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Uma Menina de Boas Famílias |
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Domingo, 11 Dezembro 2011 22:59 |
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Autora: Elizabeth Edmondson Edição: Nov/2011 Páginas: 560 ISBN: 9789892316390 Editora: ASA
Ela não é o que parece… Em 1932, três amigas vão estudar para Oxford: Verity, filha de um pastor anglicano; Lady Claudia, uma jovem aristocrata; e Lally, filha de um senador. Vee, uma impetuosa maria-rapaz, planeia usar a sua liberdade para corrigir tudo o que falhou na sua infância desprovida de amor. O seu fascínio pelo jovem Alfred abre-lhe as portas das misteriosas sociedades secretas e irá conduzi-la a uma imprevisível carreira como agente secreta.
Claudia é resplandecente e intensa, e sente-se igualmente atraída por um misterioso grupo, ou melhor, por um dos seus membros em particular: o sofisticado John Petrus. É sob a sua influência que viaja para a Alemanha e se deixa enredar nos meandros do fascismo. Entre duas personalidades tão fortes, Lally, a americana glamorosa, tenta manter viva a chama da amizade mas, na verdade, está céptica e preocupada com as opções e crenças extremas das suas amigas. Mas o assustador ano de 1938 traz consigo a desilusão e Vee decide partir para a Índia. Uma decisão tempestuosa, ensombrada pelo perigo e pelo receio da guerra. Uma viagem que mudará para sempre a sua vida e a das suas amigas.
Da mesma autora no Segredo dos Livros: Uma Villa em Itália A Casa do Lago
Autora: Elizabeth Edmonson nasceu no Chile e cresceu em Calcutá e Londres, antes de ir estudar para Oxford. Divide actualmente o seu tempo entre Itália e Inglaterra. Está casada com um historiador de arte e tem dois filhos. Na ASA estão também publicados com grande sucesso os seus romances Uma Villa em Itália, A Arte de Amar, A Casa do Lago e Uma Mansão na Bruma.
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Actualizado em Quinta, 15 Dezembro 2011 10:51 |
Comentários
A sinopse que vem na contra-capa engana um bocado e o livro acaba por ser um pouco grande demais para descrever os anos entre 1932 e 1938 e contar-nos a vida de Verity, uma rapariga que vai desafiar a família e ir para a faculdade, onde irá ter contacto com outras realidades. Retrata a época antes da 2ªGuerra e como era o cenário político-social.
Apesar de na sinopse dizer que o livro é sobre três amigas, é maioritariament e sobre uma só e as decisões que ela tomou ao longo da vida. As outras duas acabam por ser um bocado secundárias. Devido a um ou outro detalhe, pensei que iria ter mais drama ou que tivesse mais significado para a história e isso não se veio a revelar.
Uma estória bem estruturada e rica, numa linguagem envolvente e agradável sobre uma época que muito tem para contar, através de personagens inteligentes, cultas e determinadas.
Contudo, apesar de lhe reconhecer mérito, peca neste livro, por ser extenso e muito descritivo. A autora enquadra no tempo e no espaço as personagens e toda a narrativa, com uma riqueza de detalhes que são, certamente, resultado de apurado estudo e investigação.
A história passa-se no período pré-II Guerra Mundial, entre 1932 e 1938 no Reino Unido. As personagens principais são as Três Graças, Verity, aliás Vee, Claudia e Lally. As secundárias são um grupo de jovens estudantes - os Anjos, que não é nada mais que uma espécie de clube ou sociedade secreta masculina, onde fervilham ideias políticas.
A sexualidade e os afectos também são um tema de fundo e influenciam as suas escolhas e ideologias.
Recomendo para quem aprecia histórias, neste período específico da História.
Os anos em Oxford fortaleceram laços de amizade e permitiram-lhes conquistar a liberdade, mas também uma maior consciência social o que as conduziu a um jogo perverso e a tomar posições arriscadas para as suas próprias vidas.
