Zonas Íntimas

 

 

   

Autora: Charlotte Roche
Edição: Jun/2012
Páginas: 24
ISBN: 9789892319803
Editora: Lua de Papel

 

Logo nas primeiras páginas o leitor é guiado, com arrepiante despudor, para o último reduto da intimidade: o quarto de casal. É ali, debaixo dos lençóis, no decurso de um fellatio, prolongada e minuciosamente descrito, que Elizabeth se apresenta. Ela é uma mulher de 33 anos, mãe de uma filha de sete, a viver o seu segundo casamento. É a personagem principal, mas também o coro grego; expõe-se mas também se observa à distância. E nesse duplo processo, já não é apenas uma mulher casada, mas a mulher contemporânea, onde se desvendam as terríveis cicatrizes da modernidade.

Zonas Íntimas é um romance que nada teme, que despreza rótulos ou tabus. Ergue-se em torno da voz desabrida de uma mulher que não consegue perdoar a mãe (a negação do sexo) e que tenta reconciliar-se com o passado (a traumática perda de três irmãos). Nesse sôfrego monólogo interior, onde cruamente se expõem as marcas da contemporaneidade (a morte de Deus, o ambiente), o sexo surge já não como metáfora, mas como âncora – é no sexo, e pelo sexo, que Elizabeth se tenta (re)construir, perseguir a intimidade e, em última análise, sobreviver.

 

Autor – Charlotte Roche

Autora:

Charlotte Roche nasceu em 1978 em High Wycombe, Inglaterra, e cresceu na Alemanha. Como apresentadora de televisão dos canais VIVA, 3SAT e ZDF, entre outros, recebeu o Prémio Grimme e o Prémio de Televisão da Baviera. Em 2008 publicou o seu primeiro romance, Zonas Húmidas (Caderno, 2009), que desencadeou um enorme debate, tornando-se o livro mais vendido do ano na Alemanha (dois milhões de exemplares).
Charlotte Roche vive com o marido e a filha em Colónia.

4 comentários
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Comentários

  • Sónia

    Março 23, 2013 às 15:04
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    Nunca tive por hábito tirar conclusões de algo apenas com base no que os outros dizem. É claro que tenho em linha de conta as opiniões de quem está à minha volta, mas, para formar um juízo de valor, deixo que o meu sentido crítico funcione. No fundo, foi o que se passou com este livro que é alvo de opiniões arrasadoras e, mesmo estando bastante ocupada em termos de leituras, não deixei de o ler. Assumo perfeitamente - e aí estou de acordo com os demais - que a linguagem é nua e crua. Assim como também assumo que […] Ler Mais...Nunca tive por hábito tirar conclusões de algo apenas com base no que os outros dizem. É claro que tenho em linha de conta as opiniões de quem está à minha volta, mas, para formar um juízo de valor, deixo que o meu sentido crítico funcione. No fundo, foi o que se passou com este livro que é alvo de opiniões arrasadoras e, mesmo estando bastante ocupada em termos de leituras, não deixei de o ler. Assumo perfeitamente - e aí estou de acordo com os demais - que a linguagem é nua e crua. Assim como também assumo que sou o mais [i]open minded[/i] possível. No entanto, se formos a ver alguns dos ditos romances sensuais que por aí andam e que têm tantas fãs, a diferença em termos de linguagem não é assim tanta. Mas aqui surge-me algo que destoa da linha desses romances.Ao ler este, coloquei-me no papel de psicanalista que estaria a ouvir os desabafos de uma qualquer paciente. Esta é um pouco neurótica, uma alma "perturbada", é certo, mas acredito que espelhe a realidade de algumas Elizabeth com que nos vamos cruzando e que, duma maneira ou de outra, não têm coragem de assumir os seus dilemas pessoais desta forma. Não estou de forma alguma a fazer uma [i]defesa[/i] da protagonista, até porque, em determinadas alturas, interroguei-me "Ainda mais?!", mas consegui [i]entendê-la[/i]...Possivelmente, esta é a diferença relativamente às outras opiniões (mesmo tendo consciência de que é um livro que não me despertou vontade de reler), assim como a minha assumpção de que poderia espelhar as vivências de uma ou outra Elizabeth que conheço, que vivem os seus dilemas de forma silenciosa. Por vezes, a ficção possibilita-nos fazer estes paralelismos. Read Less

