nove línguas e galardoado com o Prémio de Romance e Novela da APE, o Prémio Fernando Namora, o Prémio Pégaso de Literatura e o Prémio Literário Giuseppe Acerbi, Mário de Carvalho reconstitui as características culturais, políticas e quotidianas do Império Romano, sem nunca esquecer a «intercessão de certo deus que, nos primórdios, ao que parece, passeava num jardim pela brisa da tarde…».

Primeiras páginas: aqui

Autor – Mário de Carvalho

Autor:

Mário de Carvalho nasceu em Lisboa em 1944. Licenciou-se em Direito e viu o serviço militar interrompido pela prisão. Desde muito cedo ligado aos meios da resistência contra o salazarismo, foi condenado a dois anos de cadeia, tendo de se exilar após cumprir a maior parte da pena. Depois da Revolução dos Cravos, em que se envolveu intensamente, exerceu advocacia em Lisboa. O seu primeiro livro, Contos da Sétima Esfera, causou surpresa pelo inesperado da abordagem ficcional e pela peculiar atmosfera, entre o maravilhoso e o fantástico.
Desde então, tem praticado diversos géneros literários – Romance, Novela, Conto, Ensaio e Teatro –, percorrendo várias épocas e ambientes, sempre em edições sucessivas. Utiliza uma multiforme mudança de registos, que tanto pode moldar uma narrativa histórica como um romance de atualidade; um tema dolente e sombrio como uma sátira viva e certeira; uma escrita cadenciada e medida como a pulsão de uma prosa endiabrada e surpreendente.
Nas diversas modalidades de Romance, Conto e Teatro, foram-lhe atribuídos os prémios literários mais prestigiados (designadamente os Grandes Prémios de Romance e Novela, Conto e Teatro da APE, prémios do Pen Clube Português e o prémio internacional Pégaso de Literatura). Em junho deste ano foi distinguido com o Grande Prémio de Crónica e Dispersos Literários, da Associação Portuguesa de Escritores, pela obra O que ouvi na barrica das maçãs.
Os seus livros encontram-se traduzidos em várias línguas. Obras como Os Alferes, A Inaudita Guerra da Avenida Gago Coutinho, Um Deus Passeando pela Brisa da Tarde, O Varandim seguido de Ocaso em Carvangel, A Liberdade de Pátio ou Ronda das Mil Belas em Frol são a comprovação dessa extrema versatilidade.

Página do autor: www.mariodecarvalho.com

2 comentários
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Comentários

  • Sebastião Barata

    Agosto 10, 2013 às 15:06
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    Nunca tinha lido nada de Mário de Carvalho, pelo que aproveitei com ambas as mãos a oportunidade que me surgiu de ler este livro. Segundo as afirmações do comentador que me precedeu, devo ter tido a sorte de me cair nas mãos a obra de Mário de Carvalho mais ao meu gosto.Na verdade, pude constatar ao longo da leitura que se trata de um romance histórico, localizado na Lusitânia, numa época em que as tradições romanas, em início de decadência, se degladiavam com a emergente religião cristã que vinha lançar uma réstea de esperança sobre uma população cansada de ser […] Ler Mais...Nunca tinha lido nada de Mário de Carvalho, pelo que aproveitei com ambas as mãos a oportunidade que me surgiu de ler este livro. Segundo as afirmações do comentador que me precedeu, devo ter tido a sorte de me cair nas mãos a obra de Mário de Carvalho mais ao meu gosto.Na verdade, pude constatar ao longo da leitura que se trata de um romance histórico, localizado na Lusitânia, numa época em que as tradições romanas, em início de decadência, se degladiavam com a emergente religião cristã que vinha lançar uma réstea de esperança sobre uma população cansada de ser explorada despoticamente por uma corja de cidadãos que viviam uma vida faustosa, mas cheia de aparências e falsidades.O autor sintetiza na personagem de Lúcio Valério Quíncio o que restava de honradez, de autenticidade, de dedicação à função, de defesa dos valores que levaram Roma à categoria de sede, origem e sol de um grande Império. Lúcio defende a tolerância, o respeito pelas crenças individuais e a cultura como um dos baluartes do Império. Como todos os que põem a honradez e o serviço público acima dos seus interesses pessoais, Lúcio viu-se relegado pelos seus pares, confundido em sujos jogos partidários, abominado pelas turbas manobradas por políticos arrogantes, detestado pelos seus superiores enganados pelas maquinações dos seus adversários e viu os seus feitos valorosos serem ignorados ou, ainda pior, transformados em vilanias e atos de cobardia. "Oh tempora! Oh mores!"... (Cícero, Catilinárias).Como estas afirmações continuam atuais! Estará a democracia do século XXI à beira de seguir os passos da democracia do século II? Estará a nossa sociedade tão decadente como o Império Romano e à mercê dos novos bárbaros e das novas ideologias que a atacam por todos os lados? Como Mário de Carvalho nos alerta, num estilo inconfundível de parábola e com uma ironia perfeita!Oxalá os nossos políticos não terminem os seus dias numa "mediocridade dourada", na sua casa de campo, perdidos num ócio indesejado a filosofar como Lúcio: [i]"Quando esta geração morrer não ficará memória das alterações que em dias de desgraça ensanguentaram estas paragens. Restarão talvez anotações em livros que ninguém lerá, até serem, eles próprios, destruídos pela crueza do tempo e desatenção dos homens, na melhor das hipóteses"[/i].Um livro excelente de um autor português que, merecidamente, alcançou projeção internacional. Read Less

