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| Vida Ignorada de Leonor Teles |
| Terça, 15 Junho 2010 23:10 | |||
![]() Autor: António Cândido Franco Páginas: 367 Formato: 16X23 Cm Editora: Ésquilo A História nunca contada dos tempos de Aljubarrota. Uma visão inovadora de um período-chave da história de Portugal. Nesta obra, António Cândido Franco, fundamentado numa investigação penetrante e detalhada, transmite uma nova perspectiva acerca da enigmática personagem do século XIV, a rainha Leonor Teles. «O rombo das convenções, o apuro dos sentimentos e a transcendência do amor» são o mote para a viagem ao seio de uma história apócrifa – velada e secreta – que os historiadores persistem em ocultar. «A História de Portugal teve em Leonor Teles e em João de Avis uma bifurcação de dois ramais, ou de duas vontades, em que um ficou por seguir. A História correu até hoje, a toda a velocidade, impante e ufana, pelo caminho da expansão e da abundância, da afirmação firme e da magnificência, representado pelo fundador da dinastia de Avis; de lado ficou o da retracção humilde, o da implosão do mundo, representado por Leonor Teles. Tem esta mulher pois um valor simbólico alternativo na época de oiro da História de Portugal: o da abdicação e o da renúncia voluntária ao mando e à riqueza.» Uma obra verdadeiramente sublime de arte literária, revelando ambientes psicológicos e sociais a par de narrativas riquíssimas. Uma escrita que fascina e transmite mensagens profundas ao encontro dos grandes temas da existência humana. Autor: António Cândido Franco, ensaísta, romancista, poeta e professor universitário, recebeu em 1993 o Prémio de Ensaio da Associação Portuguesa de Escritores. É um autor de referência na área do romance histórico português. Do mesmo autor: A Herança de D. Carlos
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O livro começa de forma interessante no reinado do rei D. Pedro que ainda está de coração destroçado devido ao falecimento de D. Inês e é muitas vezes levado pela loucura. É neste tempo que ocorre a infância da pequena Leonor e toda a sua família, que nos leva entender como ela cresceu e se tornou mulher e toda atmosfera à sua volta, o que é bem diferente da visão isolada que a maior parte das pessoas tem dela.
Na verdade, a sua história com D. Fernando é, em muitos aspectos, semelhante à de D. Pedro com D. Inês. A grande diferença é que D. Fernando já era rei e podia casar com a mulher que amava ao contrário do pai, que teve a sua amada morta pelo próprio pai. Mas, se tivesse sido ao contrário e tivesse sido D. Leonor a ser morta, não seria ela hoje a mais cantada pelos poetas à semelhança de Inês. Um livro soberbo que nos dá uma visão humana e realista de Leonor como criança, jovem, mulher, amante e mãe, que cobre todos acontecimentos mais importantes da época de forma rigorosa e com ambiente histórico muito detalhado.
O pano de fundo é a história daquela que foi considerada a rainha maldita, desde o seu nascimento até à sua presumível morte. Pelo meio, fica muita da história de Portugal, desde D. Afonso IV a D. João I. Fala-se dos amores de D. Pedro por D. Inês de Castro e dos amores de D. Fernando por D. Leonor Teles.
Mas teria D. Leonor Teles sido a mulher fatal, a fingida e a traidora com que a tradição a rotulou? O autor tenta dar-nos uma visão diferente: Leonor Teles tentou ser uma boa rainha, mas foi vítima da conjuntura política da época e dos interesses da dinastia de Avis, na sua ânsia de justificar a tomada do poder.
Por cima deste pano de fundo, o autor construiu uma obra de cariz poético, com uma escrita erudita e personagens a falar a linguagem da época. O romance desenvolve-se num ambiente de fantasia, a par com o mundo real. São desenvolvidos temas esotéricos que explicam as acções mais ousadas dos seres humanos. O mito da criação e da origem do homem é exposto à luz desta concepção e explica o nascimento, a vida e a morte de Leonor e das outras personagens.
É um livro para se ler com calma, saboreando as pétalas de literatura que o autor ali colocou, para delícia do leitor.
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