Um Repórter Inconveniente

Autor: Aurélio Cunha
Edição: Fev/2015
Páginas: 444
ISBN: 9789895128358
Editora: Chiado Editora

 

 

 

“UM REPÓRTER INCONVENIENTE-Bastidores do jornalismo de investigação” é a história real de um jornalista que, para o ser, tal como a sua consciência profissional o exigia, teve de recorrer à clandestinidade dentro do seu próprio jornal, o “Jornal de Notícias”, na altura o de maior tiragem do país. E fê-lo, recusando a condição de escriturário da redacção, para enveredar, à revelia das chefias, pela investigação jornalística, género então pouco ou nada praticado nos jornais portugueses.

Para realizar algumas das reportagens, que levaram a Assembleia da República a promulgar novas leis e a alterar outras, o jornalista sentiu-se na necessidade de recorrer a baixas médicas psiquiátricas para poder trabalhar e, assim, concluir as investigações para as quais o jornal não lhe dava condições.
Teve também de pagar do seu bolso despesas que fez ao serviço do jornal.
“UM REPÓRTER INCONVENIENTE” revela os bastidores ocultos de trabalhos jornalísticos de grande impacto público, tais como:

  • Tráfego de órgãos roubados a cadáveres nas morgues de Porto e de Lisboa;
  • Transfusões sanguíneas mortais;
  • A vida para lá das grades de Custóias;
  • Clientes de um banco já falecidos há anos continuavam a “assinar” cheques;
  • A máfia dos cangalheiros na disputa dos corpos nas morgues dos hospitais;
  • Os assinantes dos Telefones de Lisboa e Porto tinham «um ladrão dentro de casa»;
  • O destino do dinheiro e das toneladas de ouro oferecidas para pagamento de promessas em Fátima;
  • Desvio de medicamentos comparticipados pelo SNS, para o doping de atletas de alta competição;
  • Julgamentos “encenados”, em que os acórdãos já estavam «cozinhados» mesmo antes da respectiva audiência;
  • Crianças da zona ribeirinha de Gaia que iam para a escola primária cheias de fome e embriagadas;
  • Aliciamento de raparigas para a prostituição, com agentes da PSP e da PJ envolvidos no tráfico;
  • Maternidade do Serviço Nacional de Saúde transformada na maior fábrica de deficientes do país;
  • Clínica privada ilegal no IPO do Porto, na qual quem pagasse era operado de imediato e quem não tivesse dinheiro ia para as intermináveis filas de espera;
  • Clínicos a quem, mediante a prescrição de determinados medicamentos, eram oferecidas contrapartidas financeiras, desde presentes de todo o tipo a dinheiro vivo;
  • Visita com o bispo do Porto ao inferno da vida dos moradores do bairro da Sé, em que pôde aperceber-se como aquela gente apodrecia viva;
  • Mulherzinhas cujo ganha-pão era assistir a missas, para aliviar a consciência dos seus clientes;
  • Abade das Antas que, a partir do altar, liderou uma revolta contra a Câmara Municipal do Porto;
  • Peritos da Contrastaria da Imprensa Nacional-Casa da Moeda eram suspeitos de legalizar obra ilegal;
  • Hospitais e consultórios de radiologia de Lisboa e Porto que violavam manifestamente as normas de segurança impostas por lei;
  • O Instituto do Vinho do Porto estava a certificar com o seu selo de garantia verdadeira zurrapa, aprovando vinhos… reprovados pelos seus provadores.

O livro é uma espécie de reportagem sobre as reportagens do autor, onde ele desvenda os caminhos inverosímeis que teve de percorrer para as concretizar.

Dois professores universitários de jornalismo pronunciam-se:
Manuel Pinto, do Departamento de Ciências da Comunicação da Universidade do Minho, considera que o trabalho tem “histórias fabulosas, que são o testemunho de uma vida e de uma época”, as quais “merecem ser contadas, ser publicadas e ser lidas”.
Na opinião de Ricardo Jorge Pinto, da Universidade Fernando Pessoa, o escrito em apreço “vai ser um livro fantástico, que faz falta para quem quiser compreender o que foi um certo século XX” .

Autor – Aurélio Cunha

Autor:

Aurélio Cunha, nascido no Porto, em 1941, iniciou a sua carreira de jornalista no vespertino portuense Diário do Norte (1968). Ingressou (1973) no Jornal de Notícias, como repórter, e desvinculou-se (2003) como redactor-principal. Pertenceu, ainda, aos quadros da Gazeta dos Desportos, de Fevereiro a Setembro de 1981. Colaborou regularmente no Expresso, de Outubro de 1989 a Maio de 1991, e de Março de 2004 a Janeiro de 2009.
Foi delegado sindical do JN (de 30 de Abril de 1980 a Março de 1981). Por várias vezes, foi-lhe atribuído o “Prémio Pacheco de Miranda”, destinado a distinguir, anualmente, elementos do quadro redactorial do Jornal de Notícias.

