Uma Longa Viagem com António Lobo Antunes

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Autor: João Céu e Silva
Edição: Set/2009
Páginas:
496
ISBN: 9789720040701
Editora: Porto Editora

 



Lobo Antunes no divã de Céu e Silva
Uma Longa Viagem com António Lobo Antunes será, a partir de agora, o retrato mais completo do escritor que sempre se proibiu de contar toda a sua verdade.
Este é mais um volume da série de entrevistas com notáveis portugueses que o jornalista João Céu e Silva transporta para livro. Uma Longa Viagem com António Lobo Antunes reúne os diálogos que o entrevistador e o autor mantiveram durante três anos de encontros.

No armazém onde escreve, António Lobo Antunes alimenta-se da difusa claridade do criador premiado e com sucesso em todo o mundo mas, ao mesmo tempo, gasta-se na escuridão do homem marcado pelas vaidades que protagonizou no passado, de um dia de violência que não esquece em Angola e da ausência de uma paixão que o cegue para a eternidade.
Ao longo desta viagem, António Lobo Antunes sorriu e chorou, contou segredos e anedotas, blasfemou e perdoou, foi cruel com quem não se espera e nada simpático com os autores de best-sellers, deixou ver como concebe um livro do princípio ao fim, confessou o medo de um dia ser incapaz de iniciar um romance, desabafou sobre o amor falhado com a mulher da sua vida, radiografou as relações com a família, revelou o pânico de voltar a sofrer com o cancro, explicou porque é que já não espera quase nada dos anos que lhe falta viver e assumiu que as tendências suicidas ainda não o abandonaram.
Uma entrevista que é uma longa-metragem dos muitos medos e das poucas alegrias que fazem de António Lobo Antunes um escritor que parece viver no limiar do apocalipse pessoal e que afirma ter no ofício da escrita a sua razão de viver.

Autor:

João Céu e Silva nasceu em Alpiarça, em 1959, licenciou-se em História durante os anos em que viveu no Rio de Janeiro e é, desde 1989, jornalista do Diário de Notícias.
Fátima – A profecia que assusta o Vaticano é a sua terceira investigação histórica, após 1961 – O ano que mudou Portugal e 1975 – O ano do furacão revolucionário, que se seguiram à série de investigação literária Uma longa viagem com os escritores José Saramago, António Lobo Antunes, Álvaro Cunhal, Manuel Alegre e Miguel Torga. Em 2013 recebeu o Prémio Literário Alves Redol pelo romance A Sereia Muçulmana, uma das suas obras de ficção publicadas.

Comentários  

 
#2 Sílvia 2009-11-03 11:24
É uma longa, longa, longa viagem com António Lobo Antunes e vale a pena fazê-la para conhecer o António, o Lobo e o Antunes, o que resulta num ser único, extraordinário e estranho.
Dá-nos a conhecer um homem muito culto, sem pudor e acima de tudo encontramos um lado mais sensível e emotivo do escritor que reflecte os episódios mais marcantes da sua vida (guerra, morte da 1ª mulher - o seu único grande amor - e dos seus melhores amigos, a doença - câncro nos intestinos - bem como a angústia e o sofrimento em escrever melhor que o anterior).
Vemos um homem diferente que "mostra o jogo, joga com as cartas viradas para cima" evitando entrar em pormenores acerca dos seus livros já escritos e que vive num mar de dúvidas e incertezas para escrever "o" livro, o definitivo.
Este livro é a transcrição integral das entrevistas que foram realizadas durante 2 anos, conferindo-lhe um toque mais pessoal, uma vez que o António Lobo Antunes fala na 1ª pessoa. Mas a certo ponto no livro parece que estamos a ler as mesmas perguntas e o escritor a dar as mesmas respostas, tornando-se repetitivo.
Durante o livro o que deixa a desejar são os raciocínios, algumas perguntas desnecessárias e repetitivas e alguns registos realizados pelo autor – João Céu e Silva.
Aspecto positivo - conhecer um homem bom.
Aspecto negativo - a falta de objectividade e a repetição nas perguntas.
Classificação - ****
 
 
#1 Joana Caires 2009-10-16 23:30
Este livro reúne essencialmente, quase três anos de conversas entre João Silva e António Lobo Antunes. Ao lê-lo não consegui evitar cair na monotonia. O esquema pergunta-respos ta que se prolonga por todo a obra é o principal responsável. Embora seja um retrato cru e fiel de Lobo Antunes, uma pessoa singular, esta viagem de diálogos é demasiado longa para mim. Confesso que nunca li um livro com este esquema... talvez por causa disso não o consegui apreciar totalmente.É muito diferente do que aquilo que costumo ler. Mas, apesar deste percalço fiquei fascinada com António Lobo Antunes. É frontal, de uma requintada sagacidade e não tem pudores... Passei a admirar o homem que vive com o escritor. Não sei se me faço entender... Lobo Antunes não se coíbe em falar de tudo. E quando digo de tudo é mesmo de tudo. Da família, dos livros, dos amigos, do panorama actual português e internacional e do cancro de que padece. Houve momentos verdadeiramente supreendentes para mim como a confissão de vários pensamentos suicidas e outros verdadeiramente esclarecedores. É um livro que me custou a ler porém, ver Lobo Antunes totalmente desprovido de preconceitos e barreiras foi uma experiência nova e uma contribuição para a minha pequena maturidade literária.

EXCERTOS:

"Quando não está a escrever, sente-se a enganar o mundo?
Não. Sinto uma certa culpabilidade, como se me tivessem dado uma coisa e não estivesse a transmiti-la."
.
"Ser escritor é um título muito grande!"
.
"No outro dia disse que o escritor antes dos trinta anos não tinha maturidade para escrever...
É possível escrever poesia, mas para escrever isto ( um romance) é preciso ter vivido primeiro."
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"O que me irritava e o que me tornava o cancro insuportável-ca ncro...a palavra é horrível-era ele estar dentro de mim, porque se ele estivesse fora eu podia agarrar numa metralhadora G3. Mas não, eu estava na mão dos médicos, não podia lutar a não ser através da vontade da viver e do desejo de ultrapassar a situação, mas não podia fazer nada. Essa parte era horrível, a impotência perante isso é que era horrível."
.
"Um amigo fica sempre dentro de nós, não é? E a dor permanece.(...) E um amigo é uma pessoa que nos faz sofrer(...)"
 

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Uma Pequena Palavra...

"Algumas obras morrem porque nada valem; estas, por morrerem logo, são natimortas. Outras têm o dia breve que lhes confere a sua expressão de um estado de espírito passageiro ou de uma moda da sociedade; morrem na infância. Outras, de maior escopo, coexistem com uma época inteira do país, em cuja língua foram escritas, e, passada essa época, elas também passam; morrem na puberdade da fama e não alcançam mais do que a adolescência na vida perene da glória. Outras ainda, como exprimem coisas fundamentais da mentalidade do seu país, ou da civilização, a que ele pertence, duram tanto quanto dura aquela civilização; essas alcançam a idade adulta da glória universal. Mas outras duram além da civilização, cujos sentimentos expressam. Essas atingem aquela maturidade de vida que é tão mortal como os Deuses, que começam mas não acabam, como acontece com o Tempo."
Fernando Pessoa, in Heróstrato