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Autor: João Paulo Oliveira e Costa
Género: Romance Histórico
Trilogia: O Samurai Negro (Vol. 2)
Edição: Abr/2018
Páginas: 540
ISBN: 9789896444846
Editora: Temas e Debates

 

 


Entre 1590 e 1600 completou-se a unificação do Império Nipónico. Ieyasu, o jogador, vai dominando o Japão tal como se ganha um jogo de go. Nesta década em que a guerra baixou de tom e em que tudo estava em aberto, o Cristianismo continuava a propagar-se pelo Japão apesar da rivalidade entre portugueses e castelhanos. Pedro e Ana predominam em Nagasáqui; os seus filhos crescem e começam a ganhar o mundo, tal como os filhos de Flávia, a bela romana. O irmão, Giuseppe, prossegue seus negócios com o auxílio de Manuol, o mirandês da ilha de Moçambique, enquanto Carlos, o samurai negro, e Ana continuam a lutar contra a paixão que sentem desde que se conheceram e quando ela afinal escolheu Pedro. Catarina, por sua vez, não esqueceu Pedro, nem Flávia e Giovanna esqueceram Roberto.

Missionários, generais e navegadores, alcaides e pastores, bandidos e soldados, mais esbirros da Inquisição e mártires japoneses, ou mercadores de Macau e vendedores de relíquias cruzam-se a cada passo com os protagonistas que deambulam pelo mundo, do Japão a Jerusalém e a Roma, ou dos Açores à Índia e à China. E em Miranda do Douro um bispo torna-se santo, as bruxas bailam ao vento e há um mistério por resolver.

Deste autor no Segredo dos Livros:
Construtores do Império (coautoria)
O Samurai Negro
O Cavaleiro de Olivença
Henrique, O Infante

Autor:

João Paulo Oliveira e Costa, nascido em 1962, é doutor em História e Professor Catedrático da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. É Diretor do Centro de História de Além-Mar (CHAM) e membro da Direção do Centro de Estudos de Povos e Culturas de Expressão Portuguesa da Universidade Católica Portuguesa. Foi um dos coordenadores científicos das Biografias dos Reis de Portugal e autor de D. Manuel I, publicado nesta coleção, e é autor ou coautor de diversos obras de divulgação histórica. Iniciou-se na escrita de ficção com o romance O Império dos Pardais (2008), a que se seguiu O Fio do Tempo (2011), O Cavaleiro de Olivença (2012) e O Samurai Negro (2016).

Comentários  

 
#1 Sebastião Barata 2018-06-14 20:50
Há dois anos, por estes dias, estava eu a comentar "O Samurai Negro", 1º volume desta trilogia. Muitos livros lidos entretanto, já só recordava uma linha muito geral da história, pelo que tive de dar uma passagem rápida pelo livro, para recordar algo mais daquilo que já tinha esquecido. Se os leitores que o leram na época se recordam, a história girava à volta de um triângulo amoroso entre dois portugueses, ambos muito peculiares (Carlos, o negro, e Pedro, o meio ameríndio), e uma japonesa (Ana). Os nanbanjin (portugueses) fundaram em Nagasáqui um entreposto comercial que cresceu rapidamente e se transformou numa grande cidade. Entretanto, como era habitual, a religião cristã andava a par com os negócios. Os jesuítas acompanharam os navegadores e o número dos kirishitan (cristãos) crescia a olhos vistos, havendo muitas conversões não só entre o povo, mas também entre a classe dirigente, o que despertou o receio do kanpaku Hideyoshi que ordenou a expulsão dos padres e a proibição da religião cristã. Mas tal não sucedeu, com a cumplicidade de gente local muito poderosa.

Neste volume, estamos na última década do século XVI, época em que, como sabemos, estava a consolidar-se em Portugal o regime dos reis Filipes de Espanha, o que não podia deixar de ter repercussões nos territórios sob administração portuguesa. Também no campo religioso teve consequências e as ordens religiosas dominadas por espanhóis tentaram apoderar-se das missões dos portugueses. Mas no Japão o poder dos Jesuítas portugueses estava muito enraizado e a sua surtida a partir de Manila não teve grande sucesso. No campo dos civis, os negócios de Pedro continuaram a florescer e os seus filhos e de Ana cresceram e começaram a desempenhar um papel cada vez mais interveniente neles. Carlos não deixa de amar Ana, mas é incapaz de trair o amigo, pelo que se mantém à margem, sem deixar de ajudar a família. Entre os japões continuam as rivalidades e a casa de Hideyoshi vai começar a perder poder.
Surgem neste volume novas personagens e outras ganham mais protagonismo. Uma personagem que, não deixando de ser secundária, vai desempenhar um papel importante é um mirandense chamado Manuol (Manuel em português) que é degradado para a ilha de Moçambique, mas ali se torna o braço direito dos Padres da Companhia e se estabelece como agente dos negócios de Pedro e sua família. Ele vai ser intermediário em algumas situações com grande influência no desfecho deste volume. Sucede que a vida tem coincidências fantásticas. Eu, que nada sabia de mirandês, estive em Bragança e Miranda do Douro recentemente num passeio turístico, tendo tomado contacto com aquela língua, que os mirandenses defendem com todo o empenho, ao ponto de os nomes das ruas, placas toponímicas, informações turísticas estarem todas escritas em mirandês (e, por vezes, também em português). Ora, neste livro, o autor utilizou esta língua local nas falas de todos os mirandeses que aparecem no livro, incluindo o dito Manuol. Foi para mim uma agradável surpresa e aplaudo João Paulo Oliveira e Costa por esta iniciativa. Foi um importante contributo para a preservação deste elemento da nossa cultura. Reencontrei também no livro locais, personalidades, usos, costumes e mitos mirandeses, com os quais havia tomado contacto na minha recente viagem.

Contráriamente à minha previsão no final da leitura do 1º volume, Carlos "O Samurai Negro" foi uma personagem um pouco resguardada neste volume que, como já disse, se centrou no seu rival (e grande amigo) Pedro, sua família e seus negócios. Mas estou em crer que vai assumir um grande protagonismo no 3º volume. Acaso, não se chama a trilogia, justamente, "O Samurai Negro"?!

Ficamos assim a aguardar o final, para vermos como termina a aventura portuguesa no longínquo país dos japões (como aqui são apelidados), do êxito ou fracasso da cristianização daquele povo e do contributo que nós (os nanbanjin) demos para uma abertura ao mundo daquela sociedade muito hermética, com tradições, usos e costumes muito diferentes dos nossos, por vezes completamente opostos, em matéria da noção de bem e de mal, seja na organização social, na condução da guerra e até na sexualidade.

Volto a salientar, como fiz no volume anterior, o rigor histórico posto nesta obra, onde todas as personagens (exceto Manuol e os populares mirandenses) são reais, tanto os padres e os leigos portugueses, como os japoneses ilustres da época, assim como os Papas e seus enviados ao Japão, para inspecionar ou dirigir aquela comunidade cristã. Desta vez, já não foi tão difícil identificar a "multiplicidade de nomes de pessoas e locais em japonês" existentes no livro, uma vez que já estava mais familiarizado com eles.
Enfim, é um importante romance histórico, muito mais Histórico do que romance, mas que se lê com o agrado de um romance e nos mostra uma sociedade que ainda hoje mantém muito do que era há 500 anos e continua a ser quase desconhecida para a generalidade dos ocidentais.
 

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