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 Autor: Ian Rankin Edição: Out/2010 Páginas: 432 Editora: Porto Editora
Ninguém gosta do departamento de assuntos internos da polícia – o “Lado Negro”, como é conhecido no meio -, onde polícias investigam outros polícias. É aí que trabalha o inspector Malcolm Fox, numa secção responsável pelos casos mais graves de racismo e corrupção. Enquanto a sua carreira vai de vento em popa, com mais uma investigação bem-sucedida e mais um polícia corrupto desmascarado, a sua vida pessoal deixa muito a desejar. Atormentado entre a culpa de ter internado o pai num lar e a impotência que sente face à situação da irmã, vítima de abusos constantes por parte do homem com quem vive, é-lhe atribuída uma nova missão: aproximar-se de Jamie Breck, um detective suspeito de estar envolvido numa rede de pedofilia, sem que até agora tenha sido possível reunir provas para o acusar.
Mas, à medida que Fox se envolve no caso, crescem as suspeitas de que as coisas não são tão lineares como o fizeram crer, e as dúvidas instalam-se, sobretudo quando um terrível homicídio ameaça destruir o frágil equilíbrio entre a sua vida profissional e familiar.
Autor: Ian Rankin nasceu em Kingdom of Fife, no ano de 1960. Graduou-se na Universidade de Edimburgo, e desde então já trabalhou nas vindimas, numa criação de porcos, foi cobrador de impostos, jornalista de rádio e músico punk. A sua primeira obra sobre John Rebus, intitulada «Knots & Crosses», foi publicada em 1987. Actualmente, as investigações de Rebus encontram-se traduzidas em vários idiomas, sendo alvo de uma popularidade cada vez mais acentuada nos EUA. Rankin foi eleito membro honorário de Hawthorden e vencedor do prestigiante Chandler-Fulbright Award. Com «Black and Blue», o volume precedente das investigações de John Rebus, recebeu o galardão britânico 'Macallan Gold Dagger Award' de 1997, tendo sido nomeado pelo mesmo livro, para o 'Prémio Edgar' no Mistery Writers of America Awards, na categoria de Melhor Romance Policial. Actualmente vive em Edimburgo com a esposa e os dois filhos.
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Comentários
“Haveria sempre gente pronta a meter ao bolso um maço de notas em troca de um favor. Haveria sempre gente a aproveitar-se do sistema e a chupar até ao último centavo. Certas pessoas, muitas, continuariam a safar-se incólumes.”
Ian Rankin não procurou valorizar as questões mais pessoais de cada personagem, cingindo-se apenas à investigação deste complexo caso, mas mesmo assim é fácil simpatizar com Malcolm e Jamie que, pela diferença de idades e crescimento pessoal, conseguem unir forças num objectivo comum, mostrando que as opiniões que temos uns dos outros têm de ser construídas por nós e não por terceiros.
“A polícia consistia numa série de mecanismos interligados, sendo que qualquer um deles podia ser subornado, ou acabar por se desalinhar, ou precisar de conserto…”
Só é pena o autor não ter explorado mais certas situações, como a violência doméstica, ou a impossibilidade de tomar conta dos nossos pais com o avançar da idade, ou mesmo o envolvimento pessoal no local de trabalho, que surgem na sinopse e que depois acabam por ter pouco destaque na narrativa, o que de certa forma empobreceu um pouco a história.
É um livro totalmente policial, com polícias de vários departamentos a terem de interagir uns com os outros e o protagonista pertence às Queixas (se calhar mais conhecido nos EUA como Assuntos Internos).
Ora, as Queixas são polícias que investigam outros polícias corruptos e é a partir dessa premissa, que o protagonista vai investigar um colega.
Mas claro que nem tudo o que parece é. E é isso que vamos lendo ao longo do livro.
As peças do puzzle vão sendo descortinadas ao longo do livro, não deixa tudo para o fim. Gostei da camaradagem entre o protagonista e o seu parceiro.
Devo dizer que, como as personagens são tantas, e depois com vários polícias daquela e daqueloutra esquadra e cidade, por vezes tornou-se um bocado difícil de acompanhar quem andava atrás de quem.
Acho que este livro daria um bom filme ou série.
A capa fez-me lembrar (se calhar era esse mesmo o objectivo) as fitas utilizadas pelos polícias. Este facto, em paralelismo com o anterior, torna esta obra de Rankin num livro 100% policial.
Confesso que não sou propriamente amante deste género, mas o livro "escorregou" tão bem que, quando cheguei ao fim, fiquei ao mesmo tempo satisfeita e surpreendida.
A personagem Malcom Fox é, sem dúvida, muito complexa, e o seu raciocínio e instinto são demonstrados com bastante sucesso ao longo do livro. Acho que o final não foi muito revelador, já que as peças vão-nos sendo mostradas, tal como os seus encaixes e os resultados; mas fiquei surpresa com o suposto "romance" com que o escritor nos ilude e, no meu caso, me distraiu da acção principal.
Pontos negativos só encontrei falta de letras e uma frase ou outra confusa (edição ou tradução não sei).
Por fim, gostei particularmente dos "à partes", principalmente no início, onde o escritor explica o significado de nomes e personagens mais secundárias.
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