Uma falha nos dentes

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Autor: João Gesta
Género: Poesia
Edição: Mai/2019
Páginas: 72
ISBN: 9789720031990
Editora: Porto Editora

 

 

«O que João Gesta escreve é eminentemente resistência, uma natureza avessa, coisa da contracultura que não se apazigua, não se disciplina. O seu efeito não é atinente ao arrumado pelas classificações comuns, sua poética é apoética ou disfarçada de parangona, protesto de parede, boato nada dissimulado.

A obra discreta de João Gesta representa um dos casos mais genuínos de coerência na corrosão do politicamente correcto. A ironização profunda da realidade, incluindo-se nas figuras sempre falhas e de que o mundo se faz, o seu tom impiedoso é sobretudo uma forma de terna desconstrução. Seu humor é sem violência, muito ao contrário, aqueles a que alude mais quer dominar sexualmente do que eliminar da face da terra.
A sexualidade sinuosa, meio a prometer em cada verso, é fundamental para se entender quanto sua intenção é tanto um modo de desmascarar quanto de sedução e, nesse sentido, verdadeiramente não há opostos, proscritos ou santos. Tudo converge e pode participar, todos convergem e podem participar e ser amados. A mundividência de João Gesta não admite preconceitos como, desde logo, não aceita pudores entre a erudição e a coloquialidade. Da política à música, da espiritualidade à poesia, a vida pousa toda no livro de Gesta sem tretas.
Na tradição de O'Neil ou César Monteiro, a espaços, acompanhado por Daniel Maia-Pinto Rodrigues, João Habitualmente, Regina Guimarães ou Nuno Moura. João Gesta é mestre da mais séria cerimónia, a que lida com seus convidados a nu.»
Valter Hugo Mãe

Autor:

João Gesta. 1953. Há anos assim…
Avençado e, poucas vezes, avançado esquerdo.
Acredita em Deus e na Revolução, não necessariamente por esta ordem.
Já escreveu seis livros de fricção, organizou duas colectâneas poéticas e, ao serviço da Câmara Municipal do Porto, programa desde 2002 o ciclo literário “Quintas de Leitura”.
É trotskista, leixonense e benfiquista. Reconhece que está longe da perfeição.
Toma, ao acordar, Spasmomen, Candesantan, Pantoprazol, Zyloric e Centrum 50 +. Só depois se aventura triunfalmente à estrada, rumo ao Silo Auto. Vai em breve aderir ao Dolviran e à Angelina Jolie. A quinoa ficará para mais tarde.
No dia 25 de Abril de 2013 foi distinguido com a Medalha Municipal de Mérito – Grau Prata da Cidade do Porto. Ficou orgulhoso e foi festejar para o Lingerie.
Quando for grande quer ser Ministro do Ar e Mar Adentro. Os primos ficarão à porta.

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Uma Pequena Palavra...

"Algumas obras morrem porque nada valem; estas, por morrerem logo, são natimortas. Outras têm o dia breve que lhes confere a sua expressão de um estado de espírito passageiro ou de uma moda da sociedade; morrem na infância. Outras, de maior escopo, coexistem com uma época inteira do país, em cuja língua foram escritas, e, passada essa época, elas também passam; morrem na puberdade da fama e não alcançam mais do que a adolescência na vida perene da glória. Outras ainda, como exprimem coisas fundamentais da mentalidade do seu país, ou da civilização, a que ele pertence, duram tanto quanto dura aquela civilização; essas alcançam a idade adulta da glória universal. Mas outras duram além da civilização, cujos sentimentos expressam. Essas atingem aquela maturidade de vida que é tão mortal como os Deuses, que começam mas não acabam, como acontece com o Tempo."
Fernando Pessoa, in Heróstrato