  • Raquel

    Janeiro 4, 2013 às 10:20
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    O que me levou a querer ler este livro foi a sinopse e o facto de ter algumas pessoas que o desejavam ler também. Elizabeth é um bocado neurótica, perdeu os seus irmãos num acidente de automóvel e tenta superar a dor que sente. Por isso, consulta um terapeuta para a ajudar a ultrapassar o trauma da morte e tentar melhorar a relação que tem com a mãe, bem como alguns problemas no seu corpo, que não são mesmo problemas, mas sim coisas naturais que ela acha que não deverão agradar ao marido, como ter os seis pequenos.Achei o livro […] Ler Mais...O que me levou a querer ler este livro foi a sinopse e o facto de ter algumas pessoas que o desejavam ler também. Elizabeth é um bocado neurótica, perdeu os seus irmãos num acidente de automóvel e tenta superar a dor que sente. Por isso, consulta um terapeuta para a ajudar a ultrapassar o trauma da morte e tentar melhorar a relação que tem com a mãe, bem como alguns problemas no seu corpo, que não são mesmo problemas, mas sim coisas naturais que ela acha que não deverão agradar ao marido, como ter os seis pequenos.Achei o livro mesmo fraquinho, resumindo-se à sexualidade da personagem principal e a sua intimidade com o marido. O facto de se resumir a isso é que estraga tudo, pois tem uma óptima ideia e uma boa sinopse. Pensei que viessem coisas diferentes, próprias duma mulher contemporânea. O que achei um pouco forçado mesmo foi que esta tentasse sobreviver pelo sexo e só pelo sexo. Read Less

  • Helena

    Dezembro 12, 2012 às 14:25
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    Este é um daqueles romances sobre os quais tenho alguma dificuldade em opinar, porque, em determinado momento, ponderei não concluir de o ler. Não por pudor, mas porque Elizabeth, personagem principal e narradora, parecia-me um tanto perturbada e neurótica e não me proporcionava uma leitura enriquecedora. A persistência em tentar aproximar-me e compreender a personagem no seu raciocínio solto e "sem filtro" levou-me às causas subjacentes àquela agressividade e obsessão. Tudo se resumia à intimidade e sexualidade. Depois de vencidas as barreiras iniciais, atinge-se algum paralelismo com a realidade, o que não nos deixa indiferentes.

  • PCCST

    Setembro 19, 2012 às 14:51
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    Confesso que comecei a ler este livro atraída pela sua sinopse. Isto porque, aquando da escolha, não tinha qualquer referência sobre o mesmo, nem tão pouco sobre a autora, que desconhecia até então. É um facto que este livro possui várias descrições de cariz sexual, descrições essas relacionadas com a vida íntima de Elizabeth, a personagem principal, e o seu marido. No entanto, penso que o livro não passa disso mesmo, de um grande conteúdo descritivo de momentos íntimos entre um casal, intercalados com grandes devaneios de Elisabeth que é, no meu ponto de vista, uma personagem um pouco neurótica. […] Ler Mais...Confesso que comecei a ler este livro atraída pela sua sinopse. Isto porque, aquando da escolha, não tinha qualquer referência sobre o mesmo, nem tão pouco sobre a autora, que desconhecia até então. É um facto que este livro possui várias descrições de cariz sexual, descrições essas relacionadas com a vida íntima de Elizabeth, a personagem principal, e o seu marido. No entanto, penso que o livro não passa disso mesmo, de um grande conteúdo descritivo de momentos íntimos entre um casal, intercalados com grandes devaneios de Elisabeth que é, no meu ponto de vista, uma personagem um pouco neurótica. É uma mulher com grandes intenções de chegar à perfeição, de se anular a ela própria, apenas e somente para agradar o marido. O livro tem ainda várias conversas entre Elizabeth e a sua terapeuta, para a ajudar na tarefa de superar a perda dos seus três irmãos e da péssima relação que tem com a sua mãe, ou até mesmo de ter uns seios pequenos.Devo esclarecer que esta minha opinião não se deve ao conteúdo sexual, porque nesse aspecto tenho-me como "open mind". Refiro-me mesmo à falta de conteúdo, para além desse. Não há grande história e a forma como está escrito deixou-me, por vezes, um pouco à deriva, porque tanto está a ler citações no presente como, de repente, retrocede e fala de acontecimentos anteriores. Li todo o livro até ao fim, até porque não gosto de deixar uma leitura a meio, mas não o achei cativante o suficiente para o recomendar. Read Less

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