  • João Teixeira

    Maio 13, 2013 às 10:09
    Responder

    Este livro acabou por se revelar bem diferente daquilo a que estou habituado em Mário de Carvalho. Deste autor, já li muitos livros (lembro-me assim de repente de [i]Era Bom Que Trocássemos Umas Ideias Sobre o Assunto[/i], [i]Fabulário[/i], [i]Quatrocentos Mil Sestércios[/i], [i]A Inaudita Guerra da Avenida Gago Coutinho[/i]...), todos escritos num tom jocoso e hilariante, alguns de pequenos contos, mas todos muito bem arquitectados e interessantíssimos.Como nunca leio as sinopses das contra-capas dos livros de autores que já conheço (não gosto que a experiência de descobrir um novo livro daquele autor seja previamente contaminada), não sabia do que tratava a […] Ler Mais...Este livro acabou por se revelar bem diferente daquilo a que estou habituado em Mário de Carvalho. Deste autor, já li muitos livros (lembro-me assim de repente de [i]Era Bom Que Trocássemos Umas Ideias Sobre o Assunto[/i], [i]Fabulário[/i], [i]Quatrocentos Mil Sestércios[/i], [i]A Inaudita Guerra da Avenida Gago Coutinho[/i]...), todos escritos num tom jocoso e hilariante, alguns de pequenos contos, mas todos muito bem arquitectados e interessantíssimos.Como nunca leio as sinopses das contra-capas dos livros de autores que já conheço (não gosto que a experiência de descobrir um novo livro daquele autor seja previamente contaminada), não sabia do que tratava a história deste livro (tinha a vaga ideia de que se passava no período histórico do Império Romano). Por isso, foi bastante agradável ir avançando nas páginas deste livro e ir-me apercebendo da fabulosa reconstituição histórica (e também linguística) do período em questão. Com este livro, temos oportunidade de conhecer a vida de uma cidade romana na Lusitânia do século III, nomeadamente no que às personagens que a compunham diz respeito.Gostei bastante de conhecer a personagem principal, este Lúcio Valério Quíncio que se vê confrontado com o dever público em detrimento dos interesses privados ou simplesmente mesquinhos dos restantes cidadãos poderosos de Tarcisis (cidade ficcionada onde decorre a acção). Até mesmo quando se prova que Lúcio tinha razão em reconstruir a muralha da cidade para a proteger da invasão dos bárbaros do norte de África, parece não recolher os favores dos seus pares. Em simultâneo, vê-se a braços com o surgimento de uma nova seita religiosa que advoga o fim dos tempos e o estabelecimento de uma nova ordem celeste na Terra, cuja principal mentora o despreza, ainda que ele (apesar de casado) alimente uma paixão por ela, mas que nunca poderá concretizar.Enfim, não fico admirado por este livro estar no 4.º nível de proibição dos livros que podem ser lidos pelos membros da Opus Dei (confirmar em http://www.almudi.org/Libros/tabid/501/A/ViewSearch/sortBy/cf40/sortDir/Ascending/Default.aspx. Talvez o facto de o livro figurar nesta lista ainda me tenha dado mais prazer em tê-lo lido. 7 em 10 estrelas. Read Less

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