Considero que a história está bem estruturada e que a autora foi bem sucedida na descrição da sociedade londrina e dos jogos de poder, assim como na forma como apresentou ideologias políticas. No entanto, peca pela ingenuidade das personagens. Na minha opinião, o livro acaba de maneira abrupta, deixando o travo amargo de uma obra incompleta. Simplesmente, não é livro para mim.
A trama ocupa o espaço temporal de 1932 a 1938, um período pré-Segunda Guerra Mundial, sendo este um motivo de enganos, traições e tragédias nesta fascinante estória.
A acção foca-se em três distintas amigas: Verity, conhecida como Vee, filha de um deão e prima de um conde; Lady Claudia, irmã do dito conde, por isso prima de Vee; e por fim, Lally, uma americana chegada a Inglaterra que, acidentalmente, se cruza com as duas primas, criando laços de amizade para toda a vida.
Numa época em que as mulheres lutavam pela sua emancipação, Vee, Claudia e Lally ingressam na vida académica, frequentando uma faculdade feminina em Oxford.
É nestes curtos anos de universidade que se formam amizades, muito graças a Hugh, irmão de Vee e também ele frequentador de Oxford, mas na faculdade masculina.
Vee, sendo a personagem mais interveniente da trama, e pelos olhos da qual ficamos a conhecer a sociedade da época, é uma jovem campónia e inocente que se apaixona pela causa comunista, candidatando-se ao respectivo partido, a pedido do seu querido e amado Alfred, acabando por engrenar por caminhos perigosos que a levaram a sacrificar o corpo e vender a alma ao Diabo para sobreviver e levar as suas ideologia avante.
Casa-se com Giles, o ex-amante de Hugh, que continua apaixonado pelo irmão de Vee até ao seu último fôlego, mas que, por questões políticas, necessita de um casamento de fachada, propondo a Vee o casamento. Sendo uma proposta vantajosa para Moscovo, Vee aceita, mas acaba por se arrepender facilmente.
Lally, embora alvo da paixão do jovem Joel, casa com um militar viúvo, Mr. Messenger, de uma tradicional e antiga família inglesa, desafiando a sua própria família. Cuida de Peter, o seu enteado, como se fosse seu filho, o que causa mau estar no seio matrimonial, fraqueza essa explorada por Moscovo, de forma brutal e que atormentará Vee para sempre.
Claudia não casará, pois vive na esperança de que Petrus, o seu amante, lhe faça a proposta e a torne sua, ignorando o homem perigoso que Petrus é e o que se passou entre ele e Vee, nos tempos de faculdade.
Vee, a mais modesta e discreta, acaba por ser o elo de ligação entre todos, de formas bizarras e doentias, reflectindo-se na sua personalidade e sanidade mental, levando-a a uma vida de ebriedade, escapando às más memórias com o abuso do álcool. Até que, em 1938, Alfred reaparece, agora um homem maduro e consciente do sofrimento da sua querida Vee, e lhe propõe um escape.
Confesso que as primeiras 100 páginas do livro foram confusas e melancólicas, muito devido a todos os nomes, alcunhas e títulos das personagens, sendo difícil distingui-las, mas, após esse período inicial, foi-me impossível parar a leitura!
A narrativa tornou-se ritmada e fluída e, acima de tudo, extremamente cativante.
Edmondson consegue embrenhar o leitor na estória, envolvendo-nos de tal forma, que nos vemos a debater-nos internamente com determinadas personagens pelas suas opiniões controversas, machistas ou até mesmo fascistas.
Numa altura em que a mulher é menosprezada e os conceitos políticos extremistas estão à tona, a acção torna-se interessante e despoleta emoções e frustrações no leitor, o que nos mantém prisioneiros do livro até à última página.
Uma escrita genial, de uma mente brilhante, para leitores ávidos.
"Uma Menina de Boas Famílias" é uma leitura intensa, polémica e provocante, que dá o que falar, extasiando o leitor com uma estória magnífica!
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