1 comentários
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Comentários

  • Sebastião Barata

    Fevereiro 3, 2015 às 0:23
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    Nem por coincidência: Joaquim Letria referiu-se hoje a este livro na TVI, dia em que acabei de o ler. Começo já por dizer que é um livro de memórias com grande interesse social e que todos deviam ler. Infelizmente, vai passar ao lado de muita gente, simplesmente por não pertencer ao catálogo de uma editora das ditas "de referência". Mas é pena e, se não tem preconceitos, aconselho-lhe vivamente a sua leitura.O autor, Aurélio Cunha, foi um dos primeiros jornalistas que se dedicam ao jornalismo de investigação em Portugal. É um tipo de jornalismo que exige muito trabalho, grande dedicação […] Ler Mais...Nem por coincidência: Joaquim Letria referiu-se hoje a este livro na TVI, dia em que acabei de o ler. Começo já por dizer que é um livro de memórias com grande interesse social e que todos deviam ler. Infelizmente, vai passar ao lado de muita gente, simplesmente por não pertencer ao catálogo de uma editora das ditas "de referência". Mas é pena e, se não tem preconceitos, aconselho-lhe vivamente a sua leitura.O autor, Aurélio Cunha, foi um dos primeiros jornalistas que se dedicam ao jornalismo de investigação em Portugal. É um tipo de jornalismo que exige muito trabalho, grande dedicação e muita coragem. Na maior parte das vezes, os trabalhos que publicava iam colidir com interesses instalados, com compadrios, com corrupção, com a atividade de gangues que se dedicavam à mais variada espécie de crimes, como assaltos, prostituição, pedofilia, tráfico de droga, etc. Denunciou situações de fuga ao fisco, má gestão da coisa pública, atentados à saúde dos cidadãos, colaboração de membros da autoridade com criminosos, deturpação de produtos e sua venda como genuínos, etc. Por tal motivo, não admira que fosse perseguido e ameaçado, incompreendido e prejudicado deliberadamente por colegas, superiores, administradores de empresas públicas e privadas e até membros do governo. Começou a trabalhar poucos anos antes do 25 de abril de 1974 e manteve-se no ativo perto de 40 anos, quase sempre no Jornal de Notícias. Tem, por isso, muitas histórias para contar...Este livro não reproduz as reportagens feitas pelo autor, mas sim o que chamaria a reportagem das reportagens. O autor narra as diligências a que teve de proceder, as artimanhas de que se serviu para conseguir a informação, o cuidado que punha no apuramento da verdade e na posse de gravações, documentos e outros comprovativos para que não o pudessem acusar de mentiroso, faccioso ou caluniador. No entanto, não se livrou de ser indiciado e investigado por diversas vezes. No entanto, orgulha-se de somente um processo ter chegado a tribunal e acabar por ser absolvido.Este livro mostra-nos os muitos podres que, pelos vistos, desde sempre abundaram na sociedade portuguesa e, pelas notícias, investigações e processos atualmente em curso, continuam vivos, apesar de todas as denúncias feitas ao longo do tempo e da nova legislação que tais denúncias forçaram a ser publicada. É por isso que digo ser uma obra de grande interesse cívico e merecedora de ser lida. São obras destas que nos alertam para a luta contra a corrupção e o crime em geral que deve ser um ponto de honra de todo o cidadão consciente. [i][b]Não é mal denunciar, mal é calar![/b][/i]Das muitas reportagens referidas, refiro somente, a título de exemplos, algumas das que mais me impressionaram:- A maternidade pública que era uma "fábrica de deficientes", porque as parteiras se davam ao luxo de atrasar partos para não coincidirem com mudanças de turno, ou até por motivos muito mais comezinhos como a enfermeira assinar o ponto e sair por ter uma festa de anos em casa;- O negócio do sangue, em que sangue de drogados, portadores de virus da sida e outras maleitas era recolhido em locais de recolha, muitas vezes sem as devidas condições, e imediatamente transfundido em doentes que dele precisavam, sem qualquer tratamento ou análise prévia;- O falado caso dos delegados de propaganda médica, através dos quais os laboratórios gratificavam com enormes presentes, e até dinheiro, os médicos que prescrevessem certos medicamentos;- As hipófises que eram roubadas aos cadáveres nas morgues e exportadas clandestinamente para a produção de medicamentos para o nanismo, que nem sequer depois eram vendidos em Portugal;- O negócio das funerárias que tinham informadores dentro dos hospitais e se degladiavam como "abutres" pela disputa de cadáveres, muitas vezes quando o doente ainda nem tinha falecido;- Casos de medicina privada exercida dentro dos hospitais do Estado e da consequente ultrapassagem das filas de espera por aqueles que podiam pagar;- O caso do IVP que certificava como "Vinho de Porto" as maiores surrapas, de muito pior qualidade do que imitações produzidas em Espanha, África do Sul, EUA e outras origens.A lista é interminável. Deixei estas para abrir o apetite. Não deixe de ler este livro, deixe-se mentalizar e colabore com as autoridades (e porque não com jornalistas sérios?) na denúncia dos casos de que tenha conhecimento seguro, para que a nossa sociedade seja mais justa. Todos temos a ganhar. Read Less

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