Uma Questão de Fé

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Autora: Jodi Picoult
Edição: 2008 
Páginas: 456
ISBN: 9789722626095
Editora: Civilização

 

 

Em "Uma Questão de Fé", Jodi Picoult lança-se uma vez mais numa temática polémica sobre fé, traição, milagres e mistério… mas o fio condutor da narrativa é sempre a força do amor maternal. Pela segunda vez no seu casamento, Mariah White apanha o marido com outra mulher, e Faith, a filha de ambos, assiste a cada doloroso momento. Após o inevitável divórcio, Mariah luta contra a depressão e Faith começa a conversar com um amigo imaginário.

A princípio, Mariah desvaloriza o comportamento da filha, atribuindo-o à imaginação infantil. Mas quando Faith começa a recitar passagens da Bíblia, a apresentar estigmas e a fazer milagres, Mariah interroga-se se sua filha não estará a falar com Deus. Quase sem se aperceberem, mãe e filha vêem-se no centro de polémicas, perseguidas por crentes e não-crentes e apanhadas num circo mediático que ameaça a pouca estabilidade que lhes resta.

Autora:

Jodi Picoult nasceu e cresceu em Long Island. Estudou Inglês e Escrita Criativa na Universidade de Princeton e publicou dois contos na revista Seventeen enquanto ainda era estudante. O seu espírito realista e a necessidade de pagar a renda levaram Jodi Picoult a ter uma série de empregos diferentes depois de se formar: trabalhou numa corretora e numa editora, foi copywriter numa agência de publicidade e professora de inglês. É umas das autoras mais populares da atualidade. Em 2003, foi galardoada com o New England Bookseller Award for Fiction.

Saiba mais em www.jodipicoult.com

Comentários  

 
#1 Sónia Cristina Sousa Melo 2017-04-16 22:37
Uma Questão de Fé é um livro poderoso pela mensagem que nos transmite, que deve ser lido com tempo e, acima de tudo, com uma grande abertura de espírito, não apenas pelo seu tamanho considerável, mas pela forte história que nos conta.

Mariah White é uma jovem mulher, casada e com uma filha de sete anos chamada Faith. Mariah planeia a sua vida ao mais pequeno pormenor. Aparentemente, ela possui uma vida perfeita, mas acabaremos por ver que a sua vida está, na verdade, longe da perfeição. No passado, um acontecimento traumático levou-a a um ato extremo que a marcou para sempre, uma tentativa de suicídio. O seu marido, que a levou a esse ato com uma traição em flagrante, internou-a numa instituição para doentes mentais contra a sua vontade. Lá ela descobre estar grávida e, mesmo assim, durante quatro meses é submetida a uma série de tratamentos que podem ou não prejudicar o bebé. É, portanto, num mar de culpa que esta jovem vai vendo o avançar da sua gravidez.

Desde o nascimento da filha que Mariah tem tentado de modo obsessivo ser a mãe perfeita. Mas é nesse enorme esforço que reside o seu maior erro, uma vez que acaba por se esforçar demasiado, o que faz com que não consiga ligar-se verdadeiramente à filha. Entretanto, o marido, supostamente redimido, acaba por trazer a amante de longa data para casa, onde a mulher e a filha os irão apanhar em flagrante. A partir daí, começa esta história, na qual uma criança especial, capaz de realizar milagres e de falar com Deus, se torna mais próxima da mãe que adora e com a qual não conseguia interagir.

Acima de tudo, esta é uma história de fé e amor entre mãe e filha. Pelo meio, temos ainda tempo para conhecer uma das personagens mais charmosas de Jodi Picoult, o famoso e carismático Ian Fletcher.

Ao longo desta história, é o coração das suas várias personagens que está em jogo, o coração de Mariah White, de Faith, de Ian Fletcher e de várias outras personagens que, escolhendo ou não acreditar nas supostas visões de Faith, veem a sua vida ser afetada, quer seja positivamente, quer seja negativamente, pelos acontecimentos narrados neste livro.

A grande protagonista desta história é Mariah White, uma mulher que anteriormente havia batido no fundo, mas que se reergueu contra todas as expectativas, para cuidar da filha que ama acima de tudo, inclusive, acima do seu amor obsessivo pelo marido que sempre a manipulou. É, curiosamente, o fim da relação de Mariah, que permitirá que esta mãe possa finalmente ser a mãe que sempre ambicionou.

O intenso debate acerca da veracidade das visões de Faith acaba por se tornar secundário, no meio de uma feroz batalha judicial pela custódia da menina. Ainda temos tempo para perceber que existem advogados que não têm quaisquer escrúpulos em denegrir a imagem de uma pessoa, para atingir os seus objetivos de vitória, mas não irei revelar o resultado da derradeira luta da vida de Mariah White.

Enfim, um livro ao mesmo tempo forte e ao mesmo tempo mole, no sentido de nos fazer ver as coisas por um prisma mais terra a terra, sem demasiados dramatismos baratos que, por vezes, nos tentam impingir.

Demorei a começar a ler o livro, porque julguei que os livros de Jodi Picoult, pelos seus temas fortes, eram livros que fariam chorar as pedras da calçada. Afinal, estava enganada e é aí que reside o talento desta autora: o de nos fazer passar grandes mensagens sem nos chocar em demasia.
 

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